A educação formal de William Carey teve uma influência limitada em seu trabalho, pois ele nunca frequentou o equivalente ao ensino médio ou à faculdade. Sua formação se deu principalmente através do autodidatismo e da experiência prática. No entanto, essa ausência de educação formal não o impediu de realizar uma obra monumental; pelo contrário, seus esforços autodidatas moldaram significativamente a maneira como ele abordou seus empreendimentos missionários e acadêmicos.
Desde cedo, Carey demonstrou uma notável capacidade de aprender por conta própria. Aos 12 anos, ele ensinou a si mesmo latim e, posteriormente, dominou grego, hebraico, francês e holandês. Essa paixão pelo aprendizado de línguas seria crucial para sua futura obra de tradução da Bíblia. Sua habilidade de se dedicar ao estudo, mesmo sem a orientação de um sistema educacional formal, revela uma disciplina e uma motivação intrínsecas que impulsionaram seu trabalho missionário.
Apesar de sua proficiência em diversas línguas, seu inglês escrito era considerado precário, com problemas de ortografia e pontuação. Essa aparente contradição sublinha o fato de que seu foco principal estava na aquisição de conhecimento linguístico para fins práticos, especialmente para a tradução das Escrituras e a comunicação com os povos indianos, em vez de se ater às normas gramaticais de sua própria língua materna.
A falta de educação formal também se manifestou em seus primeiros esforços para ser ordenado como pastor, pois sua pregação inicial foi considerada “entediante”. Levou dois anos até que o comitê de ordenação se satisfizesse com sua pregação. Esse episódio demonstra que Carey precisou aprender e se desenvolver em habilidades comunicativas através da prática e da persistência, em vez de se basear em um treinamento formal em retórica ou homilética.
No entanto, a própria natureza autodidata de sua educação o preparou de maneiras únicas para o trabalho missionário. Sua capacidade de identificar uma necessidade (a tradução da Bíblia, a compreensão das culturas locais) e buscar o conhecimento necessário para atendê-la, sem depender de instituições formais, tornou-se uma característica marcante de sua abordagem. Ele consumiu avidamente livros sobre geografia, história e religiões do mundo, construindo um conhecimento enciclopédico que fundamentou sua visão missionária.
A fundação do Serampore College é, em certo sentido, um testemunho da importância que Carey atribuía à educação, mesmo tendo sido amplamente autodidata. Ao criar uma instituição de ensino superior aberta a indianos de todas as castas, ele reconheceu o poder da educação formal na formação de líderes e na disseminação do conhecimento, algo que ele próprio buscou incansavelmente ao longo de sua vida. O Serampore College visava suprir a falta de oportunidades educacionais que ele e muitos outros enfrentaram.
Em resumo, a educação formal de Carey teve pouca influência direta em seu trabalho, pois foi extremamente limitada. No entanto, sua extraordinária capacidade de autoaprendizagem, impulsionada por uma profunda paixão e perseverança, moldou fundamentalmente seu legado. Ele superou as barreiras da falta de instrução formal através de uma busca incessante por conhecimento, que se manifestou em suas notáveis realizações na tradução bíblica, na linguística e na fundação de instituições educacionais na Índia. Sua história demonstra que a sede por aprender e a dedicação ao estudo podem transcender as limitações da educação formal e gerar um impacto duradouro.