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EstudosEstudos em Gênesis24 de 28

Gn 6:1-22 - Comentário

Diego Gonçalvesatualizado 11 min de leitura2.165 palavras

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Neste estudo

A história de Noé: fé e obediência em meio à maldade do mundo

Introdução

No capítulo 6 de Gênesis, somos apresentados a Noé e ao mundo cheio de maldade que provocou o juízo de Deus. Veremos como Noé encontrou graça diante do Senhor, recebeu instruções sobre a construção da arca e como sua fé e sua obediência apareceram em todo o processo.

Noé ajoelhado diante da arca, com um raio de luz sobre ele e os animais reunidos ao redor
Charles Willson Peale, Noé e sua arca, 1819. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Resumo da passagem

Versículos 1-7: Nestes versículos iniciais, somos confrontados com a realidade da maldade que dominava o mundo na época de Noé. Essa depravação provocou a ira de Deus, que decidiu agir contra o pecado da humanidade. Noé aparece aqui como exemplo de retidão em um mundo corrompido.

Versículos 8-11: Apesar da maldade que cercava Noé, ele encontrou graça aos olhos do Senhor. A graça de Deus o alcançou, e a devoção e o compromisso com a retidão que o distinguiram em meio à escuridão moral do seu tempo nasceram dela. Deus escolheu Noé, e é aí que a história ganha um tom de esperança em meio ao caos.

Versículos 12-21: Nestes versículos, acompanhamos o anúncio do dilúvio a Noé. Deus dá instruções detalhadas sobre a construção da arca, que serviria como um refúgio para Noé, sua família e representantes de todas as espécies de animais, garantindo a sobrevivência das criaturas durante o dilúvio devastador. Aqui vemos Deus falar diretamente com Noé, e essa palavra sustenta a fé dele e a decisão de cumprir a vontade divina.

Versículo 22A: No encerramento do capítulo, vemos a fé e a obediência de Noé. Ele obedeceu às instruções divinas com diligência e perseverança, mostrando confiança em Deus diante de uma tarefa que parecia impossível.

Texto Comentado Versículo por Versículo

Versão da Bíblia Sagrada Utilizada: Almeida Corrigida Fiel (ACF)

1 E ACONTECEU que, como os homens começaram a multiplicar-se sobre a face da terra, e lhes nasceram filhas,

Comentário Bíblico sobre Gênesis 6:1-7:

Nestes versículos, encontramos a descrição da crescente iniquidade na terra que levou Deus a decidir punir a humanidade através do dilúvio. Observamos que uma das principais causas dessa maldade foi a interação entre os filhos de Deus (segundo uma leitura comum, descendentes piedosos de Sete) e as filhas dos homens (descendentes ímpios de Caim, nessa mesma leitura). Esse casamento misto resultou em uma corrupção crescente da fé e dos princípios religiosos, levando a uma sociedade cada vez mais depravada.

A misericórdia de Deus também é evidente: Ele enviou pregações e advertências por meio de Enoque, Noé e outros servos fiéis, chamando a humanidade ao arrependimento. O Espírito de Deus contendia com os homens, chamando-os ao caminho da retidão. No entanto, Deus é justo e não pode tolerar o pecado indefinidamente. Sua paciência tem limites, e o momento chegou em que Ele decidiu que a humanidade havia excedido esses limites e se endurecido no pecado.

Quando a Bíblia fala de Deus “arrependendo-se” ou “se entristecendo”, não quer dizer que Ele muda de opinião ou comete erros, pois Deus é imutável. São palavras que nos permitem compreender, em linguagem humana, a profundidade do pecado e a dor que ele causa a Deus. Deus é amoroso e, ao mesmo tempo, santo e justo em tudo o que faz.

A situação na época de Noé era tão terrível que a intenção e os pensamentos dos corações das pessoas eram continuamente maus. A maldade havia se espalhado de tal modo que quase não restava inclinação para o bem. A depravação alcançava todas as áreas da vida.

Diante de tamanha perversidade, Deus determinou que a única solução era destruir a humanidade através do dilúvio. Ele não toma essa decisão de ânimo leve: o texto diz que o coração de Deus se entristeceu (v. 6). Deus não se alegra com a destruição (Ezequiel 33:11), mas, sendo justo, não deixa o pecado sem punição.

Neste episódio, aprendemos sobre a seriedade do pecado e a importância da obediência a Deus. A história do dilúvio nos lembra de que, mesmo em Sua paciência e misericórdia, Deus responde ao pecado com justiça. Devemos aprender com essa narrativa e buscar andar nos caminhos de Deus, submetendo-nos com humildade a Sua vontade e buscando a santidade.

2 Viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram.

3 Então disse o Senhor: Não contenderá o meu Espírito para sempre com o homem; porque ele também é carne; porém os seus dias serão cento e vinte anos.

4 Havia naqueles dias gigantes na terra; e também depois, quando os filhos de Deus entraram às filhas dos homens e delas geraram filhos; estes eram os valentes que houve na antiguidade, os homens de fama.

5 E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente.

6 Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem sobre a terra e pesou-lhe em seu coração.

7 E disse o Senhor: Destruirei o homem que criei de sobre a face da terra, desde o homem até ao animal, até ao réptil, e até à ave dos céus; porque me arrependo de os haver feito.

8 Noé, porém, achou graça aos olhos do Senhor.

Comentário Bíblico: Gênesis 6:8-11

Noé é apresentado neste trecho como uma figura notável aos olhos de Deus, contrastando com a perversidade prevalente na humanidade de sua época. O versículo 8 revela que Noé encontrou graça perante o Senhor, e a graça de Deus está na origem de tudo o que se diz dele depois: a comunhão com Deus e a fidelidade à Sua vontade. Enquanto o mundo ao redor se afundava na corrupção e na violência, Noé permanecia justo e íntegro, sustentado pelo Deus que o alcançou com Sua graça.

Essa justiça atribuída a Noé não se baseia em suas próprias obras, mas na fé com que recebeu a promessa divina (Hebreus 11:7). Ele foi considerado justo aos olhos de Deus porque confiou na Semente prometida (Gênesis 3:15), que aponta para a redenção por meio de Cristo. Sua retidão moral veio da relação com Deus, e foi essa comunhão com o Criador que o capacitou para uma vida santa.

No contexto histórico-cultural, a corrupção e violência descritas na sociedade pré-diluviana desencadearam o juízo divino. A perversão moral e espiritual era tão abrangente que o texto diz que “toda a carne havia corrompido o seu caminho” (v. 12). Diante dessa degradação, Deus decidiu trazer o dilúvio e limpar a terra.

A história de Noé serve de exemplo para todas as gerações. Ela mostra a importância de permanecer fiel a Deus, mesmo quando a maioria se desvia do caminho da retidão. A graça de Deus alcança todos os que nele confiam e os sustenta nos Seus caminhos. A narrativa também alerta sobre as consequências do pecado e a necessidade de arrependimento, mesmo em tempos de corrupção generalizada.

9 Estas são as gerações de Noé. Noé era homem justo e perfeito em suas gerações; Noé andava com Deus.

10 E gerou Noé três filhos: Sem, Cão e Jafé.

11 A terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a terra de violência.

12 E viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda a carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra.

Comentário Bíblico: Gênesis 6:12-21

Nestes versículos, Deus revela a Noé que vai destruir o mundo malvado com um dilúvio. A comunhão íntima do Senhor é dada aos que O temem e vivem em obediência às Suas palavras. Deus, em Sua sabedoria e justiça, escolheu o dilúvio para punir a perversidade humana.

A palavra “aliança” é mencionada aqui pela primeira vez na Bíblia. Ela tem dois aspectos: a aliança de providência, que assegura a continuidade dos ciclos naturais até o fim dos tempos, e a aliança de graça, em que Deus será o Deus de Noé e sua descendência. Através dessa aliança, Deus seleciona um povo para Si.

Noé foi incumbido de construir uma arca de dimensões extraordinárias, semelhante ao casco de um navio, que flutuaria sobre as águas durante o dilúvio. Essa tarefa exigia fé, obediência e diligência de Noé, pois ele seria o instrumento por meio do qual Deus preservaria a vida durante o cataclismo.

A obediência de Noé às ordens específicas de Deus na construção da arca mostrou a fé que ele tinha. A providência divina se manifestou na salvação de Noé e de sua família, protegidos na arca durante o dilúvio.

Essa passagem nos lembra da importância da obediência a Deus, pois nossas atitudes alcançam não só a nossa vida, mas também a de nossos familiares. A piedade dos pais pode abençoar os filhos nesta vida e apontar-lhes o caminho da vida eterna, para que também eles confiem em Deus e O sigam.

Portanto, em Gênesis 6:12-21, encontramos a justiça de Deus no dilúvio e a Sua misericórdia para com Noé e sua família, que encontraram refúgio na arca pela graça de Deus, recebida pela fé e vivida em obediência. Esses eventos nos chamam a valorizar a comunhão com Deus e a obediência a Seus mandamentos, confiando em Sua provisão e proteção em todas as circunstâncias.

13 Então disse Deus a Noé: O fim de toda a carne é vindo perante a minha face; porque a terra está cheia de violência; e eis que os desfarei com a terra.

14 Faze para ti uma arca da madeira de gofer; farás compartimentos na arca e a betumarás por dentro e por fora com betume.

15 E desta maneira a farás: De trezentos côvados o comprimento da arca, e de cinqüenta côvados a sua largura, e de trinta côvados a sua altura.

16 Farás na arca uma janela, e de um côvado a acabarás em cima; e a porta da arca porás ao seu lado; far-lhe-ás andares, baixo, segundo e terceiro.

17 Porque eis que eu trago um dilúvio de águas sobre a terra, para desfazer toda a carne em que há espírito de vida debaixo dos céus; tudo o que há na terra expirará.

18 Mas contigo estabelecerei a minha aliança; e entrarás na arca, tu e os teus filhos, tua mulher e as mulheres de teus filhos contigo.

19 E de tudo o que vive, de toda a carne, dois de cada espécie, farás entrar na arca, para os conservar vivos contigo; macho e fêmea serão.

20 Das aves conforme a sua espécie, e dos animais conforme a sua espécie, de todo o réptil da terra conforme a sua espécie, dois de cada espécie virão a ti, para os conservar em vida.

21 E leva contigo de toda a comida que se come e ajunta-a para ti; e te será para mantimento, a ti e a eles.

22 Assim fez Noé; conforme a tudo o que Deus lhe mandou, assim o fez.

Comentário Bíblico: Gênesis 6:22

Este versículo conclui a narrativa da construção da arca. Noé cumpriu todas as instruções dadas por Deus, e a ênfase recai sobre a sua obediência, exemplo de fé e submissão à vontade divina. A construção da arca foi uma tarefa enorme, que exigiu trabalho e perseverança, mas Noé não hesitou em obedecer ao chamado de Deus.

A história de Noé e da arca traz lições para os leitores de todos os tempos. Além de ser um registro histórico, ela mostra a importância da fé, da obediência e do temor a Deus. A arca foi o meio de salvação para Noé, sua família e as criaturas vivas durante o dilúvio. Da mesma forma, em Cristo, a verdadeira arca de salvação (1 Pedro 3:20-21), a humanidade é convidada a encontrar refúgio para a alma.

Assim como Noé, somos chamados a confiar na vontade de Deus, seguir Suas orientações e obedecer aos Seus mandamentos. A história de Noé nos lembra da importância de estar preparado para as advertências divinas e buscar a salvação que Deus nos oferece. Que o Senhor nos conceda seguir o exemplo de fé e obediência de Noé, fazendo conforme tudo o que Deus nos ordenar.

Conclusão

A história de Noé é um relato de fé, obediência e esperança, mesmo em meio à corrupção da humanidade. Noé é apresentado como exemplo de retidão e devoção, alcançado pela graça de Deus. Essa narrativa continua a ensinar gerações a confiar no poder de Deus e a agir com retidão, quaisquer que sejam as circunstâncias.

REFERÊNCIAS:

HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Matthew Henry Obra Completa – CPAD

Todas as Escrituras em português citadas são da Almeida Corrigida Fiel ©


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