Resenha: Cartas de um Diabo a seu Aprendiz” de C.S. Lewis

Resenha: Cartas de um Diabo a seu Aprendiz” de C.S. Lewis

Acabei de ler a análise do “Cartas de um Diabo a seu Aprendiz” de C.S. Lewis. É incrível como Lewis mostra as táticas sutis e frequentemente escondidas que o maligno pode usar para nos desviar.

O livro nos recorda de quão importante é estar sempre atento e consciente em nossa vigilância espiritual, e de como as pressões diárias podem nos distanciar da nossa fé. Destaca também como o materialismo e a rotina podem ser armadilhas perigosas.

A seguir, apresento um Guia de Estudo que preparei e apliquei aos jovens de nossa Igreja DaeHan durante o mês de Janeiro de 2024 sobre este livro tão emblemático de C.S. Lewis.

Durante esse período, fiz muitas anotações detalhadas e formulei muitas perguntas reflexivas baseadas no livro. Agora, estou animado para compartilhar isso com todos vocês.

Saliento que o meu Guia de Estudo não substitui a leitura completa da obra. Para adquiri-la, clique aqui.

Então, vamos começar esse aprendizado juntos e descobrir o que C.S. Lewis tem a nos ensinar sobre o mundo espiritual. Vamos lá!

Carta 01

Nesta primeira carta, Fitafuso aconselha Vermebile sobre como manipular um humano, afastando-o da fé e da razão. Ele sugere que o uso de argumentos lógicos pode ser ineficaz, pois desperta a razão do indivíduo. Em contrapartida, distraí-lo com questões mundanas e triviais é mais eficaz para mantê-lo longe da verdade, pois o ser humano tende a incorrer na “ilusão de que o que podemos ver e tocar é tudo o que existe”.

A análise da carta revela diversas perspectivas sobre a natureza da influência espiritual e a manipulação da realidade humana:

Em primeiro lugar, Fitafuso propõe que a ênfase no materialismo – a preocupação exclusiva com o físico e o tangível – é uma ferramenta eficaz para desviar a atenção das pessoas da espiritualidade e do divino. Ao focar apenas no que é visível e mensurável, o indivíduo pode se tornar insensível às realidades espirituais e mais suscetível à manipulação, afastando-se da influência de Deus.

Em seguida, Fitafuso utiliza situações cotidianas e familiares para distrair a atenção do paciente dos pensamentos mais profundos ou espirituais. No exemplo dado, o simples pensamento de almoçar foi suficiente para desviar a atenção do paciente de uma revelação potentially transformadora. Isso demonstra como as preocupações mundanas podem ser usadas para manter as pessoas longe de considerações mais profundas sobre a vida e a espiritualidade.

Não obstante, as pressões do dia a dia e as preocupações mundanas podem nos tornar suscetíveis à influência diabólica ao nos distrair da busca por um entendimento mais profundo da realidade e de Deus. Muitas vezes, estamos tão imersos nas exigências e confortos do mundo material que ignoramos questões espirituais mais profundas.

No contexto da carta, Fitafuso vê o argumento lógico e a ciência como potenciais ameaças, pois podem despertar a razão e levar a uma compreensão mais profunda da verdade. A ciência, se mal interpretada, pode afastar as pessoas de Deus, mas também tem o potencial de revelar a complexidade e a maravilha da criação, apontando para a existência e ação de Deus.

É importante ressaltar que a estratégia diabólica, conforme descrita por Fitafuso, foca em distrair e confundir, usando o mundano para desviar a atenção das verdades espirituais. Já a ação de Deus, embora não detalhada nesta passagem, pode ser inferida como o oposto: encorajando a reflexão, a busca da verdade e a conscientização das realidades espirituais e morais.

Em suma, as reflexões contidas nesta primeira carta demonstram como a atenção humana pode ser manipulada para se concentrar no material em detrimento do espiritual. Ela é um lembrete de que, mesmo nas menores e mais ordinárias experiências da vida, sempre existirão oportunidades para a reflexão espiritual e para a ação de Deus.


Carta 02

Na segunda carta, Fitafuso oferece insights intrigantes sobre como as falhas percebidas na Igreja e em seus membros podem ser exploradas pelos demônios para distrair e desanimar os novos crentes.

Primeiramente, Fitafuso adverte que a hipocrisia e a decepção detectadas em membros da igreja podem funcionar como armadilhas. Focar nas falhas alheias pode gerar desilusão na comunidade religiosa, levando o “paciente” de Vermebile a questionar a autenticidade da fé dos outros e, consequentemente, a sua própria.

Além disso, a hipocrisia, conforme aponta Fitafuso, é uma ferramenta poderosa para semear discórdia e desconfiança entre os cristãos. A visão de pessoas que professam seguir os ensinamentos de Cristo, mas agem de forma contrária, pode ser desanimadora, instigando dúvidas e abrindo portas para a tentação.

Nesta carta, C. S. Lewis, também se preocupa em nos lembrar de que decepções com outros cristãos podem surgir quando as expectativas sobre seu comportamento não se ajustam com a realidade. Tais momentos de desapontamento podem levar o crente ao afastamento ou até ao abandono da igreja.

No entanto, é crucial lembrar que a igreja é composta por indivíduos imperfeitos em constante processo de crescimento. Pois a fé cristã se concentra na graça e no amor de Deus que nos acolhe, apesar de nossas falhas, e não na busca pela perfeição.

Portanto, em vez de permitir que essas experiências nos levem à tentação, devemos utilizá-las para refletir sobre nossa própria fé e comportamento.

Reflita sobre se você já se sentiu desanimado ou decepcionado com as imperfeições percebidas em membros da igreja ou na instituição em si. Você já vivenciou situações em que as falhas dos outros na igreja impactaram sua própria fé ou compromisso espiritual?

Para C. S. Lewis, o maligno deseja a todo custo evitar que usemos essas experiências como oportunidades para refletir sobre nossa própria fé e comportamento.

A pergunta que surge é: como estamos lidando com a hipocrisia e a decepção? Estamos permitindo que essas experiências nos afastem da igreja ou estamos utilizando-as para nos aproximar ainda mais de Deus?

Lembrar que somos seres imperfeitos e estamos em constante processo de crescimento pode nos ajudar a evitar cair nas armadilhas da hipocrisia e da decepção. E, mais importante, pode nos auxiliar a manter nossa fé e nosso relacionamento com Deus intactos.

Neste ponto, Lewis nos convida a refletir que o maligno não deseja que o “paciente” perceba a verdadeira natureza da Igreja, descrita como “ancorada na Eternidade, terrível como um exército agitando seus estandartes.” Em outras palavras, ele deseja ocultar a real força, unidade e propósito espiritual da Igreja, que transcendem as imperfeições humanas.

Portanto, a decepção inicial na igreja pode ser uma ferramenta utilizada por Deus para amadurecer a fé do crente. Através dessa experiência, o crente pode aprender a ver além das imperfeições humanas e compreender a autêntica essência da fé cristã, que se baseia na graça e na transformação contínua através de Deus.


Carta 03

No capítulo três, Fitafuso destaca como a falsa espiritualidade pode se tornar uma armadilha quando os cristãos se concentram excessivamente em aspectos internos ou mal-entendidos da fé, negligenciando suas responsabilidades práticas e relacionais.

O exemplo dado, de rezar pela mãe focando apenas na “alma” e ignorando suas necessidades físicas ou emocionais reais, ilustra como essa abordagem cria uma distância entre a fé vivida e as ações cotidianas. Essa dicotomia pode afetar negativamente os relacionamentos e o testemunho cristão.

Fitafuso, o mentor demoníaco, instrui seu aprendiz a explorar as irritações cotidianas e as particularidades familiares para gerar conflitos e mal-entendidos.

“Como eles fazem isso?” Você deve estar se pergunta: Fitafuso responde que é focando em aspectos triviais como uma expressão facial irritante ou um tom de voz específico. Ele sugere ao seu aluno amplificar essas pequenas irritações, levando o ‘paciente’ a ressentimentos e julgamentos injustos. Pois, essa estratégia deverá afastá-lo das virtudes cristãs de perdão e compreensão, minando seus relacionamentos familiares.

É interessante que o conselho de Fitafuso pode ser usado como um espelho para refletir sobre nossas próprias interações familiares.

Como estamos lidando com pequenas irritações ou mal-entendidos? Estamos amplificando-os desnecessariamente, permitindo que prejudiquem nossos relacionamentos? É importante questionar se estamos avaliando as ações dos outros com justiça e compaixão, ou se estamos permitindo que pequenos problemas obscureçam o amor e o respeito que devemos aos membros da família.

Outro ponto importante desenvolvido nesta carta aborda a ideia de que Deus trabalha “do centro para fora”, sugerindo que uma verdadeira transformação espiritual começa internamente e se manifesta gradualmente em mudanças externas de comportamento. Assim, através do crescimento na fé, podemos observar como nossa conduta e escolhas se alinham cada vez mais com os ensinamentos e o caráter de Cristo.

A lição que esta terceira carta nos ensina é que até mesmo o comportamento e a prática religiosa podem se tornar fonte de irritação para os membros da família, especialmente se parecerem hipócritas, excessivamente críticos ou desconsiderados.

Portanto, é importante refletir se há aspectos falhos em nossa fé e conduta que podem estar causando dificuldades na família. Sobretudo, buscar maneiras de viver a fé de forma autêntica e amorosa, que edifique em vez de afastar, é fundamental para fortalecer nossos laços familiares.


Carta 04

Na “Carta 4”, vemos Fitafuso apreciando o “humor devocional” por ser uma forma superficial e emocional de oração, carente de substância e foco real em Deus. Em outras palavras, essa abordagem se concentra mais em sentir-se espiritual do que em conectar-se autenticamente com Deus, o que pode levar a uma falsa sensação de piedade sem uma verdadeira relação com Deus.

Fitafuso valoriza aqueles que focam nos sentimentos, pois isso desvia a atenção do crente de seu verdadeiro propósito da oração: a comunicação com Deus. Ao se concentrar em gerar sentimentos específicos, o crente perde de vista a busca pela vontade de Deus e o alinhamento com ela, independentemente de suas emoções.

Nesta carta, também aprendemos que as orações direcionadas a imagens mentais de Deus são atraentes para Fitafuso porque podem distorcer e limitar a compreensão do crente sobre Deus. Por exemplo, as orações baseados em um conceito ou imagem mental de Deus, criado pelo próprio crente pode levar à idolatria, substituindo a verdadeira natureza de Deus por uma construção pessoal, impedindo um relacionamento genuíno com o Deus real.

Neste sentido, os conselhos de Fitafuso ao seu aprendiz, ironicamente, podem nos ajudar a orar melhor ao nos conscientizar das armadilhas que nos rodeiam em nossa vida de oração. Podemos aprender a evitar o foco excessivo em sentimentos ou imagens mentais de Deus e buscar uma oração mais autêntica, concentrando-nos na comunicação verdadeira com Deus e na busca de Sua vontade.

As observações de Fitafuso podem ser encorajadoras ao nos lembrar da importância de uma oração genuína e focada em Deus. Ele inadvertidamente destaca que, quando nos livramos de nossas concepções e nos abrimos para a presença real de Deus, coisas poderosas podem acontecer. Isso nos encoraja a buscar uma vida de oração mais profunda e autêntica, onde estamos verdadeiramente abertos à ação e à vontade de Deus.


Carta 05

Na quinta carta, C.S. Lewis, através do personagem Fitafuso, oferece uma perspectiva intrigante sobre a guerra e a natureza do mal no contexto do sofrimento humano.

O mentor demoníaco, Fitafuso, reconhece que a guerra, embora cause sofrimento imediato e medo, pode levar as almas a se voltarem para Deus e refletirem sobre a mortalidade, o que contraria os objetivos diabólicos. Essa ambivalência demonstra que o sofrimento, por si só, não é o objetivo final do mal, mas sim a manipulação das pessoas para afastá-las de Deus.

O foco principal dos demônios, segundo Fitafuso, é “solapar a fé e evitar a formação de virtudes”. Isso se manifesta em desafios como dúvidas persistentes, desilusões com instituições religiosas e tentações que nos desviam do caminho da retidão. Situações de sofrimento e desespero são exploradas para abalar nossa fé e comprometer nosso desenvolvimento moral.

É intrigante a confissão de Fitafuso ao revelar que os demônios preferem a morte das pessoas em asilos porque ela geralmente ocorre em um contexto de desprezo, engano, auto-indulgência e afastamento de Deus. Isso contrasta com a morte em guerra, onde muitos enfrentam seu fim com coragem e fé, frequentemente refletindo sobre Deus e a vida após a morte.

Fitafuso reconhece que Deus usa a guerra para levar as pessoas a refletirem sobre a mortalidade e buscarem refúgio e propósito em algo maior que elas mesmas.

Embora chocante, há razão em suas palavras. Apesar dos horrores da guerra, muitas almas se voltam para Deus em busca de conforto e redenção, o que pode fortalecer sua fé e desenvolver virtudes como coragem, sacrifício e compaixão.

A carta também nos convida a repensar a morte, não como um fim, mas como um momento de reflexão sobre a vida, a fé e o propósito eterno. Em vez de ser um evento isolado e temido, a morte pode ser um catalisador para aprofundar nossa relação com Deus e reavaliar nossas prioridades e crenças.


Carta 06

Na Carta 6, Fitafuso prefere que as pessoas se preocupem com o futuro ao invés do presente, pois isso gera ansiedade e medo, desviando a atenção das responsabilidades e ações presentes que podem fortalecer fé e caráter. Essa preocupação constante impede que vivamos o presente e confiemos em Deus.

Os conselhos de Fitafuso demonstram que Deus nos ajuda a enfrentar dificuldades e desafios, encorajando-nos a aceitar e suportar as provações presentes com paciência e fé. Essa “resignação” divina, que Fitafuso deseja evitar, é a aceitação serena da vontade de Deus, permitindo crescimento em caráter e aproximação Dele.

As cargas e desafios que você enfrenta, sejam em relação ao trabalho, saúde, relacionamentos ou qualquer outra área da vida, podem ser aliviados pela resignação divina. Isso significa aceitá-los como parte do plano de Deus, confiando que Ele fornecerá força e sabedoria para lidar com eles.

Não obstante, Fitafuso orienta Vermebile a manipular o foco do paciente em seus sentimentos e estados internos (introspecção) quando isso for prejudicial, e em objetos externos quando for benéfico. Em questões de tentação, ele sugere desviar a atenção para objetos de desejo, enquanto em questões de virtude, aconselha o foco na autoanálise.

Os diabos se interessam por nossas ações em relação aos outros porque é através das interações humanas que virtudes e vícios se manifestam de forma mais evidente. Ao promover atitudes negativas e ações prejudiciais, eles minam a caridade e o amor, fundamentais para a vida cristã. Ao mesmo tempo, tentam desviar a benevolência para um círculo distante e impessoal, tornando-a menos efetiva e mais teórica.


Carta 07

Nesta análise da “Carta 7” de “Cartas de Um Diabo a Seu Aprendiz”, de C.S. Lewis, mergulhamos nas estratégias de Fitafuso para manipular a fé e as ações dos humanos. Em primeiro lugar, ele reconhece que tanto a revelação quanto a ocultação da existência demoníaca podem ser vantajosas para seus objetivos.

Ao se revelar, os demônios incutem medo e terror, levando a dependência e práticas supersticiosas. Ao se esconderem, promovem o ceticismo e o materialismo, tornando as pessoas mais suscetíveis à influência maligna por negarem a realidade do espiritual.

Em segundo lugar, e considerando as mudanças sociais desde a época de Lewis, a política demoníaca atual pode combinar ocultação e revelação seletiva. Os demônios podem se beneficiar do ceticismo e secularismo predominantes em muitas culturas, enquanto exploram a crescente fascinação pelo ocultismo e espiritualidade alternativa em outras.

Entretanto, Fitafuso prefere incentivar o zelo, pois quando direcionado para fins extremos e desequilibrados, pode levar à intolerância, ao fanatismo e à divisão com a finalidade de afastar as pessoas dos verdadeiros ensinamentos de Cristo e do amor genuíno.

Neste sentido, Fitafuso busca transformar o cristianismo em um meio para alcançar objetivos mundanos, e o mundo em um fim em si mesmo. Essa distorção desvia o foco da verdadeira fé e obediência a Deus. Quando a fé se torna apenas um instrumento para fins terrenos ou políticos, ela perde sua essência e poder transformador.

Portanto, essa distorção do cristianismo pode se manifestar através do envolvimento excessivo e desequilibrado em questões políticas, sociais ou culturais. A fé se torna uma ferramenta para promover agendas específicas, levando à polarização em questões como justiça social, direitos humanos, meio ambiente ou alinhamentos políticos. Em outras palavras, a ênfase na ação exterior pode superar o desenvolvimento interior das virtudes cristãs.

Em suma, as reflexões da “Carta 7” nos convidam a encontrar um equilíbrio entre o engajamento em causas sociais e políticas e um compromisso genuíno com os princípios e práticas da fé cristã. É essencial manter o foco em Deus e em Sua vontade, evitando que as preocupações mundanas dominem nossa vida espiritual.


Carta 08

Na Carta 8, Fitafuso inicia sua prosa descrevendo os seres humanos como “anfíbios” – isto é, “meio espírito e meio animais”, o que significa que habitamos simultaneamente o mundo físico e o espiritual. Essa dualidade cria desafios constantes, pois precisamos conciliar nossas necessidades e desejos físicos com nossos anseios e obrigações espirituais.

Neste sentido, a percepção da natureza anfíbia da humanidade ajuda a explicar as oscilações em nossas experiências de vida e em nossas respostas a Deus. Os altos e baixos espirituais são parte natural da vida, refletindo a tensão entre nosso lado animal (sujeito a mudanças e desejos temporais) e nosso lado espiritual (voltado para o eterno e imutável).

Entrementes, os pontos baixos na vida são vistos como oportunidades e podem ser usados por Deus para aprofundar nossa conexão com Ele. Ao nos forçar a depender mais de Sua presença e direção, esses momentos podem levar a um crescimento e amadurecimento espiritual mais profundos.

Porém, Deus não força Sua vontade sobre nós. Em vez disso, Ele nos convida e atrai para um relacionamento genuíno e amoroso. Esse “cortejo” respeita nosso livre-arbítrio e busca uma conexão baseada na escolha voluntária, e não na coerção.

Em resumo, as instruções de Fitafuso revelam que nos momentos de dificuldade, os demônios tentam nos levar ao egoísmo, desespero e à dúvida, enquanto Deus os utiliza para nos ensinar a confiar e a crescer espiritualmente. A estratégia diabólica enfraquece e absorve, enquanto a divina fortalece e capacita.


Carta 09

Na Carta 9, Fitafuso, Fitafuso reconhece que o sexo e a sensualidade podem ser ferramentas diabólicas especialmente eficazes durante períodos de escuridão e depressão. Nesses momentos, as pessoas podem buscar compensação para seus sentimentos de vazio e tristeza, tornando-se mais suscetíveis a tentações sexuais como forma de escapismo ou busca por prazer momentâneo.

Fitafuso instrui Vermebile a personalizar as tentações de acordo com o temperamento de cada indivíduo. Aqueles propensos ao desânimo e desespero são alvos de tentações que os levam a desistir da fé, enquanto aqueles inclinados ao auto-engano e à complacência são induzidos a se contentar com um estado espiritual medíocre.

O mentor diabólico aconselha Vermebile a fazer o paciente interpretar seus momentos de baixa como fases transitórias e insignificantes. É crucial reconhecer que os sentimentos são voláteis e não refletem necessariamente a verdade da fé ou a relação com Deus. Manter uma perspectiva equilibrada sobre as experiências emocionais nos ajuda a evitar ser enganados por sentimentos momentâneos e a manter a fé firmada em verdades estáveis.

Nesta carta, Fitafuso também levanta a questão da tentação de abandonar a fé, um questionamento pessoal que pode tocar em experiências individuais de dúvida ou descrença. Muitas pessoas enfrentam momentos em que são tentadas a desistir da fé, seja por meio de negação direta ou negligenciando-a no dia a dia. Desafios, decepções e períodos de aridez espiritual podem contribuir para essa tentação.


Carta 10

Na “Carta 10”, Fitafuso explora as nuances das tentações sociais e intelectuais que podem desviar os humanos da fé e da virtude. Ele reconhece que os intelectuais sofisticados e céticos podem ser uma armadilha perfeita para pessoas em busca de significado e propósito.

O estilo de vida atraente e a mentalidade desafiadora desses indivíduos podem influenciar o ‘paciente’ de Vermebile a questionar seus valores e crenças, levando-o a um estado de confusão espiritual e a um afastamento gradual da fé.

Entretanto, a resposta à pergunta sobre a ferramenta tentadora ideal varia de pessoa para pessoa, pois diferentes grupos sociais exercem influências variadas sobre diferentes indivíduos. Pode ser um grupo que você admira ou deseja se associar, seja por status, intelectualidade, estilo de vida ou convicções políticas ou sociais.

Além disso, esta carta também fala sobre como os “demônios”, em um sentido simbólico, podem desviar a atenção das pessoas de questões espirituais, rotulando avisos sobre questões mundanas, escolha de amigos e valor do tempo como “puritanismo”. Isso leva a uma maior complacência e um maior foco em coisas e relacionamentos mundanos, o que pode prejudicar o crescimento da piedade e permitir que influências negativas entrem mais facilmente na vida das pessoas.

Isso se dá porque a pressão dos pares pode levar à hipocrisia ao encorajar os indivíduos a se comportarem de maneiras que contradizem suas crenças ou valores internos. Por desejar a aprovação e a aceitação do grupo, uma pessoa pode fingir concordar com opiniões ou participar de atividades que na verdade desaprova, levando a uma vida dupla e a um afastamento da integridade pessoal.

Não obstante, lidar com a pressão dos pares que é espiritualmente prejudicial requer autoconhecimento, convicções firmes e coragem. Por isso, é imprescindível ter uma base sólida de valores e crenças e buscar apoio em comunidades que compartilhem desses valores. Práticas como a oração, a reflexão e o estudo podem fortalecer a resiliência espiritual, ajudando a resistir à pressão de conformar-se a normas que são prejudiciais ou contrárias à fé.


Carta 11

Na “Carta 11” de “Cartas de Um Diabo a Seu Aprendiz”, Fitafuso tece uma análise intrigante sobre o papel do riso e da alegria na vida humana, revelando como podem ser manipulados para fins diabólicos.

Fitafuso abomina a alegria e a música por serem expressões da felicidade e da beleza que refletem a bondade de Deus. A alegria genuína, frequentemente manifestada através da música, enraíza-se na gratidão e na apreciação das coisas de Deus, promovendo união, caridade e coragem – valores antagônicos aos objetivos diabólicos.

Neste sentido, a diversão, como subproduto do instinto de brincadeira, pode ser um aliado no crescimento espiritual. Ela promove relaxamento, alegria e conexão humana, reforçando relações e saúde mental. A diversão pode ser uma expressão de gratidão e prazer na criação de Deus, incentivando sentimentos positivos e fortalecendo a resiliência espiritual.

Entretanto, uma piada pode ser utilizada para justificar o mau comportamento ao torná-lo algo “engraçado” ou socialmente aceitável. Ao ridicularizar a virtude ou minimizar a gravidade do pecado através do humor, as pessoas podem se sentir menos culpadas ou responsáveis por seus atos.

Nesse caso, a frivolidade envolve tratar assuntos sérios de forma leviana e irreverente. Para Fitafuso, é útil porque afasta as pessoas de uma consideração séria e respeitosa da verdade, da virtude e do divino. E essa é a jogada dos “demônios” neste capítulo. A irreverência constante pode enfraquecer o intelecto e corroer a dignidade do comportamento moral e espiritual.

Ao analisarmos os conselhos de Fitafuso a seu aprendiz na carta 11, devemos ficar atentos à forma como consumimos entretenimentos como música, filmes e televisão. É crucial discernir se essas formas de entretenimento promovem valores positivos e edificantes, ou se incentivam a frivolidade, a irreverência e uma visão distorcida do mundo e da moralidade. Devemos buscar formas de lazer que enriqueçam nossa vida espiritual, em vez de diminuí-la.


Carta 12

Na “Carta 12”, Fitafuso revela estratégias sutis para desviar um cristão de sua fé, explorando as vulnerabilidades da prática religiosa.

Ele reconhece a importância da frequência à igreja, mas alerta para o risco de transformá-la em uma mera rotina sem significado. Ou seja, ao participar dos rituais sem uma verdadeira conexão espiritual ou com sentimentos de hipocrisia, o indivíduo pode se iludir com a falsa sensação de estar seguindo um caminho religioso, enquanto se distancia de uma genuína relação com Deus.

Vermebile, o aprendiz de Fitafuso, aprende que a combinação de degeneração espiritual e inclinação espiritual pode criar um estado de complacência no paciente. Isso pode ser feito através do enfraquecimento da sinceridade e da profundidade da experiência religiosa, levando o indivíduo a um ritualismo vazio ou a uma fé superficial, sem um compromisso real com os ensinamentos e práticas cristãs.

Fitafuso também instrui Vermebile a manter o ‘paciente’ longe da oração através do desperdício de tempo em atividades triviais e sem significado. Isso pode incluir excesso de trabalho, entretenimento vazio, redes sociais ou até mesmo preocupações mundanas que consomem o tempo que poderia ser dedicado à oração e reflexão espiritual.

A “Carta 12” nos convida a uma reflexão profunda sobre a nossa vitalidade espiritual. Comparar nosso estado atual com o de um ano atrás pode revelar o que tem incentivado ou prejudicado nosso crescimento na fé. Fatores como participação em uma comunidade de fé, práticas espirituais regulares, leitura de textos sagrados, desafios pessoais e influências externas podem ter impactos significativos nesse processo.


Carta 13

Na “Carta 13” de “Cartas de Um Diabo a Seu Aprendiz”, C.S. Lewis, através do personagem Fitafuso, explora a importância dos prazeres e da individualidade na vida espiritual, revelando as nuances entre o que é divino e o que é diabólico.

Está incutido na carta que o prazer pode ser uma bênção divina quando nos leva a apreciar as dádivas de Deus, aprofundando nossa gratidão e alegria pela vida. Ele nos conecta à beleza e à bondade do mundo, fortalecendo nossa saúde mental e espiritual. Por outro lado, o prazer se torna uma armadilha diabólica quando nos afasta de Deus, seja através da indulgência excessiva, da busca por prazeres ilícitos ou do uso de prazeres legítimos de forma desordenada.

Agora, o desprendimento de si mesmo que Deus busca é um abandono da vontade própria em favor da vontade Dele, levando-nos a um crescimento em amor e humildade. Já o desprendimento da realidade que os demônios desejam é um afastamento da verdadeira natureza e gostos individuais, conduzindo a uma vida de conformidade superficial e vazia.

Útil se torna dizer que Fitafuso deseja erradicar pequenos prazeres porque eles representam uma forma de inocência e autenticidade que fortalece a individualidade e a resistência às tentações mais insidiosas. Pequenos prazeres genuínos podem servir como um lembrete da bondade de Deus e um antídoto contra a falsidade e a superficialidade.

Neste sentido, Fitafuso oferece uma perspectiva de que Deus deseja que os humanos se tornem mais autênticos e verdadeiros, enquanto os demônios buscam o afastamento dos prazeres e gostos individuais. Deus opera promovendo a verdadeira liberdade e individualidade, enquanto os demônios buscam criar uma conformidade que é contrária à natureza individual de cada pessoa.

Prazeres e passatempos que são espiritualmente nutritivos geralmente são aqueles que promovem a paz interior, a gratidão, a conexão com os outros e a apreciação da criação de Deus. Isso pode incluir atividades como ler, meditar, passar tempo na natureza, ouvir música que eleva a alma, praticar hobbies criativos, ou qualquer atividade que traga alegria genuína e permita um tempo de reflexão e apreciação.


Carta 14

Na “Carta 14” de “Cartas de Um Diabo a Seu Aprendiz”, C.S. Lewis, através do personagem Fitafuso, explora as complexas armadilhas que os demônios usam para distorcer a humildade e outras virtudes, desviando os humanos do caminho da fé e do crescimento espiritual.

Quando um indivíduo está consciente de suas virtudes, há o risco de que essa consciência se transforme em orgulho, e essa é uma armadilha que os demônios exploram habilmente. Alguém pode se tornar orgulhoso de sua humildade, criando um paradoxo que destrói a essência da virtude.

Os demônios distorcem a humildade induzindo a pessoa a se concentrar excessivamente em sua própria humildade, levando-a ao orgulho por sua suposta humildade. Isso cria um ciclo vicioso onde a pessoa se torna orgulhosa de tentar ser humilde, o que é uma forma sutil de orgulho e não verdadeira humildade.

Mas a verdadeira humildade reside no esquecimento de si mesmo, não em uma baixa opinião sobre seus próprios talentos e caráter. Envolve reconhecer e agradecer pelos dons recebidos sem se concentrar excessivamente em si mesmo, seja positiva ou negativamente.

Neste sentido, Deus deseja que a humildade e todas as virtudes levem o indivíduo a um estado de harmonia com Sua vontade. Nesse estado, a pessoa reconhece e aprecia suas habilidades e talentos como dádivas de Deus, sem cair no orgulho ou na auto-depreciação. Deus deseja que as pessoas se tornem mais elas mesmas, mais autênticas e livres, unidas a Ele e ainda distintas como indivíduos.

Lewis também aponta maneiras para lidarmos com nossos talentos e virtudes. Para ele, esta é uma questão pessoal que requer autoavaliação. É útil refletir sobre suas habilidades e talentos, reconhecendo-os como dons e buscando utilizá-los de forma altruísta e humilde, sem cair no orgulho ou na falsa modéstia. A chave é usar esses talentos para honrar a Deus e beneficiar os outros, mantendo um espírito de gratidão e reconhecendo que todos os dons vêm de Deus.


Carta 15

Na “Carta 15”, C.S. Lewis, através do personagem Fitafuso, explora a importância do tempo e da eternidade na vida humana e como os demônios tentam desviar os humanos da verdadeira compreensão dessas perspectivas.

Para o autor, a visão dupla, que foca tanto no tempo quanto na eternidade, oferece aos humanos uma perspectiva holística da vida. Permite-lhes viver o presente com responsabilidade, sem perder de vista o significado eterno de suas ações. Essa visão equilibrada evita o vício de viver apenas para o momento presente ou de se tornar obcecado com o futuro, possibilitando uma vida mais completa e significativa.

Por esse motivo, Fitafuso deseja que os humanos se preocupem excessivamente com o futuro para que ignorem o presente e a eternidade. Essa obsessão pode levar a uma vida de ansiedade, medo e planejamento constante, impedindo as pessoas de experimentar a alegria e a paz no presente e de refletir sobre as implicações eternas de suas ações.

Fitafuso também afirma que a maioria dos vícios humanos, como medo, avareza, luxúria e ambição, são alimentados por uma fixação no futuro. Essa perspectiva é problemática porque o futuro é incerto e incontrolável, levando as pessoas a agir de maneira imprudente ou egoísta no presente em nome de objetivos futuros incertos.

Entretanto, as preocupações com o futuro variam de pessoa para pessoa, mas podem incluir medo do desconhecido, ansiedade sobre segurança financeira, preocupações com a saúde ou com o bem-estar da família, ou ansiedade sobre realizações pessoais e sucesso.

Neste sentido, para discernir quais preocupações com o futuro atrapalham o crescimento espiritual, é importante refletir se elas estão levando à ansiedade excessiva, à negligência do presente, ou a decisões egoístas. Práticas espirituais como oração, meditação e conversa com mentores ou conselheiros espirituais podem ajudar a identificar e lidar com essas preocupações de maneira saudável.

Em suma, a chave para uma vida plena e significativa reside em encontrar um equilíbrio entre a prudência e o planejamento para o futuro, a vivência plena e responsável do presente, e a constante lembrança dos valores e objetivos eternos. Ao discernir as armadilhas do tempo e da eternidade, podemos fortalecer nossa fé e cultivar uma perspectiva autêntica da vida.


Carta 16

Na “Carta 16”, Fitafuso revela as estratégias diabólicas para corromper a verdadeira essência da igreja e desviar os cristãos do caminho da fé autêntica.

O mentor demoníaco deseja que o paciente de Vermebile se torne um “connoisseur” de igrejas, isto é, um crítico superficial que se concentra em aspectos irrelevantes, como liturgias e diferenças doutrinárias. Essa postura o afasta da verdadeira essência do Cristianismo, que é a humildade, o aprendizado e o crescimento espiritual.

Entrementes, Fitafuso aprecia igrejas que oferecem um Cristianismo diluído, pois isso desvia a atenção dos verdadeiros ensinamentos e virtudes da fé. Ao adaptar a mensagem para torná-la mais “palatável”, essas igrejas minimizam a profundidade e o desafio do Cristianismo, tornando-o inofensivo para os demônios.

Fitafuso gosta de ministros apaixonados por sua habilidade em provocar divisão e hostilidade. Ele usa a paixão e o fervor para criar conflitos e controvérsias, afastando os membros da igreja da verdadeira natureza do Cristianismo, que é o amor, a compreensão e a unidade.

Fitafuso comenta que prefere igrejas partidárias porque elas fomentam divisão e desunião entre os cristãos. Isso serve para desviar a atenção das pessoas da sua relação pessoal com Deus e do verdadeiro propósito da igreja, que é a comunhão e a orientação espiritual. Ao criar facções dentro da igreja, Fitafuso promove o orgulho, a competição e o julgamento, enfraquecendo a comunidade cristã.

Em relação à sua igreja, Fitafuso provavelmente apreciaria aspectos que promovem divisão, crítica ou superficialidade. Qualquer tendência a formar grupos exclusivos, enfatizar rituais sobre a substância, ou incentivar um espírito de julgamento em vez de amor e compreensão seria algo que ele apreciaria.

Em suma, é crucial que as igrejas se concentrem em promover a unidade, o amor e o crescimento espiritual genuíno no Senhor para evitar cair nessas armadilhas.


Carta 17

Na “Carta 17”, Fitafuso explora as nuances da gula, um pecado muitas vezes subestimado, mas com grande potencial para desviar os humanos do caminho de Deus.

Fitafuso distingue dois tipos de gula: a gula do Excesso e a gula da Delicadeza. A primeira se manifesta através do consumo excessivo de alimentos, muitas vezes mais do que o necessário ou saudável. Já a gula da Delicadeza é mais sutil e se caracteriza pela exigência e peculiaridade em relação à comida, com foco na qualidade, na preparação específica ou no prazer refinado, independentemente da quantidade.

Cada pessoa pode ter uma inclinação maior para um tipo de gula. É importante refletir sobre suas próprias tendências para entender como a gula pode se manifestar em sua vida. Se você se identifica com a busca por grandes quantidades de comida ou com a obsessão por qualidade e exclusividade, esteja atento aos perigos da gula.

A mãe do paciente, com sua gula da Delicadeza, torna-se extremamente exigente e focada em satisfazer suas preferências específicas. Essa obsessão gera irritação, impaciência e descontentamento constantes, impactando negativamente seus relacionamentos e criando um ambiente doméstico tenso.

Por outro lado, Fitafuso também sugere que os homens podem ser inclinados a uma forma de gula que se manifesta através da vaidade e do conhecimento especializado sobre comida. Eles podem se tornar “conhecedores” ou especialistas em alimentos e bebidas, o que pode levar ao consumo excessivo sob o disfarce de apreciação refinada.

Neste sentido, é importante refletir sobre o papel da comida em sua vida. Se a preocupação com a comida interfere em suas relações interpessoais, na caridade, na paciência e na gratidão, pode ser um sinal de que a gula está assumindo um papel excessivamente importante.

Em suma, a comida deve ser apreciada e vista como necessária para a saúde e o prazer, mas não deve se tornar um ídolo ou uma obsessão.


Carta 18

Na “Carta 18”, o mentor e seu aprendiz diabólico, buscam distorcer o sexo afastando-o dos padrões de Deus, que são a abstinência completa ou a monogamia ilimitada.

Eles fazem isso promovendo a ideia de que “estar apaixonado” é a única justificativa válida para o casamento e que este estado deve ser mantido permanentemente para justificar a união. Assim, desviam o foco do propósito maior do sexo e do casamento, que é a união, a fidelidade e a procriação, e concentram-se na gratificação emocional e física efêmera.

Vale dizer que Fitafuso se ofende e se irrita com o amor de Deus porque contraria a filosofia do Inferno, baseada na competição e no egoísmo. O amor de Deus busca unidade e cooperação, algo que vai contra a natureza competitiva e absorvente dos demônios. Para Fitafuso, a ideia de que o bem de um ser é o bem de outro é inaceitável e contrária ao princípio de que a existência significa estar em competição.

Nisso, os demônios distorcem o amor fazendo os humanos acreditar que a experiência temporária de “estar apaixonado” é a base do casamento e deve ser permanente. Eles também buscam promover o casamento com parceiros inadequados sob a falsa premissa de amor, levando a uniões mal-sucedidas e infelizes. Isso destrói a verdadeira intenção de Deus para o amor e o casamento, que é uma união baseada em compromisso, fidelidade e a busca do bem mútuo.

Agora, vale dizer que através das instruções de Fitafuso, aprendemos que a verdadeira intenção de Deus para o sexo e o amor envolve muito mais do que a mera atração física ou emocional. Deus busca a união duradoura, o compromisso, a fidelidade e a procriação responsável. O amor, no contexto divino, não é apenas um sentimento, mas uma ação que busca o bem do outro e fortalece a unidade.

As ideias de Fitafuso podem nos levar a repensar como vemos e experimentamos o amor e o sexo. Podemos começar a questionar se é sustentável fundamentar relacionamentos apenas na sensação de “estar apaixonado” e começar a valorizar mais profundamente compromisso, lealdade e responsabilidade em nossos relacionamentos amorosos e sexuais. Isso pode mudar a forma como enxergamos casamento e relacionamentos, focando menos na satisfação imediata e mais no amor e respeito duradouros.


Carta 19

A “Carta 19” aborda a natureza do amor e suas diversas interpretações. Logo de início, somos confrontados com um conflito fundamental: a visão diametralmente oposta que Deus e Satanás possuem sobre esse sentimento.

Para Deus, o amor transcende a mera emoção, assumindo a forma de um ato altruísta e unificador. É a base da relação entre Ele e a humanidade, e entre os próprios seres humanos. O amor de Deus é a força motriz da existência e da eternidade, promovendo a união, o sacrifício e a bondade.

Em contraste, Satanás, representado por Fitafuso, não compreende nem aceita a noção de amor altruísta. Sua visão distorcida o leva a considerar tal sentimento como uma impossibilidade lógica. Para ele, a vida se resume à competição e ao auto-interesse, tornando o conceito de amor verdadeiro e desinteressado incompreensível e até mesmo ameaçador.

Essa distorção demoníaca do amor se manifesta na forma de manipulação, afastando as pessoas de Deus. Os demônios pervertem esse sentimento sublime, transformando-o em uma ferramenta para alimentar o egoísmo, o desejo desenfreado, o ciúme e outras emoções negativas.

Ao invés de reconhecer o amor como uma força unificadora e altruísta, os demônios o utilizam como meio de separação e conflito. Fitafuso, por exemplo, discorre sobre a manipulação do amor romântico para fins egoístas, como adultérios “justos” e paixões arrebatadoras que podem culminar em tragédias como assassinatos e suicídios.

As experiências individuais com o amor podem ser extremamente diversas. Em sua forma mais pura e altruísta, o amor nos aproxima de Deus, promovendo compaixão, bondade e o ato de sacrificar-se pelo bem do outro. Ele fortalece as relações, incentiva o cuidado com o próximo e proporciona a sensação de pertencimento a algo maior que nós mesmos.

No entanto, quando distorcido, o amor pode ter um efeito nefasto, distanciando-nos de Deus e conduzindo ao egoísmo, à possessividade, ao ciúme e ao desejo desenfreado. O amor pode se tornar um ídolo, um fim em si mesmo, ou até mesmo uma justificativa para ações prejudiciais. Discernir entre essas duas faces do amor é crucial para o crescimento espiritual e o bem-estar pessoal.


Carta 20

A “Carta 20” nos convida a ponderar sobre um paradoxo: a permissão de Deus para as tentações. Apesar de parecer contraditório à primeira vista, essa permissão pode ser vista como uma oportunidade para o nosso crescimento espiritual e o fortalecimento da fé.

Ao enfrentarmos tentações, somos desafiados a escolher entre o bem e o mal. Essa escolha consciente nos leva a um entendimento mais profundo de nós mesmos e de nossa relação com Deus. Superar tentações também contribui para o desenvolvimento de virtudes como paciência, perseverança e humildade, tornando-nos indivíduos mais resilientes e completos.

Lewis, através do personagem Fitafuso, destaca que ao longo da história, os demônios adaptaram suas estratégias para distorcer o desejo sexual de acordo com as mudanças sociais e culturais. Em cada época, eles exploram as vulnerabilidades e aspirações humanas para desviar os indivíduos do caminho da retidão.

Em algumas épocas, valorizava-se uma beleza refinada e escultural, encorajando a procriação com mulheres orgulhosas e extravagantes. Em outros momentos, um ideal feminino extremamente delicado e frágil era imposto, prejudicando a autoestima feminina. Hoje, podemos estar vendo a valorização de uma beleza andrógina, que se afasta do que é tipicamente masculino ou feminino, desafiando assim a ideia tradicional de atração e beleza.

No mundo contemporâneo, os demônios podem estar utilizando a proliferação de imagens irreais de beleza na mídia, padrões inatingíveis de aparência física e a sexualização excessiva da sociedade para distorcer o desejo sexual.

Eles podem estar promovendo relações superficiais baseadas apenas em atração física ou status social, desvalorizando a conexão emocional e espiritual, fundamental para a construção de relacionamentos saudáveis e duradouros.

Ainda nesta Carta 20, Lewis apresenta a metáfora da Vênus terrestre e infernal para ilustrar as diferentes faces do desejo sexual feminino. A Vênus terrestre representa uma atração que se alinha com os valores positivos, promovendo afeição, respeito e uma relação saudável.

Em contraste, a Vênus infernal é uma tentação que distorce o desejo sexual, levando a obsessões, relações destrutivas e comportamentos prejudiciais. A Vênus infernal é usada para desviar os homens do caminho de um relacionamento saudável e produtivo, levando-os a um ciclo de luxúria e insatisfação.

Analogamente, a metáfora de Marte terrestre e infernal é usada para ilustrar as diferentes faces do desejo sexual masculino. Uma Marte terrestre poderia representar um ideal masculino que encoraja virtudes como força, gentileza, responsabilidade e lealdade.

Por outro lado, a Marte infernal poderia ser uma imagem distorcida de masculinidade que promove agressividade, egoísmo, manipulação ou domínio. Tal como a Vênus infernal para os homens, a Marte infernal poderia tentar as mulheres a se envolverem em relacionamentos tóxicos ou a buscar parceiros baseados em critérios superficiais ou prejudiciais.


Carta 21

A 21ª carta de um diabo a seu aprendiz, nos leva a refletir sobre a irritabilidade que surge quando nossos planos são interrompidos. Fitafuso, o arqui-inimigo do homem, explora a falha noção de posse pessoal sobre o tempo, incitando a irritação como resposta a qualquer interferência externa.

Essa irritabilidade nasce da crença equivocada de que o tempo nos pertence, e que qualquer interrupção é um roubo dessa propriedade pessoal. Tal atitude alimenta o egoísmo e a falta de caridade, contrariando a perspectiva cristã de que o tempo é um presente de Deus, a ser utilizado de acordo com Sua vontade, e não apenas para nosso benefício individual.

Outrossim, a maneira como respondemos quando eventos e pessoas interferem em nossos planos revela nossa compreensão da posse e do controle sobre o tempo. A irritação pode indicar um senso excessivo de propriedade e controle, enquanto a aceitação e a flexibilidade demonstram a percepção de que o tempo é um dom divino, a ser usado para servir a Deus e aos outros.

Na perspectiva cristã, o problema com a ideia de posse pessoal é pensar que somos os únicos donos do nosso tempo e coisas, esquecendo que tudo é um presente de Deus. Essa mentalidade pode nos tornar egoístas, menos generosos e indiferentes às necessidades dos outros. Em contrapartida, o cristianismo nos ensina que devemos ser responsáveis e generosos com as bênçãos que recebemos, compartilhando-as com os demais e usando-as conforme o propósito de Deus.

Dessa forma, uma atitude em relação ao tempo e às posses que seja mais agradável a Deus do que aos demônios envolve ver o tempo como um dom para ser compartilhado generosamente com os outros, não como uma propriedade privada. Isso significa acolher interrupções e oportunidades para ajudar o próximo como parte do plano divino, em vez de vê-las como inconvenientes.

Tal atitude promoveria a paciência, a caridade, a humildade e a gratidão, reconhecendo que tudo o que temos e somos provém de Deus e deve ser usado para o Seu propósito e glória.


Carta 22

A Carta 22 nos convida a mergulhar na mente de Fitafuso e observamos o desdém que ele nutre pelo novo amor do paciente de Vermebile, criticando-a por sua fé profunda, recato e aparente santidade.

Para Fitafuso, essas características são repulsivas e representam tudo o que se opõe aos seus objetivos demoníacos. Sua visão distorcida do amor o leva a considerá-lo uma fraqueza, enquanto a fé e a pureza são vistas como obstáculos à sua agenda de sofrimento e miséria.

Em um ataque à divindade, Fitafuso rotula Deus como hedonista, acusando-o de ser obcecado pelo prazer. Essa visão distorcida se baseia na crença de que a criação de um mundo cheio de alegrias e delícias demonstra a busca divina pelo prazer pessoal.

Para Fitafuso, que valoriza a dor e a miséria como ferramentas de controle, a disposição de Deus em oferecer prazer aos humanos é incompreensível e repugnante. Essa inversão de valores revela a natureza corrompida do diabo e sua incapacidade de compreender o amor altruísta e a benevolência divina.

A família da jovem é descrita como profundamente cristã, irradiando um amor e uma caridade genuínos. Fitafuso detesta essa atmosfera, pois reconhece seu potencial de influenciar positivamente todos que a cercam, inclusive o paciente de Vermebile.

A santidade “infecciosa” da família representa uma ameaça à agenda de Fitafuso, pois pode despertar no paciente o desejo de abandonar o pecado e buscar uma vida virtuosa. Essa ameaça o leva a atacar a família com fúria e ressentimento.

Em seu discurso irado, Fitafuso ataca tanto a música quanto o silêncio, por serem expressões de beleza, ordem e paz – elementos que ele despreza. Na experiência humana, música e silêncio podem ser fontes de prazer, reflexão e graça.

A música tem o poder de elevar o espírito e inspirar, enquanto o silêncio oferece um espaço para meditação, oração e encontro com o divino. Ambos são meios pelos quais muitas pessoas experimentam a beleza e a presença de Deus em suas vidas.


Carta 23

Na Carta 23, C. S. Lewis nos convida a examinar a busca pelo “Jesus histórico”, uma estratégia demoníaca para desviar a atenção dos fiéis do verdadeiro Cristo. Fitafuso, o arqui-inimigo da alma, aprecia essa busca porque ela direciona o foco para uma figura inventada, constantemente reinventada de acordo com as modas e ideologias de cada geração.

Essa busca, muitas vezes baseada em suposições especulativas e não em fatos históricos concretos, distrai as pessoas do Jesus Cristo real, conforme descrito nos Evangelhos. Ao invés de reconhecê-lo como o Filho de Deus e Salvador da humanidade, a busca pelo “Jesus histórico” o reduz a um mero personagem histórico, sujeito a interpretações subjetivas e intermináveis debates.

O “ensino moderno” sobre Jesus em nossa geração frequentemente o reinterpreta como um líder moral ou uma figura política, ignorando sua divindade e natureza redentora. Essa abordagem distorce a mensagem central do cristianismo, reduzindo Jesus a um personagem histórico distante e inacessível, menos digno de adoração e reverência.

Ao invés de enfatizar a fé e a experiência pessoal com Deus, o “ensino moderno” se concentra em análises teóricas e intelectualizadas da figura de Jesus, distanciando os fiéis da vivência autêntica da fé.

Os diabos se empenham em destruir a vida devocional dos cristãos, substituindo a adoração e a reverência ao verdadeiro Deus por uma figura distorcida de Jesus. Essa estratégia visa reduzir a fé a um mero conhecimento histórico, deslocando o foco da experiência pessoal com Deus para uma análise intelectualizada da religião.

Ao transformar Jesus em um personagem histórico distante, os demônios pretendem minar a fé, a esperança e a devoção dos fiéis, privando-os da verdadeira fonte de alegria e transformação espiritual.

A mensagem cristã popular em nossos dias tende a se concentrar menos na Ressurreição e Redenção, pilares da fé, e mais em ensinamentos sociais e éticos de Jesus. Essa ênfase, embora importante, pode obscurecer aspectos centrais da fé como a salvação e a transformação espiritual.

Ao priorizar questões sociais e políticas em detrimento da mensagem central do evangelho, corre-se o risco de reduzir o cristianismo a uma mera filosofia moral, ignorando sua dimensão transcendente e espiritual.

Por isso, Fitafuso se regozija com a utilização do cristianismo como ferramenta para agendas políticas, pois essa perversão da fé a transforma em um instrumento para fins mundanos, desviando sua finalidade espiritual.

Ao subverter a fé para objetivos políticos, corre-se o risco de instrumentalizar a religião para justificar ações contrárias aos seus ensinamentos fundamentais, além de promover a divisão e a polarização na sociedade.

A mistura de fé e política se torna diabólica quando ideologias políticas se sobrepõem ou distorcem princípios fundamentais da fé. Essa perigosa combinação pode levar à utilização da religião para justificar ações contrárias à ética e à moral cristã, ou à elevação da política a um status superior ao da adoração a Deus.

É fundamental manter a distinção entre fé e política, reconhecendo a primazia da fé e do evangelho na vida dos cristãos, sem permitir que a religião seja manipulada para fins políticos ou ideológicos.

Em resumo, ao analisarmos a Carta 23, somos confrontados com os perigos das distorções da fé cristã na era moderna. É essencial estarmos atentos às estratégias demoníacas para desviar os fiéis do verdadeiro caminho, e discernir entre a fé autêntica e as diversas formas de manipulação e perversão da mensagem cristã.


Carta 24

Na Carta 24, C. S. Lewis nos convida a examinar as influências que impactam nosso crescimento espiritual. O arqui-inimigo da alma, Vermebile, pode utilizar o princípio do contágio espiritual para torcer a fé do paciente. Ele o faz incentivando-o a adotar uma versão superficial ou distorcida da fé cristã que observa em sua namorada e em seu círculo de amigos.

Essa estratégia diabólica pode se manifestar de diversas maneiras. Vermebile pode levar o paciente a imitar aspectos externos da fé sem um verdadeiro entendimento ou compromisso, criando uma religiosidade vazia de significado. Ou ainda, pode incitar uma atitude de superioridade espiritual baseada na pertença a um grupo específico, alimentando o orgulho e a divisão entre os cristãos.

Vermebile também pode utilizar o orgulho e a confusão para desviar o paciente do caminho da fé autêntica. Ele o faz alimentando a crença de que o paciente é especial ou superior por se associar a um grupo cristão “inteligente” e “esclarecido”. Essa falsa sensação de superioridade pode mascarar a falta de conhecimento e compromisso com os ensinamentos de Cristo.

A confusão é outro instrumento utilizado por Vermebile. Ele mistura sentimentos de vaidade social com orgulho espiritual, fazendo o paciente se sentir orgulhoso de sua nova associação, mas sem clareza sobre o verdadeiro significado do compromisso cristão. Essa confusão o impede de discernir entre a fé autêntica e a religiosidade superficial.

A pressão dos colegas pode ter um impacto tanto positivo quanto negativo no crescimento espiritual. No lado positivo, pode incentivar comportamentos e atitudes saudáveis que se alinham com os ensinamentos cristãos, como a frequência a cultos, a participação em grupos de estudo e a prática da caridade.

No entanto, a pressão dos colegas também pode levar a consequências negativas. Pode levar o paciente a uma conformidade superficial com as normas do grupo, mesmo que estas não estejam alinhadas com suas convicções pessoais. Isso pode gerar hipocrisia e frustração, distanciando-o da verdadeira fé.

A influência de outros pode ser extremamente positiva para o crescimento espiritual quando inspira, encoraja e apoia o desenvolvimento da fé. Exemplos positivos de pessoas que vivem a fé de maneira autêntica podem servir como modelo e inspiração.

Mentoria, comunhão e apoio mútuo também são elementos importantes para um crescimento espiritual saudável. Através da interação com outros cristãos, o paciente pode aprender, compartilhar experiências e fortalecer sua fé.

A influência de outros também pode ser negativa para o crescimento espiritual. Isso pode acontecer quando leva à conformidade superficial, à hipocrisia, ao orgulho espiritual, ou quando distorce ou desvia o paciente dos ensinamentos centrais do Cristianismo.

Lideranças e influências que promovem interpretações errôneas da Bíblia ou que incentivam uma vida cristã inautêntica podem ser extremamente prejudiciais. É fundamental discernir e se afastar de tais influências para preservar a fé e seguir um caminho de crescimento autêntico.

Em suma, ao analisarmos a Carta 24, reconhecemos a importância de discernir as influências que impactam nosso crescimento espiritual. Devemos buscar o apoio de pessoas que nos inspirem a viver a fé de maneira autêntica, e nos afastar de qualquer influência que nos desvie do caminho da verdade.


Carta 25

Na Carta 25, C. S. Lewis nos convida a examinar o impacto da moda e da busca incessante por novidades no Cristianismo contemporâneo. Essa obsessão com o que é “novo” e “aceitável” pode levar a uma diluição da fé, afastando-a de seus ensinamentos centrais.

O Cristianismo pode ser distorcido quando adaptado aos valores culturais do momento, incorporando tendências políticas ou sociais, ou mesclando ensinamentos bíblicos com filosofias modernas ou práticas espirituais populares. Essa mistura perigosa gera uma versão superficial da fé, mais preocupada em se alinhar com as ideias “modernas” do que em seguir os princípios eternos do Evangelho.

A busca incessante por novidade e moda nos distancia daquilo que é eterno e verdadeiro. Essa obsessão nos faz viver em um ciclo constante de busca por algo “novo” e “melhor”, mesmo em questões de fé.

Isso resulta em uma fé superficial, que muda com as tendências culturais como se fossem modas passageiras. Ao invés de se enraizar nas verdades atemporais da Bíblia, essa fé se torna dependente de ideias e práticas momentâneas, perdendo sua essência e fundamento.

Essa busca desenfreada por novidade e moda se manifesta em diversas áreas da nossa vida, desde o consumo excessivo de produtos tecnológicos e roupas, até a constante atualização de carros e casas. Essa obsessão nos leva a valorizar o status e as tendências do momento em detrimento da real necessidade ou da sustentabilidade.

Avaliar ideias apenas pela sua relevância cultural, ignorando a prudência e a verdade, pode ser extremamente perigoso. Essa mentalidade nos leva a valorizar as tendências passageiras em detrimento da sabedoria atemporal.

Isso resulta em uma falta de discernimento crítico, tornando-nos suscetíveis a ideias populares, mas nem sempre corretas ou benéficas. Corremos o risco de adotar crenças e práticas que se encaixam no zeitgeist cultural, mas que se distanciam da verdade e dos princípios autênticos do Cristianismo.

Ao lidar com alguém que descarta o Cristianismo como “antiquado”, é crucial destacar que a verdade e a sabedoria são atemporais. O Cristianismo oferece uma base sólida e imutável, fundamentada em princípios e ensinamentos que resistiram ao teste do tempo.

Embora métodos e abordagens possam se adaptar às diferentes eras e culturas, os valores centrais e as verdades do Cristianismo permanecem relevantes em todas as circunstâncias. A fé cristã não se limita a modismos passageiros, mas oferece um caminho sólido e confiável para uma vida autêntica e significativa.


Carta 26

Na Carta 26, C. S. Lewis nos convida a examinar a complexa e muitas vezes ambígua natureza do amor. Fitafuso reconhece essa ambiguidade e a utiliza como ferramenta para distorcer a compreensão do amor e seus efeitos nos relacionamentos.

Na cultura moderna, a palavra “amor” é frequentemente utilizada para descrever uma gama de sentimentos, desde a afeição platônica até a paixão romântica. Essa ambiguidade pode gerar mal-entendidos e frustrações, especialmente em relações interpessoais, onde as expectativas e intenções em relação ao “amor” podem variar significativamente entre os indivíduos.

Por essa razão, Fitafuso celebra a substituição do “altruísmo” pela caridade, pois o altruísmo, em seu sentido negativo, pode ser uma renúncia egoísta e focada em si mesmo, disfarçada como amor genuíno ao próximo. A caridade, por outro lado, no sentido cristão, representa um amor desinteressado e autêntico pelo outro.

O altruísmo deturpado, muitas vezes, esconde o orgulho e a busca por reconhecimento. Ao contrário da caridade, que se manifesta em ações concretas e duradouras de cuidado e compaixão, o altruísmo distorcido pode se limitar a gestos vazios e superficiais.

Além disso, é afirmado nesta carta que confundir excitação sexual com caridade pode gerar expectativas irreais em um relacionamento. A excitação sexual, embora intensa, é uma emoção passageira que não constitui uma base sólida para um relacionamento duradouro.

A verdadeira caridade, em contraste, implica um compromisso constante com o bem-estar do outro, transcendendo os sentimentos momentâneos. Ela se manifesta através de ações de amor, respeito e cuidado, mesmo em momentos de dificuldade ou desinteresse.

Vale ressaltar que Fitafuso utiliza a torção diabólica do altruísmo para corromper os relacionamentos. Ele incita uma dinâmica competitiva, onde cada pessoa tenta superar a outra em “auto-sacrifícios”. Essa atitude, muitas vezes motivada por orgulho ou desejo de reconhecimento, gera ressentimentos, mal-entendidos e bloqueia a comunicação autêntica sobre as necessidades e desejos de cada um.

Para discernir esse conceito em nossos próprios pensamentos e comportamentos, é essencial refletir sobre nossas motivações ao realizarmos sacrifícios ou ao agirmos de forma “altruísta”. Buscamos reconhecimento ou validação? Estamos verdadeiramente focados no bem-estar do outro, ou agimos por um senso distorcido de dever ou orgulho?

A autoanálise honesta e a busca por um entendimento mais profundo do amor genuíno são ferramentas essenciais para evitar as armadilhas do altruísmo diabólico e cultivar relacionamentos saudáveis e autênticos.

Em resumo, na Carta 26, somos confrontados com a complexa natureza do amor e os perigos do altruísmo distorcido. Por isso, torna-se fundamental discernir entre o amor genuíno e suas imitações, cultivando a caridade como base para relacionamentos saudáveis e duradouros.


Carta 27

Na Carta 27, C. S. Lewis nos convida a explorar o mundo da oração, oferecendo conselhos práticos para lidar com as distrações que podem surgir durante esse momento íntimo com Deus. Fitafuso, o arqui-inimigo da alma, reconhece o poder da oração e busca obstruí-la por meio de distrações e dúvidas.

Ao invés de ignorar ou reprimir as distrações pela força de vontade, a estratégia proposta por Lewis é transformá-las em parte da própria oração. Ao apresentar as distrações a Deus, o ato de orar se torna um diálogo honesto e autêntico, onde até mesmo os pensamentos intrusivos são integrados à comunicação com o divino.

Para fortalecer a prática da oração, algumas dicas são fornecidas:

  • Comece reconhecendo as distrações: Ao iniciar a oração, reserve um momento para reconhecer as distrações que estão presentes em sua mente. Nomeie-as e peça a Deus que o ajude a focar ou transformar essas distrações em temas de oração.

  • Experimente a oração contemplativa: Essa prática consiste em observar calmamente as distrações que surgem durante a oração, sem julgamento ou resistência. Permita que esses pensamentos se manifestem e, em seguida, retorne suavemente o foco para Deus.

Vale lembrar que, nesta carta, Fitafuso busca semear dúvidas e confusões na mente do paciente, questionando a eficácia da oração de súplica. Ele argumenta que, se algo não acontece após a oração, é prova de que ela não funciona, e se acontece, poderia ter acontecido de qualquer maneira.

Outras dúvidas que podem surgir durante a oração incluem:

  • Minhas orações são ouvidas?
  • Fazer diferença orar?
  • Qual é a vontade de Deus para minhas súplicas?
  • Estou orando da maneira correta?
  • Como conciliar predestinação e livre-arbítrio na oração?

Por isso, é importante lembrar que a oração é tanto sobre súplica quanto sobre comunhão com Deus. Expressar honestamente suas dúvidas e preocupações a Deus pode ser uma parte importante da sua jornada espiritual.


Carta 28

Na Carta 28, C. S. Lewis nos convida a explorar as diferentes perspectivas sobre a longevidade, revelando as estratégias diabólicas e as oportunidades divinas que se escondem por trás de uma vida longa. Fitafuso reconhece o tempo como um aliado dos demônios e prefere que o ‘paciente’ de Vermebile viva até a meia-idade e além.

Ele vê a longevidade como uma oportunidade para incutir gradualmente um materialismo sólido no paciente, distanciando-o do Céu. Fitafuso acredita que, com o tempo, o paciente se tornará mais ligado ao mundo e menos suscetível às “fantasias” da juventude que o aproximam do “Inimigo” (Deus).

Em certo sentido, o envelhecimento pode trazer consigo mudanças significativas em nossas paixões e desenvolvimento espiritual. Podemos nos tornar mais céticos, materialistas ou acomodados com o status quo, distanciando-nos da busca espiritual da juventude. Por outro lado, algumas pessoas se aprofundam em sua fé e espiritualidade à medida que envelhecem, encontrando maior significado e propósito na vida.

Por isso, os demônios, segundo Fitafuso, desejam que acreditemos que este mundo pode se tornar um paraíso, aprisionando-nos mais firmemente ao material e ao imediato. Essa crença desvia a atenção das pessoas do verdadeiro Céu e de sua necessidade de salvação e transformação espiritual.

Agora, do ponto de vista divino, uma vida longa é uma oportunidade para crescimento espiritual, serviço aos outros e preparação para a eternidade. Portanto, a longevidade pode ser vista como um campo de batalha onde se decide a direção espiritual final da alma.

Nesse quesito, ao analisarmos a Carta 28, reconhecemos que a longevidade é um tema complexo com implicações tanto positivas quanto negativas. Por isso, é fundamental estarmos vigilantes contra as estratégias diabólicas que visam nos distanciar de Deus e aproveitar as oportunidades que uma vida longa oferece para aprofundar nossa fé, servir ao próximo e preparar-nos para a eternidade.


Carta 29

Na Carta 29, C. S. Lewis nos convida a explorar as artimanhas diabólicas na perdição humana.

Fitafuso reconhece que os demônios não podem gerar virtudes, pois estas são dádivas de Deus. No entanto, eles são habilidosos em perverter virtudes existentes, transformando-as em vícios ou ferramentas para fins malignos.

Uma pessoa corajosa, por exemplo, pode ser levada ao orgulho, enquanto a abstinência pode ser utilizada para incentivar a avareza. Ao corromper as virtudes, os demônios distanciam o ser humano de Deus e o aproximam da perdição.

Por outro lado, a utilização da covardia como ferramenta para a perdição humana apresenta desafios para os demônios. Primeiramente, a covardia é um defeito doloroso e vergonhoso, que a maioria dos humanos reconhece e condena em si mesmos. Isso pode levar ao arrependimento e à humildade, aproximando-os de Deus.

Além disso, a covardia, quando exposta em sua forma mais pura, pode despertar um senso moral nos humanos, fazendo-os refletir sobre o bem e o mal. Essa reflexão pode levar a uma mudança de comportamento e a uma busca por uma vida mais virtuosa.

Ao contrário do que os demônios desejam, Deus escolheu criar um mundo com perigos e dificuldades. Em um ambiente sem riscos ou desafios, as virtudes como coragem e altruísmo não teriam oportunidade de se manifestar.

Ao proporcionar um cenário onde as decisões humanas têm consequências significativas, Deus permite o desenvolvimento moral e espiritual dos seres humanos. As escolhas feitas em meio às dificuldades revelam o caráter e a força interior de cada indivíduo.

Para os demônios, o aspecto mais importante da experiência humana do pecado é o ato em si, não a emoção ou o sentimento que o acompanha. Eles valorizam a realização do ato pecaminoso porque é isso que afasta os humanos de Deus.

A emoção do medo, por exemplo, não é pecaminosa em si mesma, mas pode ser utilizada pelos demônios para incitar ações covardes, que são de seu interesse. Ao discernir as motivações por trás de suas ações, os seres humanos podem evitar cair nas armadilhas do diabo e se aproximar de Deus.


Carta 30

Nesta análise da Carta 30, os demônios, segundo Lewis, valorizam as ações e os resultados em detrimento dos sentimentos. Essa visão utilitarista contrasta com a compreensão cristã de que as virtudes florescem internamente e se expressam externamente.

O foco exclusivo em ações e resultados pode nos levar a negligenciar o desenvolvimento interior da virtude, fundamental para a transformação genuína. Em vez de buscar a aprovação divina, podemos cair na armadilha de medir o sucesso apenas por resultados visíveis, esquecendo que a verdadeira virtude reside em um coração transformado e em uma mente renovada.

Lewis também discorre sobre como os demônios podem utilizar a fadiga para corromper a virtude. Eles reconhecem que a fadiga pode gerar benevolência e serenidade, mas também pode induzir irritabilidade e impaciência. Os demônios, então, manipulam a fadiga para alimentar o descontentamento e o desespero, distorcendo a realidade do indivíduo cansado para que ele enxergue apenas o negativo. Essa compreensão nos alerta para a necessidade de estarmos conscientes de como nosso estado físico e mental pode influenciar nossa percepção da realidade e nossa capacidade de praticar virtudes.

Ainda mais, os demônios, segundo Lewis, utilizam duas estratégias contrastantes de distorção da realidade para alcançar seus objetivos. Primeiramente, podem fazer com que as experiências espirituais pareçam menos “reais”, reduzindo-as a meros fenômenos físicos. Por outro lado, podem usar experiências desagradáveis, como presenciar uma cena de guerra, para transformá-las na única “realidade” aceita, desacreditando a fé e as experiências espirituais positivas. Essa dualidade na manipulação da realidade enfraquece a fé, pois faz com que o indivíduo questione a validade de suas experiências espirituais e subestime o poder da realidade transcendente.

Neste sentido, a distorção diabólica da realidade pode ser um grande obstáculo ao desenvolvimento da fé e da virtude. Ao enfatizar o materialismo e o ceticismo, os demônios buscam desacreditar a espiritualidade e a fé, levando os indivíduos a questionar suas crenças e experiências. Isso pode gerar um ciclo de desconfiança e cinismo, onde as virtudes espirituais são vistas como ilusórias ou irrelevantes. Para combater essa estratégia diabólica, é crucial cultivar uma compreensão equilibrada da realidade que abrace tanto o físico quanto o espiritual, reconhecendo que ambos são partes integrantes da experiência humana.

Em suma, Lewis nos lembra que a verdadeira virtude se cultiva tanto no interior quanto no exterior, e que devemos estar atentos às diversas formas pelas quais a realidade pode ser distorcida para nos desviar do caminho de Deus.


Carta 31

Na última correspondência de Fitafuso a seu aprendiz, C. S. Lewis nos convida a explorar a experiência da morte do ponto de vista do paciente de Vermebile. Ao morrer, ele primeiramente observa os seres celestiais, e finalmente, contempla Deus (“Ele”). Essa visão representa um encontro imediato com o divino, uma percepção clara da realidade espiritual que transcende a existência terrena.

Fitafuso, o arqui-inimigo da alma, revela que a morte, do ponto de vista demoníaco, é um momento de libertação e clareza. Ela não é apenas o fim da vida terrena, mas um portal para uma existência mais verdadeira e profunda, onde as limitações humanas são removidas e a realidade espiritual é plenamente percebida.

As pessoas, ao passar pelo processo de morrer, segundo Fitafuso, experimentam clareza, libertação e reconhecimento. O paciente percebe que tudo o que vivenciou na vida, incluindo dúvidas e medos, torna-se irrelevante diante da realidade eterna e verdadeira que agora se revela.

“Eles” se refere aos seres celestiais ou anjos, enquanto “Ele” é uma referência direta a Deus. Fitafuso lamenta que o paciente os veja, indicando um encontro direto com o divino e uma aceitação completa na presença de Deus.

A visão de Cristo, do outro lado da morte, afeta profundamente o paciente de Vermebile. Ele experimenta um sentimento de reconhecimento e amor, percebendo que Deus sempre esteve presente em sua vida. Essa visão traz uma sensação de conclusão, aceitação e alegria transcendente, contrastando com a visão de desespero e derrota que Fitafuso expressa.

Por fim, através da 31ª correspondência de “Cartas de um Diabo a seu Aprendiz” podemos vislumbrar a beleza e a glória que aguardam aqueles que se entregam à fé e ao amor de Deus.


Considerações Finais

Essa famosa obra de C. S. Lewis é um clássico que continua a motivar e desafiar leitores de todas as idades e origens a seguir o caminho da fé com sabedoria, confiança e esperança, em direção à eterna glória de Deus. É uma leitura que vale muito a pena! Recomendamos a todos os nossos leitores! Clique aqui e adquira sua cópia hoje mesmo!

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Diego Souza

Sou ministro na Igreja Holiness e amo escrever. Graduando em Letras pela UNIVESP, com Bacharel em Teologia pela UMESP e com pós em Novo Testamento pela EST, neste blog compartilho meus pensamentos sobre a vida cristã e o cotidiano, buscando conectar a fé com o dia a dia.