Diversos grupos modernos descendem diretamente do movimento Anabatista do século XVI. Estima-se que seus descendentes diretos somam cerca de 730.000 pessoas em 57 países, com as maiores concentrações na América do Norte, Zaire, Indonésia e antiga U.R.S.S.. Existem 21 grupos distintos que traçam sua linhagem até os Anabatistas. Entre eles, alguns dos mais conhecidos são:
1. Menonitas: Os Menonitas constituem o grupo mais numeroso e diversificado dos descendentes modernos dos Anabatistas. Eles adotaram o nome de Menno Simons, um ex-padre que se tornou um importante líder Anabatista nos Países Baixos após os eventos radicais de Münster em 1535. Simons foi fundamental na consolidação de uma visão Anabatista não violenta e biblicamente fundamentada de uma igreja discipulada. Seus escritos prolíficos e sua vida consistente com suas crenças deram coragem aos muitos Anabatistas flamengos, frísios e do norte da Alemanha que ficaram horrorizados com o que aconteceu em Münster. Sua obra “Fundação da Doutrina Cristã” de 1539 continua sendo relevante para os Menonitas hoje.
Os Menonitas compartilham uma visão comum de Cristo e a crença na não resistência. No entanto, não são uniformemente caracterizados por uma separação do mundo em estilo de vida ou vestimenta. A diversidade entre os Menonitas é significativa, abrangendo desde grupos mais conservadores que mantêm práticas tradicionais até congregações mais integradas à sociedade moderna. O “Martyrs’ Mirror” (Espelho dos Mártires), uma coleção de histórias de mártires Anabatistas compilada por Thieleman van Braght no século XVII, tem sido uma obra de grande importância para a história e pensamento Menonitas, rivalizando em influência apenas com a Bíblia.
2. Amish: Os Amish surgiram de uma divisão dos Menonitas suíço-alemães em 1693. A principal questão que levou à separação foi a prática do “shunning” (banimento ou evitação) de membros excomungados. Liderados por Jakob Ammann, os Amish defendiam uma aplicação mais estrita dessa prática. Hoje, os Amish são reconhecidos por seus fortes valores comunitários, reforçados por uma estrita não conformidade com o mundo em questões de vestimenta e uso de tecnologia. Eles geralmente vivem em comunidades rurais, principalmente na Pensilvânia, Ohio e Indiana (nos Estados Unidos). A ênfase Amish na vida simples, no trabalho manual e na separação do mundo moderno reflete uma continuidade de certos princípios Anabatistas de discipulado radical e comunidade.
3. Hutteritas: Os Hutteritas tiveram sua origem na Morávia em 1529. Eles são caracterizados pela prática do comunismo cristão, seguindo um modelo apostólico de comunidade de bens encontrado em Atos 2-5. Seu líder inicial mais importante foi Jacob Hutter, que trabalhou para resgatar Anabatistas da perseguição dos Habsburgos no Tirol e levá-los para a segurança da Morávia. As comunidades Hutteritas prosperaram sob relativa tolerância até cerca de 1590, após o que enfrentaram novamente intensa perseguição. Para sobreviver, eles se mudaram para a Ucrânia e, posteriormente, para a América do Norte no século XIX. Os Hutteritas mantêm um estilo de vida comunitário distinto, vestindo-se de forma simples, influenciada pelo traje folclórico da Europa Oriental. Eles vivem em colônias onde os bens são compartilhados e a vida é centrada na comunidade e na fé.
4. Irmãos Menonitas (Mennonite Brethren): Os Irmãos Menonitas tiveram seu início em 1860 como um movimento de renovação entre os Menonitas holandeses transplantados para o sul da Rússia. Posteriormente, o movimento se expandiu para a América do Norte, Paraguai e outros países. A principal distinção inicial dos Irmãos Menonitas em relação aos Menonitas tradicionais não estava em suas crenças fundamentais, mas na prática do batismo por imersão, em vez de aspersão. Este grupo surgiu de um desejo de um avivamento espiritual e de uma renovada ênfase na conversão pessoal e no discipulado, elementos centrais da teologia Anabatista original.
5. Irmãos em Cristo (Brethren in Christ): Os Irmãos em Cristo tiveram sua origem em 1750 na Pensilvânia, mas só obtiveram reconhecimento oficial durante a Guerra Civil Americana, quando seus jovens foram convocados para o exército. Eles eram apelidados de “Irmãos do Rio” devido ao seu costume de batizar em um rio. Este grupo também enfatiza a importância do discipulado, da comunidade e da não conformidade com o mundo, traços característicos de sua herança Anabatista.
É importante notar que, embora esses sejam alguns dos principais grupos modernos que descendem dos Anabatistas, existem outras denominações e comunidades menores que também compartilham essa herança. Além disso, o impacto dos princípios Anabatistas, como a separação entre igreja e estado e a liberdade religiosa, pode ser visto em diversas outras tradições cristãs e no pensamento ocidental em geral. A ênfase Anabatista no discipulado prático, na comunidade de crentes e na autoridade das Escrituras continua a influenciar seus descendentes modernos, embora as formas e expressões dessas ênfases possam variar entre os diferentes grupos.