Agostinho, o Bispo de Hipona

Agostinho, o Bispo de Hipona

Agostinho, o bispo de Hipona no norte da África (354 a 430 d.C.), destacou-se como uma mente proeminente na igreja cristã primitiva, deixando um impacto duradouro nas tradições tanto dos Católicos Romanos quanto dos Protestantes.

O caminho que conduziu Agostinho ao cristianismo não foi linear. Em sua juventude, ele explorou as filosofias pagãs e os cultos populares de sua época em busca da verdade. Sua vida inicial foi marcada por comportamentos imorais, uma fase que encontrou redenção em sua notável conversão, narrada de maneira eloquente em seu livro “Confissões”. Esta obra perdura como um dos testemunhos cristãos mais impactantes de todos os tempos.

O legado de Agostinho na história do cristianismo é inegável. Suas escritas abordaram temas como predestinação e pecado original, exercendo uma influência profunda tanto no cristianismo ocidental quanto no oriental. Reconhecido como um dos oito grandes Doutores da Igreja, Agostinho é frequentemente considerado o filósofo mais influente de todos os tempos.

O falecimento de Agostinho ocorreu durante o ataque dos vândalos germânicos ao norte da África, marcando o fim da vida de um pensador cujas contribuições ressoam através dos séculos.

Dados Rápidos:

  • Nome: Aurelius Augustinus
  • Pais: Patrício (pagão romano, convertido ao cristianismo antes de sua morte) e Mônica (cristã, possivelmente berbere)
  • Filho: Adeodato
  • Datas: 13 de novembro de 354 – 28 de agosto de 430
  • Ocupação: Teólogo, Bispo

O Caminho Tortuoso de Agostinho

Agostinho nasceu em 354 em Tagaste, na província norte-africana da Numídia, agora Argélia. Seu pai, Patrício, era um pagão que trabalhou e economizou para que seu filho pudesse receber uma boa educação. Mônica, sua mãe, era uma cristã devota que orava constantemente por seu filho.

De uma educação básica em sua cidade natal, Agostinho progrediu para estudar literatura clássica e depois foi para Cartago para treinamento em retórica, patrocinado por um benfeitor chamado Romano. Más companhias levaram a comportamentos inadequados. Agostinho teve uma amante e gerou um filho, Adeodato, que morreu em 390 d.C.

Guiado por sua fome de sabedoria, Agostinho tornou-se maniqueísta. O maniqueísmo, fundado pelo filósofo persa Mani (216 a 274 d.C.), ensinava o dualismo, uma rígida divisão entre o bem e o mal. Como o Gnosticismo, essa religião afirmava que o conhecimento secreto é a rota para a salvação. Tentava combinar os ensinamentos de Buda, Zoroastro e Jesus Cristo.

Enquanto isso, Mônica continuava a orar pela conversão de seu filho. Isso finalmente aconteceu em 387, quando Agostinho foi batizado por Ambrósio, o bispo de Milão, Itália. Agostinho retornou à sua cidade natal de Tagaste, foi ordenado sacerdote e alguns anos depois foi feito bispo da cidade de Hipona.

Agostinho possuía uma inteligência brilhante, mas mantinha uma vida simples, muito parecida com a de um monge. Ele incentivava mosteiros e eremitas em sua diocese na África e sempre recebia visitantes para conversas instruídas. Funcionava mais como um padre paroquial do que como um bispo distante, mas ao longo de sua vida, ele estava sempre escrevendo.

Datas Importantes

Nascido em 13 de novembro de 354 em Tagaste, no norte da África (atual Argélia), Agostinho faleceu em 28 de agosto de 430, em Hipona Régia, também na Argélia. Curiosamente, isso coincidiu com o cerco dos vândalos cristãos arianos a Hipona. Os vândalos pouparam a catedral e a biblioteca de Agostinho.

Agostinho foi ordenado bispo de Hipona em 396.

Escrito em Nossos Corações

Agostinho ensinava que no Antigo Testamento (Antiga Aliança), a lei estava fora de nós, escrita em tábuas de pedra, os Dez Mandamentos. Essa lei não poderia resultar em justificação, apenas em transgressão.

No Novo Testamento, ou Nova Aliança, a lei está escrita dentro de nós, em nossos corações, disse ele, e somos feitos justos por meio de uma infusão da graça e do amor ágape de Deus.

Essa justiça não vem de nossas próprias obras, no entanto, mas é conquistada para nós pela morte expiatória de Cristo na cruz, cuja graça nos chega por meio do Espírito Santo, por meio da fé e batismo.

Agostinho acreditava que a graça de Cristo não é creditada em nossa conta para saldar nossa dívida de pecado, mas sim que nos ajuda a cumprir a lei. Percebemos que por conta própria não podemos cumprir a lei, então somos conduzidos a Cristo. Por meio da graça, não cumprimos a lei por medo, como na Antiga Aliança, mas por amor, ele dizia.

Ao longo de sua vida, Agostinho escreveu sobre a natureza do pecado, a Trindade, o livre arbítrio e a natureza pecaminosa do homem, os sacramentos e a providência de Deus. Seu pensamento foi tão profundo que muitas de suas ideias forneceram a base para a teologia cristã nos séculos seguintes.

Agostinho, Bispo de Hipona

A Influência de Agostinho

As duas obras mais conhecidas de Agostinho são Confissões e A Cidade de Deus. Em Confissões, ele conta a história de sua imoralidade sexual e da preocupação incansável de sua mãe por sua alma. Ele resume seu amor por Cristo, dizendo: “Assim, posso deixar de ser miserável em mim mesmo e encontrar felicidade em Ti (Deus).”

A Cidade de Deus, escrito no final da vida de Agostinho, foi em parte uma defesa do cristianismo no Império Romano. O imperador Teodósio tornara o cristianismo trinitário a religião oficial do império em 390. Vinte anos depois, os visigodos bárbaros, liderados por Alarico I, saquearam Roma. Muitos romanos culpavam o cristianismo, alegando que se afastar dos antigos deuses romanos havia causado sua derrota. O restante de A Cidade de Deus contrasta as cidades terrena e celestial.

Quando era bispo de Hipona, Agostinho fundou mosteiros tanto para homens quanto para mulheres. Ele também escreveu uma regra, ou conjunto de instruções, para o comportamento de monges e freiras. Somente em 1244 um grupo de monges e eremitas se uniu na Itália, e a Ordem de Santo Agostinho foi fundada, usando essa regra.

Cerca de 270 anos depois, um frade agostiniano, também um estudioso da Bíblia como Agostinho, se rebelou contra muitas das políticas e doutrinas da Igreja Católica Romana. Seu nome era Martinho Lutero, e ele se tornou uma figura-chave na Reforma Protestante.

Controvérsias / Heresias

Antes de sua conversão ao cristianismo em 386, Agostinho foi atraído pelo maniqueísmo e neoplatonismo. Como cristão, ele enfrentou a controvérsia com os donatistas e se opôs à heresia pelagiana.

Fontes

Agostinho foi um escritor prolífico, suas palavras foram cruciais para a formação da doutrina da igreja. Seu discípulo Possídio escreveu “Vida de Agostinho”. No século VI, Eugípio, em um mosteiro perto de Nápoles, compilou uma antologia de seus escritos. Agostinho também é destaque nas Instituições de Cassiodoro.

Escritos

Confissões e A Cidade de Deus são as obras mais famosas de Agostinho. Uma terceira obra importante foi Sobre a Trindade. Ele escreveu 113 livros e tratados, e centenas de cartas e sermões. Alguns de seus trabalhos incluem:

  • Contra Academicos [Contra os Acadêmicos, 386-387]
  • De Libero Arbitrio [Sobre o Livre Arbítrio, Livro I, 387/9; Livros II e III, cerca de 391-395]
  • De Magistro [Sobre o Mestre, 389]
  • Confessiones [Confissões, 397-401]
  • De Trinitate [Sobre a Trindade, 399-422]
  • De Genesi ad Litteram [Sobre o Significado Literal do Gênesis, 401-415]
  • De Civitate Dei [Sobre a Cidade de Deus, 413-427]
  • Retractationes [Retratações, 426-427]

Citações mais famosas

As citações mais famosas de Agostinho são aquelas que refletem suas principais ideias filosóficas e teológicas. Entre elas, destacam-se:

“A medida do amor é amar sem medida.” (Confissões, Livro 10)

Essa frase é uma expressão da crença de Agostinho de que o amor é a força mais poderosa do universo. Ele argumenta que o amor é ilimitado e que quanto mais amamos, mais capazes nos tornamos de amar.

“O orgulho é a fonte de todas as fraquezas, porque é a fonte de todos os vícios.” (Sermão 354 de Agostinho.)

Essa frase é uma expressão da crença de Agostinho de que o orgulho é a raiz de todos os males. Ele argumenta que o orgulho nos impede de ver nossas próprias imperfeições e nos torna arrogantes e egoístas.

“Não há lugar para a sabedoria onde não há paciência.” (Sermão 101 de Agostinho)

  • Essa frase é uma expressão da crença de Agostinho de que a paciência é essencial para a sabedoria. Ele argumenta que a sabedoria vem da experiência e que a experiência requer paciência.

“Não basta fazer coisas boas. É preciso fazê-las com um bom coração.” (Sermão 261, de Agostinho)

Essa frase é uma expressão da crença de Agostinho de que as ações são boas ou más dependendo da intenção com que são realizadas. Ele argumenta que mesmo as ações aparentemente boas podem ser más se forem feitas com motivos egoístas.

“Não é tanto o que fazemos, mas o motivo pelo qual fazemos que determina a bondade ou a malícia.” (Sermão 262 de Agostinho)

Essa frase é uma expressão semelhante à anterior, enfatizando a importância da intenção nas ações humanas.

Outras citações famosas de Agostinho incluem:

“Fizeste-nos, Senhor, para ti, e o nosso coração anda inquieto enquanto não descansar em ti.” (Confissões, Livro 1)

“A esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las.” (Sermão 159 de Agostinho)

“O mundo é um livro, e quem fica sentado em casa lê somente uma página.” (Sermão 157 de Agostinho)

“Virtude e vício não são iguais, mesmo que sofram a mesma tormenta.” (Cidade de Deus I.8)

“Meus ouvidos já estavam fartos de coisas semelhantes; nem me pareciam mais conclusivas, porque melhor expressas; nem verdadeiras, porque oratórias; nem o espírito necessariamente sábio, porque o rosto era belo e a linguagem eloquente.” (Uma coisa não é necessariamente verdadeira porque mal pronunciada, nem falsa porque falada magnificamente.) (Confissões V.6.)

“Concede-me castidade e continência, mas ainda não.” (Confissões VIII.7.)

Essas citações refletem a profundidade e a sabedoria do pensamento de Agostinho, que continua a inspirar e a influenciar pessoas de todo o mundo há séculos.


Eu sou o Diego Gonçalves, teólogo e evangelista, e este é o meu blog www.diegon.org – “O Diário de um Jondô”. Aqui, reflexões teológicas diárias te esperam!

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Diego Souza

Sou ministro na Igreja Holiness e amo escrever. Graduando em Letras pela UNIVESP, com Bacharel em Teologia pela UMESP e com pós em Novo Testamento pela EST, neste blog compartilho meus pensamentos sobre a vida cristã e o cotidiano, buscando conectar a fé com o dia a dia.