Gn 8:1-22 – Comentário

Gn 8:1-22 – Comentário

Introdução:

Neste capítulo, somos conduzidos a um cenário pós-dilúvio, onde as atenções divinas se voltam mais uma vez a Noé. As ações de Deus desencadeiam uma série de eventos significativos, começando pela memória que Deus tem de Noé, culminando na promessa de não amaldiçoar a terra novamente. O capítulo abrange desde o repouso da arca nas alturas do Monte Ararate até o momento solene em que Noé oferece um sacrifício, simbolizando uma nova era na relação entre Deus e a humanidade.

Resumo da passagem:

Versículos 1-3: Deus manifesta Sua memória de Noé, culminando na diminuição das águas do dilúvio.

Versículos 4-12: A arca repousa sobre o Monte Ararate. Nesse ponto, Noé despacha um corvo e, posteriormente, uma pomba, buscando indícios de terra firme.

Versículos 13-19: O momento crucial em que Noé finalmente deixa a arca, atendendo à ordem divina. Essa passagem narra seu obediente movimento para sair.

Versículos 20-22: Noé oferece um significativo sacrifício a Deus. Este é o ponto em que Deus estabelece um pacto para nunca mais amaldiçoar a terra.

Texto Comentado Versículo por Versículo

Versão da Bíblia Sagrada Utilizada: Almeida Corrigida Fiel (ACF)

1 E LEMBROU-SE Deus de Noé, e de todos os seres viventes, e de todo o gado que estavam com ele na arca; e Deus fez passar um vento sobre a terra, e aquietaram-se as águas.

Comentário Bíblico: Gênesis 8:1-3

No desenrolar do enredo divino, após o dilúvio que varreu a terra, encontramos um testemunho da graça de Deus. Quando o tumulto das águas foi aplacado e as memórias do dilúvio ainda ecoavam na mente de Noé e de sua família, o Senhor “lembrou-se de Noé e de todos os seres vivos e de todos os animais selvagens e de todos os rebanhos que estavam com ele na arca” (Gênesis 8:1).

Este “lembrou-se” não se refere a uma falha de memória divina, mas sim a um ato de fidelidade e compromisso. Deus, em Sua soberania, estava pronto para restaurar a criação à vida novamente. Este ato não era movido por qualquer mérito humano, mas sim pelo pacto que Deus estabeleceu com Noé e sua descendência.

O verso 2 relata o processo pelo qual as águas do dilúvio começaram a diminuir. As fontes do abismo e as comportas do céu foram fechadas, simbolizando o fim da catástrofe. Deus, cujo poder trouxe o dilúvio, agora controlava seu recuo. Essa inversão de eventos deve ser vista como uma expressão da providência divina.

No verso 3, vemos o resultado gradual dessa intervenção divina. À medida que as águas continuavam a recuar, a arca repousou sobre as montanhas de Ararate. Essa imagem simboliza um novo começo, um novo alicerce para a humanidade. A jornada de Noé e sua família através das águas do dilúvio aponta para uma purificação, um tipo de batismo, que precede a renovação da vida sobre a terra.

Neste trecho, encontramos um lembrete contínuo de que Deus governa sobre a criação, trazendo julgamento e redenção de acordo com Seus propósitos. A restauração gradual das águas é uma lição de paciência divina, bem como uma representação física de Sua graça operando no mundo. Concluímos, portanto, que a narrativa de Gênesis 8:1-3 é uma evidência do compromisso de Deus com a humanidade, sua fidelidade aos pactos estabelecidos e a manifestação de Sua soberania sobre as forças da natureza.

2 Cerraram-se também as fontes do abismo e as janelas dos céus, e a chuva dos céus deteve-se.

3 E as águas iam-se escoando continuamente de sobre a terra, e ao fim de cento e cinqüenta dias minguaram.

4 E a arca repousou no sétimo mês, no dia dezessete do mês, sobre os montes de Ararate.

Comentário Bíblico de Gênesis 8:4-12

A arca repousou sobre os montes de Ararate, sob a orientação providencial do Eterno. A ação divina se manifestou ao direcionar a embarcação para um lugar de descanso. Assim, vemos o padrão do Criador em prover um local de quietude após as agitações do dilúvio. Deus, que controla o tempo e o espaço, determinou essa pausa para Noé e sua família. A revelação dada a Noé sobre o início do dilúvio lhe permitiu a preparação, mas os detalhes do término permaneceram ocultos, requerendo fé e confiança.

Ao liberar um corvo, Noé testemunhou como essa ave encontrou alimento nos restos flutuantes. Entretanto, ao enviar uma pomba, seus retornos sem notícias boas refletiram a continuidade das águas sobre a terra. Somente na segunda viagem trouxe um ramo de oliveira, sinalizando o surgimento de vida e esperança. Os intervalos de sete dias indicam um ciclo ligado ao propósito divino, talvez como alusão ao dia do descanso e à renovação. Ao aguardar a bênção divina, Noé observa um paralelo espiritual: a pomba, imagem da alma que busca refúgio em Deus, o verdadeiro descanso.

O movimento da pomba em direção à mão de Noé ecoa o chamado de Cristo para que as almas cansadas encontrem abrigo. O corvo, entretanto, ilustra aqueles que se alimentam das coisas mundanas e transitórias. O ato de Noé trazendo a pomba para a arca prefigura a intercessão do Salvador, que acolhe e protege os que buscam refúgio em Seu amor. Assim como Noé, devemos exercitar a fé enquanto aguardamos o término das tempestades e o sinal de renovação, sempre confiando na sabedoria do Eterno, que guia nosso descanso após as provações.

5 E foram as águas indo e minguando até ao décimo mês; no décimo mês, no primeiro dia do mês, apareceram os cumes dos montes.

6 E aconteceu que ao cabo de quarenta dias, abriu Noé a janela da arca que tinha feito.

7 E soltou um corvo, que saiu, indo e voltando, até que as águas se secaram de sobre a terra.

8 Depois soltou uma pomba, para ver se as águas tinham minguado de sobre a face da terra.

9 A pomba, porém, não achou repouso para a planta do seu pé, e voltou a ele para a arca; porque as águas estavam sobre a face de toda a terra; e ele estendeu a sua mão, e tomou-a, e recolheu-a consigo na arca.

10 E esperou ainda outros sete dias, e tornou a enviar a pomba fora da arca.

11 E a pomba voltou a ele à tarde; e eis, arrancada, uma folha de oliveira no seu bico; e conheceu Noé que as águas tinham minguado de sobre a terra.

12 Então esperou ainda outros sete dias, e enviou fora a pomba; mas não tornou mais a ele.

13 E aconteceu que no ano seiscentos e um, no mês primeiro, no primeiro dia do mês, as águas se secaram de sobre a terra. Então Noé tirou a cobertura da arca, e olhou, e eis que a face da terra estava enxuta.

Comentário Bíblico de Gênesis 8:13-19

No versículo 13, após um período de aguardo paciente dentro da arca, Noé removeu a cobertura da arca para examinar as condições do solo. Aqui, observamos a qualidade da obediência de Noé, que aguardou a orientação divina antes de sair apressadamente. A sua ação representa a confiança e a submissão a Deus, que sempre guia no tempo adequado.

Os versículos 14 e 15 nos mostram a ordem dada por Deus a Noé para que ele e todos os que estavam com ele na arca saíssem. Deus, em Sua soberania, estabeleceu o momento exato para o término do dilúvio e o recomeço da vida na terra. É importante notar que a narrativa realça como Deus cuidadosamente direcionou todo o processo, reforçando a ideia de Sua supervisão benevolente.

Nos versículos 16 e 17, vemos a obediência imediata de Noé à voz de Deus. Ele não se apressou em sair da arca assim que viu a terra seca, mas esperou pelo comando divino. Esse gesto simboliza a importância de confiar plenamente na orientação divina, mesmo quando as circunstâncias parecem favoráveis.

No versículo 18, Noé, juntamente com sua família e os animais, sai da arca conforme a instrução de Deus. Isso representa um novo começo para a humanidade, um recomeço baseado na fidelidade de Deus e na obediência de Noé. A renovação da aliança de Deus com a humanidade é refletida nesse evento, enfatizando Seu compromisso duradouro.

Finalmente, no versículo 19, a ordem de Deus para os seres vivos se multiplicarem e encherem a terra é reafirmada. A bênção da procriação é restabelecida, sinalizando o propósito de Deus para a vida na terra. Aqui, reconhecemos que Deus é o autor da vida e do seu sustento contínuo.

Em suma, este trecho de Gênesis destaca a importância da obediência, da confiança e da espera na vontade soberana de Deus. Noé personifica esses princípios, servindo como exemplo de fé e submissão à orientação divina em todas as etapas da jornada.

14 E no segundo mês, aos vinte e sete dias do mês, a terra estava seca.

15 Então falou Deus a Noé dizendo:

16 Sai da arca, tu com tua mulher, e teus filhos e as mulheres de teus filhos.

17 Todo o animal que está contigo, de toda a carne, de ave, e de gado, e de todo o réptil que se arrasta sobre a terra, traze fora contigo; e povoem abundantemente a terra e frutifiquem, e se multipliquem sobre a terra.

18 Então saiu Noé, e seus filhos, e sua mulher, e as mulheres de seus filhos com ele.

19 Todo o animal, todo o réptil, e toda a ave, e tudo o que se move sobre a terra, conforme as suas famílias, saiu para fora da arca.

20 E edificou Noé um altar ao Senhor; e tomou de todo o animal limpo e de toda a ave limpa, e ofereceu holocausto sobre o altar.

Comentário Bíblico de Gênesis 8:20-22

Nestes versículos, testemunhamos um momento singular na história de Noé e da humanidade pós-dilúvio. Após o dilúvio ter devastado a terra e purificado o mundo do mal, Noé emerge do confinamento da arca. Em vez de priorizar seu próprio conforto ou necessidades imediatas, Noé demonstra sua devoção a Deus por meio de um ato de adoração. Ele constrói um altar para oferecer sacrifícios a Deus, expressando sua gratidão pelo cuidado divino e pela preservação da vida.

Essa escolha revela uma profunda compreensão espiritual. Noé reconhece que, apesar do julgamento severo que o dilúvio trouxe, o coração humano continua inclinado ao pecado. O ato de sacrifício não é apenas um ritual externo, mas uma expressão da consagração interior de Noé a Deus, um símbolo de sua fé na redenção divina.

A resposta divina à oferta de Noé é uma promessa notável. Deus assegura que nunca mais amaldiçoará a terra com um dilúvio destrutivo. Essa promessa não é apenas um compromisso com a estabilidade do mundo natural, mas também simboliza a graça e a misericórdia de Deus em relação à humanidade caída. A natureza humana permanece marcada pelo pecado, mas Deus se compromete a não recorrer novamente a um evento como o dilúvio global.

A estabilidade das estações, marcada pela alternância entre verão e inverno, é considerada como um testemunho da fidelidade de Deus em sustentar a criação. Embora esta terra não seja eterna e um novo céu e uma nova terra sejam prometidos no futuro, a providência divina governa o curso do tempo e das estações.

Deste relato, aprendemos que a adoração sincera e a obediência a Deus devem ser prioridades em nossas vidas, mesmo diante das mudanças e desafios do mundo. A promessa de Deus a Noé reforça a confiança na constância da providência divina, enquanto aguardamos a realização completa das promessas futuras. Assim como Deus cumpriu Suas promessas a Noé, podemos confiar que Suas promessas aos crentes também se concretizarão de maneira gloriosa.

21 E o Senhor sentiu o suave cheiro, e o Senhor disse em seu coração: Não tornarei mais a amaldiçoar a terra por causa do homem; porque a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice, nem tornarei mais a ferir todo o vivente, como fiz.

22 Enquanto a terra durar, sementeira e sega, e frio e calor, e verão e inverno, e dia e noite, não cessarão.

Conclusão:

À medida que o oitavo capítulo de Gênesis chega ao seu desfecho, somos testemunhas da profundidade da relação entre Deus e Noé. Através das águas do dilúvio, um novo começo emerge, representado pelo repouso da arca sobre o Monte Ararate. Noé, obediente às instruções divinas, sai da arca e oferece um sacrifício, marcando uma reconciliação simbólica entre a humanidade e o Criador. O capítulo culmina com a promessa de Deus de não mais amaldiçoar a terra, sinalizando um novo pacto de esperança e renovação. A história de Noé nos lembra da importância da obediência, da renovação e da graça divina que permeia mesmo os momentos mais desafiadores da história humana.

REFERÊNCIAS:

HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Matthew Henry Obra Completa – CPAD

Todas as Escrituras em português citadas são da Almeida Corrigida Fiel ©


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Diego Souza

Sou ministro na Igreja Holiness e amo escrever. Graduando em Letras pela UNIVESP, com Bacharel em Teologia pela UMESP e com pós em Novo Testamento pela EST, neste blog compartilho meus pensamentos sobre a vida cristã e o cotidiano, buscando conectar a fé com o dia a dia.