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JESUS: O PÃO DA VIDA | Série: Quem é Jesus?

Introdução:

Alguma vez na vida, você já sentiu uma fome tão grande que é quase insuportável? Em 2022, passei por um problema cardíaco e fiquei internado por 13 dias. Parte desse período exigiu uma dieta rigorosa. Em alguns dias, eu não podia comer nem beber, sendo alimentado apenas por fluidos intravenosos.

Com o passar dos dias, a fome tornou-se insustentável. Deitado na cama, a televisão era a única distração. Foi aí que percebi que a maioria dos comerciais era sobre comida. Às vezes, a fome era tão avassaladora que me imaginava comendo churrasco, pizza ou uma fatia de bolo de laranja com café.

Se você já sentiu uma fome intensa, sabe o quão desafiador é lidar com essa sensação. A fome é um dos estímulos mais fortes que nosso corpo pode experimentar. Nosso cérebro entende que a comida é vital para a sobrevivência, o que pode tornar o desejo de comer extremamente intenso, alterando nossa percepção. Por isso, às vezes, pensamos que podemos comer mais do que somos realmente capazes, como quando dizemos: “Estou com tanta fome que poderia comer um boi!”. A fome também pode nos levar a agir de maneira atípica, a ver coisas inexistentes e até a acreditar em inverdades.

No estudo de hoje, da nossa série Quem é Jesus, vamos examinar um episódio bíblico que envolve pessoas famintas. Para compreender completamente como isso ocorreu, é importante contextualizar.

No capítulo 5 de João, Jesus havia realizado seu milagre mais conhecido, registrado em todos os quatro evangelhos. Começou quando milhares de pessoas o seguiram até uma colina com vista para o Mar da Galileia. João menciona a presença de 5.000 pessoas, mas essa era apenas a contagem dos homens ali. Se incluíssemos as mulheres e crianças que com certeza estavam lá, provavelmente teríamos mais de 15.000 pessoas reunidas naquela encosta.

Então, no meio do dia, Jesus se virou para seus seguidores, demonstrando sua preocupação com a necessidade de alimentar a grande multidão ao seu redor. Diante disso, André trouxe até Jesus um garoto que estava disposto a compartilhar seu lanche que consistia em cinco pães de cevada e dois pequenos peixes. De maneira milagrosa, Jesus usou essa modesta refeição, que seria suficiente apenas para alimentar o menino, para satisfazer a fome de 15.000 pessoas. Além disso, ainda sobraram 12 cestos de alimento! Quando paramos para refletir, percebemos que na verdade ocorreram dois milagres naquela tarde: o primeiro foi que Jesus conseguiu alimentar tantas pessoas com tão pouca comida, e o segundo foi que aquele menino ainda não tinha comido o seu lanche mesmo já sendo tarde!

No dia seguinte, logo depois desta incrível experiência, algumas das pessoas que receberam o pão e o peixe de Jesus começaram a procurá-lo por toda a região, em ambos os lados do Mar da Galileia.

A conversa que iremos analisar hoje, aconteceu quando elas finalmente encontraram Jesus em Cafarnaum, e é narrada no Evangelho de João, capítulo 6, nos versículos de 30 a 35 e de 47 à 51. Vou deixar o texto bíblico na descrição para você ler.

Agora, se observarmos atentamente, identificaremos três equívocos que essas pessoas, impulsionadas pela fome, adotaram.

Em primeiro lugar, esqueceram-se de que

Deus é a fonte de tudo o que há de bom na vida…

Ou seja, quando eles encontraram Jesus e pediram outra refeição de graça, eles se vangloriavam do fato de Moisés ter fornecido pão do céu ao povo hebreu diariamente durante o período em que vagavam pelo deserto.

No entanto, Jesus corrigiu-os, salientando que a verdadeira origem daquele pão era Deus, e não Moisés. Essas pessoas, agindo pela fome, haviam esquecido a verdade essencial de que tudo o que possuímos nesta vida vem de Deus, pois Ele é a fonte de tudo.

Para colocar isso em perspectiva, uma vez ouvi um pregador anônimo expressar da seguinte forma: “Por trás do pão, temos a farinha branca; por trás da farinha, o moinho; e por trás do moinho, temos o trigo, a terra, a chuva, o sol; e por trás de tudo isso, temos a vontade do Pai.”

E é aqui que muitos de nós podemos errar hoje. Nossa condição financeira permite que enchamos armários com uma abundância de coisas. Como resultado, podemos esquecer facilmente a verdade fundamental de que tudo o que possuímos e tudo o que somos, simplesmente não existiria sem Deus.

Isso nos leva a um ponto importante que é mencionado no livro de João 1:1-3. Ele nos lembra de que, no princípio, existia o Verbo, e tudo foi feito por meio dele. Sem ele, nada do que existe teria sido feito. E Tiago também reforça esse ponto, dizendo que toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto e descem do Pai das luzes, que não muda e não tem variação nem sombra de mudança (Tg 1:17).

Portanto, é essencial que nunca cometamos o erro de permitir que nossas necessidades físicas nos impeçam de enxergar uma verdade fundamental: tudo o que temos, todas as nossas bênçãos são presentes de Deus. Para ilustrar isso, existe uma história sobre um agricultor que uma vez visitou uma grande cidade. Ao pedir comida em um restaurante, ele fez uma oração de gratidão antes de começar a comer. Jovens sentados na mesa ao lado zombaram dele perguntando se, de onde ele vinha, todos rezavam antes de comer. O fazendeiro respondeu de maneira perspicaz: “Todos, exceto os porcos”. Assim como esse agricultor sábio, devemos sempre lembrar de agradecer a Deus por cada bênção em nossa vida.

Além disso, um equívoco que essas pessoas da história haviam adotado era a crença de que…

Que grandes milagres saciariam a sua grande fome…

… quando, na verdade, os milagres só tendem a deixar a maioria das pessoas famintas por ainda MAIS milagres. Isso é similar a quando nós assistimos aos fogos de artifício na praia na virada do ano. Tendemos a esquecer que a beleza de um rojão desaparece assim que ele brilha no céu, e ficamos ansiosos pela próxima demonstração de luz e cor. Algo semelhante ocorreu neste episódio. Jesus havia acabado de alimentar aproximadamente 15.000 pessoas com a modesta refeição de um garoto e, no dia seguinte, algumas dessas mesmas pessoas estavam em busca de mais demonstrações do Seu poder.

Por isso, é importante lembrar que os evangelhos nos mostram que Jesus realizava milagres por duas razões principais. Ou Ele agia movido pela compaixão por alguém que sofria ou tinha a intenção de ensinar um princípio espiritual importante, sempre proclamando uma mensagem sobre Si mesmo ou sobre Seu reino. No caso desses galileus, parece que a mensagem que Jesus queria transmitir ao multiplicar os pães e peixes não foi compreendida. Em vez de aplicar o ensinamento de Jesus em suas vidas, eles insistiam em pedir mais demonstrações de Seu poder antes de acreditar no que Ele dizia.

Mas por que Jesus não atendeu ao pedido deles e realizou mais um milagre para convencê-los de que Ele era o Filho de Deus, o Pão da Vida? Acredito que foi porque Jesus sabia que não adiantaria muito se essas pessoas estivessem mais interessadas no milagre do que no milagreiro. Elas haviam acabado de presenciar um dos maiores atos de poder de Jesus e, se o primeiro milagre não as levou a acreditar que Ele era quem afirmava ser, é pouco provável que um segundo milagre tivesse esse efeito. Talvez essa seja uma das razões pelas quais Jesus, mesmo com todo o poder de Deus à sua disposição, era tão cauteloso ao realizar milagres. Ele sabia que eles atraíam muitas pessoas, mas raramente promoviam um arrependimento genuíno ou uma fidelidade duradoura.

Tendo isso em mente, é importante destacar que milagres não saciam nosso anseio por Deus. Mas apenas um relacionamento pessoal com o chamado Pão da Vida é capaz de fazer isso.

Ou seja, a salvação do mundo não viria através de milagres isolados – acalmar uma tempestade aqui, alimentar uma multidão ali, curar uma pessoa acolá. Pelo contrário, a salvação viria através de um mistério mais profundo e mais sombrio, centrado na própria morte de Jesus.

Jesus não veio ao mundo para fazer pães com um estalar de dedos. Ele veio para que suas mãos fossem perfuradas por pregos e seu corpo fosse sacrificado naquela Cruz pela salvação do mundo.

Agora, naquele dia, aqueles galileus definitivamente precisavam de um milagre, mas estavam buscando o tipo de milagre errado. Eles precisavam do milagre que é mais discreto e pessoal, porém mais poderoso, que vem do arrependimento dos nossos pecados e da aceitação de Jesus como Senhor e Salvador. A partir dessa decisão, experimentamos o milagre de uma alma salva e de um coração perdoado.

Isso nos leva ao terceiro ponto que essas pessoas famintas perderam naquele dia… Elas esqueceram-se de que

A essência da vida humana é espiritual… não físico.

Se você abrir seu aplicativo de rede social favorito agora mesmo, verá que a maioria das pessoas vivem preocupando-se apenas em atender seus desejos físicos. E se você olhar bem, vai ver que por trás dos corpos bonitos e bem alimentados, existe uma alma faminta que anseia por algo mais que nada material nessa vida pode suprir.

E é justamente nesse ponto que precisamos nos lembrar de que não somos simplesmente seres físicos, mas seres únicos – que por sinal, são as únicas criaturas em toda a criação de Deus que foram feitas à imagem Dele. Isso não quer dizer que necessariamente nos parecemos fisicamente com Deus, mas que em nosso interior, somos semelhantes a Ele. Deus é espírito e, ao contrário de rochas ou árvores, animais ou insetos, Ele soprou vida – um espírito – em cada um de nós.

Portanto, uma coisa que nos diferencia das demais criaturas do mundo é que a comida sozinha não nos satisfaz. Poderíamos ter toda a comida do mundo e ainda assim sentiríamos fome.

E isso é verdade, pois não importa onde você vá no mundo hoje, você encontrará pessoas desejando por algo mais do que apenas ter o estômago cheio. Há uma busca em todos nós por algo mais profundo e significativo.

Como Jesus disse a Satanás quando foi tentado a transformar pedras em pão para saciar Sua fome física, o ser humano não vive só de pão, mas de toda palavra que sai da boca de Deus (Mateus 4:4). Nós fomos criados para desejar mais do que apenas alimento físico; nós fomos criados também com a necessidade de alimento espiritual. E esse sustento só é encontrado em Jesus Cristo, o Pão da Vida.

Em nossos dias, quando você vai até o mercado para fazer suas compras, você seleciona diversos produtos, e geralmente o pão e o leite nunca ficam de fora.

No entanto, durante o tempo de Jesus, o pão tinha ainda mais relevância nas refeições diárias das pessoas. Note que a variedade de alimentos naquela região era limitada. Para muitas pessoas na Palestina, o pão era frequentemente o elemento principal na maior parte das refeições. Sem o pão, eles poderiam passar fome. O pão era indispensável, crucial para a sobrevivência física. Portanto, quando Jesus se autodenominou o “Pão da Vida”, Ele estava afirmando sua importância vital. Ele era o único de quem as pessoas verdadeiramente necessitavam para viver. No entanto, esses galileus famintos deixaram essa verdade passar despercebida, um erro que muitas pessoas ainda cometem nos dias atuais. Buscam em todos os cantos para preencher um vazio interno com algo mais, sem sucesso.

Conclusão

Com base nesse episódio na Galileia, Jesus estava tentando transmitir uma mensagem fundamental: existem necessidades mais profundas em nossas vidas que só podem ser atendidas através de um relacionamento com Ele.

Há uma necessidade de verdade, e Jesus é essa verdade, a resposta para todas as perguntas da vida. Há uma necessidade de vida, uma vida plena e eterna, e apenas Jesus pode proporcionar isso. Há uma necessidade de amor, um amor que persiste além da morte, e só Jesus pode nos oferecer esse amor.

Os prazeres deste mundo são efêmeros e se desvanecem. Somente um relacionamento com Jesus pode preencher o anseio eterno e a fome insaciável do coração e da alma humanos. Como Santo Agostinho uma vez orou, “Tu nos criaste para Ti e nossos corações estão inquietos até que encontrem repouso em Ti”. Somente em Jesus encontramos o alimento para nossas almas. Um alimento tão satisfatório que, como Ele diz no versículo 35, aqueles que vêm a Ele “nunca mais terão fome, nem sede”. É importante destacar que, em grego, a língua original do Novo Testamento, essa afirmação é muito enfática. Jesus realmente diz que quem vem à Ele – e somente à Ele – jamais terá fome ou sede. Ele usa uma dupla negação para enfatizar este ponto, que literalmente diz que quando chegamos a Ele, NUNCA mais teremos fome ou sede.

Apenas Ele pode saciar nossa fome espiritual, pois somente Ele é o Pão da Vida…

Mas, infelizmente, neste dia em que Jesus revelou ser o único Pão da Vida, muitos de seus seguidores se afastaram. No versículo 60, eles declararam: “Este é um ensinamento difícil. Quem pode aceitar?” No versículo 66, diz que: “A partir daquele momento, muitos de seus discípulos voltaram atrás e não mais o seguiram.”

E quanto a você, meu amigo? o que você vai fazer? Você está pronto para aceitar esse desafio e acreditar que Jesus é o único que pode saciar completamente a fome espiritual da sua vida? Você vai se afastar dele ou vai aceitá-lo como seu Salvador e Rei?

Lembre-se de que o maior milagre que Deus realiza, a maior demonstração de Seu poder é vista quando, através de Seu sangue derramado na cruz, quando Ele perdoa nossos pecados, nos salva e nos redime.

E Ele está pronto para realizar esse milagre em você hoje. Aceite a Cristo hoje mesmo!

Oração Final:

Deus Pai, nós Te agradecemos por Jesus, o Pão da Vida, que veio para saciar a fome da nossa alma. Pedimos que nos ajude a nunca esquecer que Tu és a fonte de todas as coisas boas em nossa vida e que todas as nossas bênçãos são presentes Teus. Ajuda-nos a não buscar somente os milagres, mas a entender e aplicar os ensinamentos que eles trazem. Que possamos sempre buscar um relacionamento pessoal com Jesus e não apenas as bênçãos temporárias deste mundo. Reconhecemos que nossa essência é espiritual e que só Tu podes preencher o vazio em nossos corações. Aceitamos Jesus como nosso Salvador e Rei e pedimos que continues a operar o milagre da salvação em nossas vidas. Em nome de Jesus, amém.

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