Rm 8:1–4 – Livres do Pecado e da Culpa

Rm 8:1–4 – Livres do Pecado e da Culpa

1º sermão da série “Romanos 8” — baseado em Romanos 8.1–4 para a Igreja Daehan em 05.06.22 por Diego Gonçalves

INTRODUÇÃO

Por favor, abra sua Bíblia no livro de Romanos 8. Deus colocou tantas verdades maravilhosas neste capítulo, que é realmente incrível. Então, gostaria de passar algum tempo nas próximas semanas estudando este grande capítulo junto com vocês.

Hoje, porém, vamos nos concentrar apenas nos versículos 1–4. Esses versículos nos ensinam que, como cristãos, fomos libertados do pecado pelo Espírito de Deus. Acredito que uma das nossas maiores armas contra o pecado e da culpa em nossas vidas é simplesmente uma compreensão clara da verdade que nos foi dada nestes quatro versículos — nós fomos libertados do pecado pelo Espírito de Deus.

Essa é uma grande verdade! Vamos olhar com mais profundidade para esses versículos juntos esta manhã.

Oração:

Senhor, enquanto lemos, meditamos e explicamos Tua Palavra, que o Teu Espírito Santo nos ajude a nos tornamos um povo mais consciente da tua obra em nós. Foi para a liberdade que Cristo nos libertou! Oramos, agradecidos! Amém!

I. Já não há nenhuma condenação para os que estão em Cristo Jesus. (versículo 1) — João 3:16–18

Vamos começar com o versículo 1:

“Romanos 8: 1. Agora, portanto, já não há nenhuma condenação para os que estão em Cristo Jesus.”

— Romanos 8:1, NVT

O versículo 1 é uma declaração de fato. É uma declaração muito forte e precisa. Não há, neste exato momento, nenhuma condenação para aqueles que estão em Cristo Jesus. Pois de fato, aqueles que estão em Cristo, foram libertados da condenação do pecado. Na língua original, a ênfase neste versículo recai diretamente na palavra “Não”. NÃO há condenação para você que está em Cristo, nenhuma condenação sequer!

No entanto, muitos de nós ainda continua lutando com o pecado e com a culpa em nossas vidas quando, de fato, já fomos libertos. Olhe de novo para a Escritura e repare numa coisa: Perceba a palavra “agora” no versículo 1.

“Portanto, agora não há condenação.” Em certo sentido, Paulo está dizendo: “Agora que Cristo chegou em sua vida… agora que você colocou sua fé em Cristo… não há qualquer condenação para você”.

Perceba que essa afirmação se refere ao tempo presente. Quando Paulo fala de condenação e perdão, não está falando apenas do céu e do inferno no futuro. Para o apóstolo Paulo, Nossa condenação ou a anulação da nossa condenação são realidades presentes.

João 3. 16–18 diz o seguinte:

16. “Porque Deus amou tanto o mundo que deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. 17. Deus enviou seu Filho ao mundo não para condenar o mundo, mas para salvá-lo por meio dele. 18. “Não há condenação alguma para quem crê nele. Mas quem não crê nele já está condenado por não crer no Filho único de Deus. — João 3: 16–18

Você precisa entender isso! Quem acredita em Jesus “não está condenado”, e isso se refere agora e aqui no presente, mas quem não acredita já está condenado, agora e aqui, no presente. Por quê? Porque não acredita no nome do único Filho de Deus.

Vamos voltar a Romanos 8… a palavra traduzida como “condenação” aqui carrega não apenas a ideia de “condenado como culpado”, mas se refere também da punição real que se segue à sentença.

ILUSTRAÇÃO: Um bom exemplo aqui seria o de uma casa condenada. Uma casa condenada não é apenas considerada insegura para se viver, mas há um julgamento pairando sobre essa casa. O que se deve fazer a uma casa condenada? Uma casa condenada precisa ser derrubada e destruída. A palavra “condenação”, então, engloba tanto a condição da casa quanto ao seu destino futuro.

Do mesmo modo, quando Romanos 8:1 diz que não há condenação para o crente, isso significa que não há sentença de culpa e nem punição correspondente para aquele que está em Cristo Jesus.

Finalmente, a frase “em Cristo Jesus” aqui no versículo 1 descreve aqueles para quem não há condenação. E o que significa estar “em Cristo?” Significa que foram unidos a Cristo pela fé. Estes que estão em Cristo, são aqueles que colocaram sua fé em Jesus como o único Filho de Deus que morreu na cruz por seus pecados.

Mas também são aqueles que confessaram seu próprio pecado e indignidade e confiaram na provisão de Deus para eles através de Cristo. Por isso estão em Cristo, e portanto, não há condenação. Pois foram libertos da condenação do pecado.

II. Por que não há condenação? Porque a lei do Espírito nos libertou da lei do pecado. (versículo 2)  — Romanos 7:12

Então esse é o versículo um. O versículo dois nos diz a razão pela qual não há condenação para aqueles que estão em Cristo.

“ Pois em Cristo Jesus a lei do Espírito que dá vida os libertou da lei do pecado, que leva à morte. — Romanos 8: 2.

A palavra “lei” pode ser uma palavra complicada na Bíblia, porque pode ter vários significados diferentes, dependendo do contexto. Ainda hoje usamos a palavra “lei” de maneiras diferentes. Às vezes, usamos a palavra “lei” para nos referir a um estatuto escrito: seja um limite de velocidade publicado ou uma lei contra roubo. Outras vezes, usamos a palavra “lei” para nos referir a um princípio recorrente, como a lei da gravidade ou as leis da física.

Por exemplo, se eu segurar um objeto pesado sobre sua cabeça e deixá-lo cair, a lei da gravidade me diz que você não ficará muito feliz comigo. Neste sentido, existem três tipos diferentes de lei que encontramos nesses primeiros versículos de Romanos 8: a lei de Moisés, a lei do pecado e a lei do Espírito.

A lei de Moisés é um exemplo de lei escrita. Ela se refere aos mandamentos que Deus nos deu para obedecer, especialmente nos Dez Mandamentos. Mas a lei do pecado e a lei do Espírito são leis de princípio ou força. A lei do pecado é o princípio da minha natureza pecaminosa que se rebela contra Deus e deseja o pecado em detrimento da justiça. A lei do Espírito é o princípio do Espírito Santo vivendo dentro de mim, que deseja justiça sobre o pecado.

Presta atenção no que eu vou dizer agora: Quero que você observe três distinções importantes sobre essas leis:

1) a lei de Moisés tem justiça, mas não tem poder;
2) a lei do pecado tem poder, mas não tem justiça;
3) a lei do Espírito tem justiça e poder.

Deixe-me explicar o que quero dizer.

a. A lei de Moisés tem justiça, mas não tem poder.

Romanos 7:12 diz: “A lei é santa, e o mandamento é santo, justo e bom”. A lei que Deus deu a Moisés era santa. Foi um reflexo do caráter justo de Deus. Não havia nada de errado com a lei, exceto nossa incapacidade de mantê-la. A lei de Moisés tem justiça, mas não oferece poder para guardar a lei.

b. A lei do pecado tem poder, mas nenhuma justiça.

A lei do pecado é aquele princípio do pecado dentro de mim que me impede de obedecer à lei de Moisés. A lei do pecado dentro de mim não deseja a justiça de Deus, mas se rebela contra as leis de Deus. A lei do pecado tem grande poder, mas não tem justiça.

c. A lei do Espírito tem justiça e poder.

A lei do Espírito é o princípio do Espírito Santo de Deus vivendo dentro de mim, desejando justiça e me dando o poder de obedecer aos mandamentos de Deus. Portanto, a lei do Espírito tem justiça e poder.

Observe que Paulo chama a lei do Espírito de “a lei do Espírito da vida”, e ele chama a lei do pecado de “a lei do pecado e da morte”. Isso ocorre porque a lei do Espírito leva à vida, enquanto a lei do pecado leva à morte.

Paulo diz que, se você está em Cristo, então a lei do Espírito da vida o libertou da lei do pecado e da morte. O poder do Espírito Santo é um poder maior do que o poder do pecado. Sim, você ainda luta com a natureza pecaminosa depois de vir a Cristo, mas não é mais escravo da natureza pecaminosa. As correntes foram quebradas. Você foi libertado da lei do pecado e da morte pela lei do Espírito da vida.

O resto de Romanos 8 examinará essa verdade mais detalhadamente.

III. Por que precisamos da lei do Espírito? Porque a Lei de Moisés era impotente para ajudar, Deus enviou seu Filho e condenou o pecado. (versículo 3) — Lucas 18:27

Por que precisamos da lei do Espírito? Encontramos a resposta no versículo 3:

“Pois o que a lei era impotente para fazer na medida em que estava enfraquecida pela natureza pecaminosa, Deus fez enviando seu próprio Filho à semelhança do homem pecador para ser uma oferta pelo pecado.” — Romanos 8:3

A palavra “lei” aqui no versículo três se refere à lei de Moisés, que outorgava os mandamentos de Deus.

Então, Por que precisamos da lei do Espírito? Porque a lei de Moisés era impotente para ajudar. A palavra traduzida como “impotente” no versículo 3 também pode ser traduzida como “impossível”. É a mesma palavra que Jesus usou quando disse: “O que é impossível para os homens é possível para Deus”. (Lucas 18:27)

E o que era impossível para a lei de Moisés fazer? Era impossível para a lei de Moisés nos libertar do pecado. Por que a lei de Moisés era impotente? O versículo 3 diz porque “foi enfraquecido pela natureza pecaminosa”. O verbo no idioma original significa “continuamente enfraquecido”.

A lei perfeita de Deus, que tem justiça, mas não tem poder, foi continuamente enfraquecida pela minha natureza pecaminosa, que tem poder, mas não justiça. Neste sentido, posso dizer que o problema não é com os mandamentos. O problema é comigo. Eu tenho uma natureza pecaminosa que não quer obedecer à lei de Deus. A lei é como um espelho. Um espelho pode mostrar que seu rosto está sujo, mas não pode limpar seu rosto para você. Da mesma forma, a lei pode mostrar que você é pecador, mas não pode tirar seu pecado. E como minha natureza pecaminosa enfraquece isso? O melhor espelho do mundo inteiro não vai me ajudar se eu não tiver vontade de lavar meu rosto.

A lei de Deus era santa, justa e boa, mas eu não desejava seguir a lei de Deus. A lei era impotente para me ajudar, porque estava enfraquecida pela minha natureza pecaminosa. Mas o que era impossível para a lei fazer, Deus fez. E como ele fez isso?

Olhe novamente para o versículo 3: “… enviando seu próprio Filho à semelhança de um homem pecador para ser uma oferta pelo pecado.”

As palavras “seu próprio Filho” são enfáticas nesta seção. Deus não enviou um anjo, um agente ou o filho de outra pessoa. Deus enviou seu próprio Filho “à semelhança do homem pecador”. Esta é uma declaração muito cuidadosamente formulada sobre Jesus: “à semelhança do homem pecador”.

Eu gosto do que John Stott diz sobre esta frase:

“não ‘como uma pessoa pecadora’, pois Jesus não tinha pecado; não ‘à semelhança da humanidade’, pois Jesus era totalmente humano; mas ‘à semelhança da humanidade pecadora’, pois Jesus era completamente sem pecado e totalmente humano”. (John Stott)

O versículo 3 termina dizendo o seguinte: “e assim ele condenou o pecado no homem pecador”. Imagine comigo por um momento uma casa velha com a palavra “PERIGO” escrita na frente em letras grandes e em negrito e, em seguida, imagine uma placa “Condenada” pendurada naquela casa. Agora imagine uma grande bola de demolição balançando e demolindo toda a estrutura. Isso é o que a lei não poderia fazer. Não poderia condenar o pecado e destruir seu poder em sua vida. Mas Deus enviou seu Filho para condenar o pecado por nós.

Não estamos mais condenados, porque Deus já condenou o pecado em Jesus Cristo. “O que a lei era impotente para fazer… Deus fez enviando seu próprio Filho.” (Romanos 8:3)

IV. Qual era o propósito de Deus ao condenar o pecado? Para que a justa exigência da lei possa ser cumprida em nós que vivemos pelo Espírito. (versículo 4)

E por que Deus fez isso por nós? Qual era o propósito de Deus ao condenar o pecado?

Olhe para o versículo 4:

“… para que as justas exigências da lei possam ser plenamente atendidas em nós, que não vivemos de acordo com a natureza pecaminosa, mas de acordo com o Espírito.” — Romanos 8:4

O propósito de Deus ao enviar seu Filho e demolir o poder da lei do pecado em nossas vidas era para que a justa exigência da lei pudesse ser cumprida em nós. Nossas bíblias às vezes traduzem essa palavra no plural como “requisitos”, mas no texto original essa palavra “requisito” está no singular. Em outras palavras, não se refere a todos os muitos requisitos da lei, mas ao único requisito geral da lei de ser justo aos olhos de Deus. Observe que esse requisito — o requisito de ser justo aos olhos de Deus — esse requisito é “totalmente cumprido em nós”. Nós mesmos não atendemos aos requisitos. Nós nunca poderíamos, porque não somos justos em nós mesmos.

Mas a exigência se torna plenamente atendida em nós através da fé em Cristo à medida que vivemos nossas vidas, não de acordo com a natureza pecaminosa, mas de acordo com o Espírito de Deus que agora vive em nós.

REVISÃO:

Vamos revisar todos os quatro versículos por um momento.

Versículo 1: Não há condenação para aqueles que estão em Cristo Jesus. Versículo 2: Por que não há condenação? Porque a lei do Espírito nos libertou da lei do pecado. Versículo 3: Por que precisamos da lei do Espírito?
 Porque a lei de Moisés era impotente para ajudar, Deus enviou seu Filho e condenou o pecado. Versículo 4: Qual foi o propósito de Deus ao condenar o pecado? Para que a justa exigência da lei possa ser cumprida em nós que vivemos pelo Espírito.

Veja, a lei do Espírito faz tudo! Ele cumpre a justa exigência da lei de Moisés e nos liberta do poder da lei do pecado. Através de Cristo, fomos libertados do pecado pelo Espírito de Deus.

CONCLUSÃO:

Se você está em Cristo esta manhã, você foi libertado do pecado pelo Espírito de Deus. A pergunta que eu faço agora é: você está pronto para andar em liberdade pelo poder do Espírito de Deus?

É sobre isso que falaremos na próxima semana, quando olharmos para viver de acordo com o Espírito.

Deus te abençoe!

Por Diego Gonçalves. 

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Diego Souza

Sou ministro na Igreja Holiness e amo escrever. Graduando em Letras pela UNIVESP, com Bacharel em Teologia pela UMESP e com pós em Novo Testamento pela EST, neste blog compartilho meus pensamentos sobre a vida cristã e o cotidiano, buscando conectar a fé com o dia a dia.