Mc 5:21-43 – O Poder da Fé em Jesus

Mc 5:21-43 – O Poder da Fé em Jesus

Escrito por Diego Gonçalves e pregado no MEP da Igreja DaeHan em 17/08/2021.

Palavra:

Abra a sua Bíblia no Evangelho segundo Marcos, capítulo 5, a partir do versículo 21.

21. Tendo Jesus voltado no barco, para o outro lado, afluiu para ele grande multidão; e ele estava junto do mar. 22. Eis que se chegou a ele um dos principais da sinagoga, chamado Jairo, e, vendo-o, prostrou-se a seus pés 23. e insistentemente lhe suplicou: Minha filhinha está à morte; vem, impõe as mãos sobre ela, para que seja salva, e viverá. 24. Jesus foi com ele. Grande multidão o seguia, comprimindo-o. 25. Aconteceu que certa mulher, que, havia doze anos, vinha sofrendo de uma hemorragia 26. e muito padecera à mão de vários médicos, tendo despendido tudo quanto possuía, sem, contudo, nada aproveitar, antes, pelo contrário, indo a pior, 27. tendo ouvido a fama de Jesus, vindo por trás dele, por entre a multidão, tocou-lhe a veste. 28. Porque, dizia: Se eu apenas lhe tocar as vestes, ficarei curada. 29. E logo se lhe estancou a hemorragia, e sentiu no corpo estar curada do seu flagelo. 30.Jesus, reconhecendo imediatamente que dele saíra poder, virando-se no meio da multidão, perguntou: Quem me tocou nas vestes? 31. Responderam-lhe seus discípulos: Vês que a multidão te aperta e dizes: Quem me tocou? 32. Ele, porém, olhava ao redor para ver quem fizera isto. 33. Então, a mulher, atemorizada e tremendo, cônscia do que nela se operara, veio, prostrou-se diante dele e declarou-lhe toda a verdade. 34. E ele lhe disse: Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz e fica livre do teu mal. 35. Falava ele ainda, quando chegaram alguns da casa do chefe da sinagoga, a quem disseram: Tua filha já morreu; por que ainda incomodas o Mestre? 36. Mas Jesus, sem acudir a tais palavras, disse ao chefe da sinagoga: Não temas, crê somente. 37. Contudo, não permitiu que alguém o acompanhasse, senão Pedro e os irmãos Tiago e João. 38. Chegando à casa do chefe da sinagoga, viu Jesus o alvoroço, os que choravam e os que pranteavam muito. 39. Ao entrar, lhes disse: Por que estais em alvoroço e chorais? A criança não está morta, mas dorme. 40. E riam-se dele. Tendo ele, porém, mandado sair a todos, tomou o pai e a mãe da criança e os que vieram com ele e entrou onde ela estava. 41. Tomando-a pela mão, disse: Talitá cumi!, que quer dizer: Menina, eu te mando, levanta-te! 42. Imediatamente, a menina se levantou e pôs-se a andar; pois tinha doze anos. Então, ficaram todos sobremaneira admirados. 43. Mas Jesus ordenou-lhes expressamente que ninguém o soubesse; e mandou que dessem de comer à menina.”

Oração: 🙏

Senhor, abra nossos corações para que possamos compreender a mensagem que está sendo explicada e aplicá-la em nossas vidas. Que essa palavra nos traga paz, conforto e esperança em tempos difíceis. Amém.

Introdução

Nossas histórias estão todas conectadas, muito mais do que você imagina. Isso se deve ao fato de que nossa história está inserida na grande história de Deus.

Quando Jesus tinha 18 anos, um pai se alegrou ao ver sua filha nascer nesse mundo. O nome do pai era Jairo, que era dirigente de uma respeitável sinagoga. — para os judeus, só existe um Templo, mas se um judeu não pudesse frequentar o Templo, ele deveria se dirigir a uma sinagoga para poder ler e estudar a Palavra de Deus. Assim, Jairo era o líder da sinagoga. Ele lia, estudava, ensinava e ministrava a Palavra de Deus aos seus conterrâneos e muito se alegrou com a chegada de sua pequena filha.

Do outro lado da cidade, uma mulher, cujo nome desconhecemos, recebeu um diagnóstico médico nada positivo.

É aqui que nossa história começa. No mesmo ano em que Jesus acabara de completar a maioridade, um pai celebrava o nascimento de sua filha, enquanto uma mulher recebia uma notícia desagradável.

Doze anos depois, Jesus, agora com 30 anos de idade, começou seu ministério. A filha do chefe da sinagoga, agora na adolescência, estava muito doente e acamada, à beira da morte, e esperava por socorro. No mesmo ano, uma mulher anônima, tendo gastado todo o dinheiro que tinha em consultas e tratamentos médicos durante 12 anos, continuava lutando contra sua doença — um sangramento hemorrágico.

Não sabemos as condições financeiras dessa mulher, se era rica ou se tinha recebido uma herança, mas sabemos que ela havia gastado tudo o que tinha.

Lucas, o evangelista que também era médico e nos conta essa história, afirmou que nenhum médico seria capaz de restaurar a saúde dessa mulher.

Por outro lado, o Evangelista Marcos nos diz que esses tratamentos médicos, pelos quais a mulher gastou todo o seu dinheiro, em vez de ajudar, só pioravam a condição de saúde da sofrida mulher.

Bom… É sobre isso que vamos meditar nesta noite.

No entanto, hoje eu gostaria de transformar esta pregação em oração. Vamos ver o que acontece quando o medo dá lugar à fé, quando a vergonha dá lugar à ousadia, quando a indignidade dá lugar à dignidade, e quando a desesperança dá lugar à esperança. Quero que você se insira nesta história…

Imagine-se no meio da multidão, ouvindo e vendo tudo isso acontecer. Mentalize agora que você se aproxima dos personagens dessa história, principalmente de Jesus.

Próximo a eles, você ouve os primeiros discípulos comentando com Mateus, que acabara de entrar para o grupo dos Doze.

Eles dizem:

“Estávamos atravessando o Mar da Galileia, e de repente, um grande temporal nos afligiu. Mesmo sendo alguns de nós pescadores e especialistas em navegação e embarcações, não dávamos conta daquela situação. Nós olhávamos para o mestre e ele ali dormindo, tranquilo, descansando sob as asas do Altíssimo. Nós não tínhamos a mesma paz e tranquilidade que Ele. Pelo contrário, desconfiávamos que morreríamos ali.”

“Então, nós o acordamos e dissemos-lhe: ‘Mestre, não te importa que pereçamos?’”

“Então vimos com nossos próprios olhos o Mestre se levantar, abrir os seus braços e pronunciar as palavras:”

— “Mar… acalme-se! Vento, silêncio!”

— Na mesma hora, o mar e o vento obedeceram à sua voz. Foi incrível, nunca vimos algo assim! Quem é este que até o mar e o vento obedecem à sua voz?

Depois disso, Jesus voltou a deitar-se e continuou descansando sob as asas do Altíssimo. E nós continuamos a viagem tranquilamente. Entretanto, ali, naquela ocasião, o mestre falou algo que nos marcou profundamente: Ele disse assim:

“Por que sois assim tão tímidos? Por que não tendes fé?”

Essas palavras ainda estão ecoando em nossos ouvidos! E você continua ali, no meio daquela multidão, e ouve mais uma história:

“Você já sabe o que aconteceu lá em Gadara? Quando chegamos lá na outra margem do mar da Galiléia, um homem possuído por uma legião de demônios veio correndo dos sepulcros. Aquele homem tinha sido preso várias vezes. Mas os demônios eram tão furiosos na vida dele que toda vez que ele estava preso, arrebentava as cadeias, quebrava as correntes e despedaçava os grilhões. E conseguia fugir, e ninguém podia contê-lo. Ele andava noite e dia, atormentado pelos espíritos malignos, gritando e uivando pelos sepulcros das montanhas.

Mas quando ele viu Jesus sair do barco e pisar naquela terra de Gadara, aquele endemoniado desceu correndo lá de cima da montanha, desesperadamente correndo, e se jogou diante dos pés do Mestre.”

E aqui nesse ponto: cabe aquilo que João Evangelista fala no primeiro capítulo do seu Evangelho:

“Nele estava a vida, e esta era a luz dos homens. 5. A luz brilha nas trevas, e as trevas não a derrotaram. 9. Estava chegando ao mundo a verdadeira luz, que ilumina todos os homens. 10. Aquele que é a Palavra estava no mundo, e o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o reconheceu. 11. Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam. 12. Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus” (João 1.4-12)

Aquele endemoniado vem e se joga aos pés de Jesus. E imediatamente, Jesus liberta aquele homem de um grande cativeiro. Agora, aquele homem atormentado era um homem livre, livre para adorar, livre para amar, livre para viver e livre para ser livre. Mas o povo de Gadara não gostou muito da nossa estadia lá, porque Jesus permitiu que aquela legião de demônios entrasse em uma manada de porcos selvagens.

— Você está dizendo que aqueles Javalis que eram criados por aquele povo gentio de Gadara?

— Sim! Você sabe que nós, Judeus, não comemos carne de porco né?

— Sei!

— Então… aquela manada, possuída por uma legião, se jogou de um abismo e caíram no mar… Não sobrou um sequer… Por isso, precisamos voltar correndo. Os comerciantes de Gadara ficaram doidos de raiva!

— E aquele homem endemoninhado?

— Ele queria vir com a gente. Te juro! Ele aceitou Jesus e entregou a sua vida totalmente ao Senhor! E Jesus dele um missionário em Decapólis.

— Logo em Decápolis? Decapólis não é a capital do pecado?

— É sim… Foi justamente pra lá que Deus enviou. Pois Aquele que o chama, o sustentará!

Outra conversa surgiu no contexto:

— Fiquei sabendo que ele curou um paralítico. Me disseram que foi preciso remover o telhado da casa para que o paralítico chegasse até Ele.

— Sim… isso mesmo! Foi incrível… estávamos ouvindo o mestre pregar, de repente, começa um barulho no telhado… pensávamos que o teto ia cair sobre nós… mas então, vimos que haviam uns rapazes descendo seu amigo lá de cima do telhado… Jesus orou por ele e ele saiu andando! Carregando a sua maca!

Nesse momento, se ouvia a multidão sussurar:

— Quem é esse que até o mar, o vento, os demônios e a doença o obedecem?

Era essa a conversa que se contava no meio daquela multidão!

Este é o nosso Senhor e nós o servimos. Ele cura os doentes e ressuscita os mortos. E mais do que isso, ele dignifica as pessoas. Ele não devolve apenas a saúde, os bens e a vida. Ele devolve a dignidade da pessoa humana!

Foi o que Jesus fez com o cego Bartimeu, aquele que ficava na sarjeta gritando e ninguém dava atenção. Até que um dia ele se encontrou com Jesus, e Jesus lhe deu mais do que a visão, deu-lhe também a dignidade de ser ouvido, de ser tocado, de ser perdoado!

Este Jesus resgata nossa dignidade humana. Ele nos livra do jugo da discriminação. Foi assim que ele fez com essa mulher anônima que vivia de cabeça baixa, encurvada, “sem poder olhar para cima”… Jesus fez questão de que essa cura fosse revelada, porque Jesus queria conceder a essa mulher mais do que a cura física. Jesus queria lhe dar a cura das suas emoções.

Ainda que ela lhe tivesse roubado a cura, Jesus não deixaria ela roubar o testemunho. Jesus fez dessa mulher um exemplo vivo da simplicidade e da acolhida do novo reino que Jesus estava proclamando. Um reino de amor, de justiça, de respeito com a dignidade, inegociáveis que toda pessoa humana carrega consigo, seja qual for sua situação.

Ilustração. Uma vez ouvi a história de um médico que amava sua profissão. Ele dizia que só de puxar as pálpebras para baixo, ele sabia se você estava com anemia ou com problemas no fígado. Quando colocava o abaixador de língua na sua boca e pedia para você dizer “ahhhhhh”, ele não estava com inveja do seu dentista, mas ao ver o estado da sua língua, revelava muita coisa, como problemas gástricos e até má nutrição.

Quando usava o estetoscópio no tórax ou nas costas e pedia para você falar “33”, só de você fazer isso, ele já sabia como estava o estado do seu pulmão! Quando apertava o seu abdômen, ele sabia se você tinha gases ou não. E ele também ouvia o seu coração. Neste exato momento, estou me lembrando do bom cardiologista que Deus colocou em minha vida. Que Deus o continue abençoando.

Só de ouvir o coração da gente, um médico sabe como está o funcionamento das válvulas cardíacas. Essa era a rotina do médico dessa história. Ele fazia isso toda vez que via seu paciente.

Certa vez, ele teve que examinar um paciente em particular que estava em seu leito de morte. Mas infelizmente, não havia mais nada que pudesse ser feito. Um exame clínico não era mais necessário. Naquela ocasião, o paciente já estava desenganado e aquele seria seu último dia na terra. Mas quando o paciente, porém, viu seu médico chegando, mesmo enfermo e debilitado, só de ver o médico chegar, ele começou a desabotoar seu pijama, pois queria ser examinado, queria ser visto, ser tocado, ouvido; queria ser lembrado de sua dignidade, mesmo que não pudesse ser curado.

Esse é o poder do toque. O toque tem o poder de fazer bem. O toque tem o poder de devolver a dignidade das pessoas.

E em nossa história há alguns tipos de toques: o toque de Jesus e o toque dos homens. Em relação ao toque dos homens há duas variações: há quem toca pelo toque, e há quem toca pela fé.

Pois, afinal, muitos tocaram Jesus. Foram muitos os que pegaram em Jesus… Os próprios discípulos testificaram dizendo: a multidão te aperta, Senhor!

E no processo religioso nós encontramos essa imagem o tempo todo. Milhares orando, tocando, cantando, ajoelhando, pegando, mas são gente que pegam por pegar, que tocam por tocar… que oram sem intenção, que cantam sem adorar, que ouvem sem crer. Mas estão ali em volta… são os curiosos na multidão… fazem parte do fã clube da adoração… que tocam e não alcançam, que andam junto e não recebem, que ouvem e não guardam as palavras. Que se esbarram, pegam, apalpam, tocam mas fazem tudo isso sem intenção.

Mas há um toque diferente… É o toque de uma mulher invisível, com vergonha de todo mundo, encurvada, no meio da multidão, se estica totalmente e toca na orla do manto de Jesus… Mas toca com a intenção da fé sincera e genuína. Essa mulher que andava doente, triste, tímida, abandonada, desprezada, chega sozinha e toca na roupa de Deus…

Mas o poder não estava na roupa, o poder não estava no manto, o poder estava na fé… E a fé é uma coisa maravilhosa, porque Jesus não precisou sequer liberar uma palavra.

O que este texto ensina é que a busca da genuína necessidade em fé e amor, confiando em si mesmo, já carrega a resposta da oração. Quando a mulher tocou em Jesus, o poder fluiu dele e ele disse: “Eu senti que de mim saiu virtude”. Isso significa que Jesus está dizendo que todos aqueles que tocarem nele assim, receberão.

Isto equivale dizer que se alguém se aproximar de Jesus com uma fé que não é curiosidade nem doutrinação, mas é confiança visceral, e que é questão de vida ou morte, que se entrega com uma disposição interior bem fundamentada, que enfrenta as adversidades e a vergonha, que se mete no meio da multidão e encara tudo e a todos… enfrenta tudo isso, porque sabe em seu coração que receberá.

Diante de Deus, tal pessoa de fé, antes de receber, já recebeu. Pois se a causa é justa e o motivo é santo, quem quer que chegue assim diante de Deus já recebeu! Ele mesmo disse que tudo o que você pedir com fé, com fé receberá, com uma única condição: se “tudo” que você pedir estiver relacionado a pedidos coerentes com a Palavra e vontade de Deus. Então Deus concederá.

Foi assim com a mulher anônima. Jesus disse:

— Quem me tocou? Quem me tocou? Quem me tocou?

— Quem te tocou?

— Os discípulos responderam.

— Mestre, a multidão está aí te apertando, te apalpando…

— Muitos te tocam, Senhor!

— Muitos te tocam!

Mas no meio dessa multidão de mãos esticadas e erguidas, poucas tocam com fé. Jesus olha ao redor e vê aquele monte de mãos pegando nele, e nenhuma tocando nele… Ele olhava ao redor para ver aquela que fizera isso… Então, a mulher atemorizada, cônscia do que nela se operara, veio e prostrou-se diante de Jesus e declarou-lhe toda a verdade.

“Fui eu!”, disse ela. “Eu saí de casa crendo que, se eu apenas tocasse na aba das suas vestes, eu seria curada. E quando eu te toquei, senti que a minha hemorragia parou e sentia que o meu corpo se revitalizava com uma força que eu jamais pensei que teria.” E ela disse isso de joelhos, prostrada diante dele, falando-lhe toda a verdade aos pés.

E ele lhe disse: Filha, a Tua fé te salvou! Vai te em paz! Fica livre do teu mal Vai te em paz, a tua fé te salvou. fica livre do teu mal!

Nós, de fato, não aproveitamos Deus. Não aproveitamos Jesus. A maioria de nós faz parte apenas dessa multidão de curiosos. Faz parte dessa grande multidão do pouco que se reune, que acha legal, que pega como quem diz: peguei.

Ah, eu sei… Ah, eu conheço Ele… Hoje em dia, eu o reconheço até de longe, de tanto que eu já andei com Ele. Tudo o que Ele fala, eu ouço. É uma maravilha, não é? Você já ouviu os sermões que Ele prega? Você precisa ver as orações que Ele faz! Tanta gente sendo curada, é uma coisa linda de se ver! Por isso que eu estou sempre perto dele. Não falto em nenhuma reunião. Estou sempre pegando nele. E comigo, uma multidão de gente apalpando-o também.

E é nesse espírito da religião, nesse espírito da osmose, que se pensa que só de estar perto vai vazar alguma virtude pra ela. Mas sem essa entrega radical do coração.

Essa entrega radical, frequentemente nos alcança quando tudo na vida saiu do nosso alcance. Em geral, as decisões radicais do nosso coração em relação a Deus acontecem quando todas as nossas alternativas e soluções humanas nos fogem ao alcance. É geralmente assim que a alma funciona.

Mas enquanto esse momento de impotência radical não atinge o indivíduo, a maioria vai se enganando no toque, achando que na multidão encontrará a cura. Se alegrando com a cura dos outros, mas ele mesmo não quer tratar da sua, não sabe o que fazer se for curado. Muitas mãos, nenhum toque, ninguém. Exceto um toque!

Por que desperdiçamos tanto tempo? O evangelho não é um cardápio que só vemos, mas sim um prato que deve ser provado, mastigado, saboreado e experimentado.

Para que possamos usufruir de seus benefícios, precisamos recebê-lo e tocá-lo com fé verdadeira. Quando isso acontece, o processo é instantâneo e a graça se instala na mesma hora, sem que haja oceano ou abismo capaz de separá-la.

Quando alcançamos essa graça, não há espaço para mais nada além do agraciado e de Jesus. As coisas espirituais anulam as multidões, e só sobra espaço para a verdade.

E a verdade é encontrada na busca da mulher. A verdade é Jesus. Ele é tudo que precisamos!

Todos nós, inclusive Jairo. Lembre-se de que em nossa leitura do evangelho de hoje, tem lugar para mais uma história: A Filha de Jairo. Na verdade essa é a história primeira. O milagre da mulher anônima aconteceu a caminho da casa do chefe da Sinagoga, Jairo. Pode ser que Jesus esteja a caminho da casa de alguém hoje aqui. Se você não é o anfitrião, então sua entrega deve ser semelhante a daquela mulher.

A história da cura da filha de Jairo é uma das mais emocionantes do evangelho. Reveja o cenário: Jairo era um homem importante, líder da sinagoga, e certamente não era fácil para ele se humilhar perante Jesus e pedir ajuda.

Mas Jairo estava desesperado. Sua filha estava morrendo e ele não sabia mais o que fazer. Ele já havia procurado todos os médicos e especialistas, mas nada havia funcionado. Então ele ouviu falar de Jesus e decidiu correr o risco de pedir ajuda a ele.

E assim ele fez. Ele se ajoelhou diante de Jesus e implorou que ele curasse sua filha. E Jesus, vendo a fé de Jairo, decidiu acompanhá-lo até sua casa.

Mas no caminho, eles foram interrompidos por uma mulher que sofria de hemorragia há doze anos. Ela também havia ouvido falar de Jesus e decidiu que se conseguisse tocar em suas vestes, seria curada.

E acabamos de ver que foi exatamente o que aconteceu. Ela tocou em suas vestes e foi curada instantaneamente. Jesus então parou para falar com ela e confortá-la, tal como apresentamos aqui.

Justamente nesse momento de alegria daquela mulher, Jairo recebeu a notícia de que sua filha havia falecido.

Imagine a dor daquele Pai naquele momento. Ele havia acabado de perder sua filha e tinha acabado de ver Jesus curar outra pessoa. Ele poderia ter perdido a fé e desistido. Poderia ter dado uma bronca naquela mulher, mas ele não fez isso. Ele ainda acreditava no poder de Jesus e permitiu que ele fosse até sua casa.

E quando chegaram lá, Jesus viu que havia muitas pessoas chorando e lamentando a morte da menina. Mas ele disse a Jairo: “Não temas, crê somente”. E então ele entrou no quarto onde a menina estava e a tomou pela mão, dizendo: “Talita cumi”, que significa “menina, eu te digo, levanta-te”, ou ainda, “Levanta, meu bem, é hora de acordar”.

E imediatamente a menina se levantou e começou a andar. Jairo e sua esposa ficaram maravilhados e agradecidos por esse milagre.

Essa história nos ensina muitas coisas. Nos mostra a diferença entre os religiosos que cultuam sem cultuar, oram sem crer e cantam sem adorar. Entretanto, mostra também aqueles/as que se entregam a Jesus com fé verdadeira. Sobretudo, mostra principalmente que a fé verdadeira é capaz de mover montanhas.

Aquela mulher poderia ter desistido. Jairo também poderia ter desistido. Ambos poderiam ter deixado a fé e perdido a esperança. Mas eles não fizeram isso. Ambos continuaram acreditando em Jesus e permitiram que ele realizasse o milagre em sua vida.

E nós também precisamos ter essa mesma fé. Precisamos acreditar em Jesus e permitir que ele entre em nossas vidas e faça milagres. Não importa o quão difícil ou impossível pareça a situação, a fé verdadeira é capaz de superar tudo.

Que possamos seguir o exemplo desta mulher anônima e também de Jairo e confiar em Jesus, independentemente das circunstâncias. Que possamos crer somente e permitir que ele faça maravilhas em nossas vidas.

Oração

Senhor, agradecemos por esta mensagem que nos mostra o poder da fé em Jesus. Obrigado por nos lembrar que não importa a situação em que nos encontramos, a fé verdadeira é capaz de nos levar ao encontro de Jesus e fazer maravilhas em nossas vidas. Ajuda-nos a confiar em Ti, mesmo quando as circunstâncias parecem impossíveis. Que possamos ter a coragem de nos aproximar de Ti e tocar em Tuas vestes com a fé sincera e genuína. Obrigado por nos dignificar e nos libertar de toda a opressão e discriminação. Que possamos seguir o exemplo daquela mulher anônima e de Jairo, que confiaram em Ti e viram milagres acontecerem em suas vidas. Que possamos crer somente em Ti e permitir que a Tua graça se instale em nossas vidas. Em nome de Jesus, amém.

Por Diego Gonçalves.


Gostou deste artigo? Então compartilhe com seus amigos e familiares para que eles também possam aprender mais sobre o assunto. E não se esqueça de se inscrever em nossas redes sociais para receber mais conteúdo como este. Até a próxima!

Inspire-se com outros devocionais e reflexões no meu site.

© O Diário de um Jondô

Avatar de Diego Souza

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Diego Souza

Sou ministro na Igreja Holiness e amo escrever. Graduando em Letras pela UNIVESP, com Bacharel em Teologia pela UMESP e com pós em Novo Testamento pela EST, neste blog compartilho meus pensamentos sobre a vida cristã e o cotidiano, buscando conectar a fé com o dia a dia.