Mt 5:9 – Os pacificadores serão chamados filhos de Deus

Mt 5:9 – Os pacificadores serão chamados filhos de Deus

Palavra:

“Bem-aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus” (Mateus 5:9).

INTRODUÇÃO

Nesta ocasião, vamos explorar o significado profundo dessa bem-aventurança e compreender o papel essencial dos pacificadores no mundo em que vivemos.

Ao longo desta pregação, examinaremos as características do mundo caído em que estamos inseridos, a necessidade de reconciliação com Deus e entre os seres humanos, e como nos tornarmos verdadeiros pacificadores, refletindo o caráter do nosso Pai celestial. Através de histórias inspiradoras e ensinamentos bíblicos, buscaremos entender como a paz de Deus pode habitar em nós e como podemos levar essa paz aos outros. Que o Espírito Santo nos guie e ilumine nesta jornada, para que possamos ser instrumentos de paz e reconciliação em um mundo tão carente desses valores. Que a graça do Senhor esteja conosco enquanto exploramos juntos o chamado de Deus para sermos pacificadores.

DESENVOLVIMENTO

Chegamos à esta nossa penúltima “Bem-aventurança” na mesma semana em que muitas cidades do nosso país estão decretando lockdown. De forma intrigante, essa bem-aventurança indica o estado do mundo em que vivemos, repleto de doenças, injustiça, fome, conflitos, guerras, mortes e muita ansiedade, estresse e depressão. Essas são as principais características negativas do mundo onde vivem os pacificadores. Às vezes, temos a correta sensação de que o mundo inteiro reage negativamente às verdadeiras marcas de um cristão.

Nós aprendemos a ser pobres de espírito, mas o mundo é orgulhoso. Lamentamos, com lágrimas amargas, sobre nosso próprio pecado e os pecados do mundo, mas o mundo peca sem arrependimento algum. Estamos aprendendo a suportar com mansidão os insultos desse mundo, mas o mundo não se cansa de insultar Deus e o seu povo. Enquanto reconhecemos a nossa consciência faminta e sedenta da justiça eterna, porque sem ela a agitação do nosso coração nunca se contentará, as pessoas ao nosso redor só se contentam se seus desejos carnais forem satisfeitos, como luxúria e avareza.

Jesus tem nos ensinado sobre o que é ter o amor de Deus derramando através de nós em misericórdia, mas o mundo não conhece misericórdia. Enquanto aprendemos sobre a pureza de coração, reconhecemos que só escapamos da corrupção maligna que governa esse mundo por causa da graça de Deus e da Cruz de Cristo. Ao entrarmos na nossa sétima bem-aventurança hoje, percebemos que o nosso Salvador quer nos ensinar que o mundo ao nosso redor está cheio de conflitos, discórdias, ausência de paz e tão desprovido do descanso em Deus.

Isso se dá porque a humanidade perdeu a Paternidade de Deus. No entanto, será que a humanidade perdeu também a Irmandade? Podemos afirmar, sem medo de errar, que os homens perderam a consciência do amor de Deus e, consequentemente, perderam também o amor que corresponde ao Dele e que se doa ao próximo. Por falta desse amor, os homens são consumidos pela ganância, luxúria, ciúme, ódio e desconfiança, o que anula a paz.

Mas temos uma boa notícia: à luz do evangelho, Jesus é o supremo pacificador, o Príncipe da Paz. Ele fez a paz entre Deus e os homens e também entre o homem e seu semelhante. A pacificação que nos é dada em Jesus promove o verdadeiro evangelho e oferece a genuína reconciliação. Então, como alguém se torna um “pacificador”?

Em primeiro lugar, para ser pacificador, é preciso estar em paz com Deus. É preciso se reconciliar com Ele. No Jardim do Éden, havia perfeita paz até que o pecado entrou no mundo. Com o pecado de Adão, veio a inimizade com Deus. Aqueles que antes estavam em perfeita paz agora eram inimigos. Dessa forma, toda a humanidade herdou a inclinação de Adão ao pecado e, pela descendência dele, toda a humanidade se tornou inimiga de Deus.

Como o apóstolo Paulo explica, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram. Em apenas uma palavra, podemos afirmar que o que a humanidade pecadora precisa é de reconciliação, e esse é o verdadeiro papel do pacificador.

A mensagem do pacificador é que o homem se afastou de Deus por causa de seu pecado, mas Deus, em Seu amor, se moveu em direção ao homem para trazê-lo de volta a Si mesmo. Em segundo lugar, os pacificadores “reconciliados” não são apenas aqueles que vivem em paz, mas aqueles que realmente trazem a paz, superando o mal com o bem. Uma maneira de realizarmos isso é espalhando o evangelho, pois Deus nos confiou o ministério da reconciliação.

Na evangelização, fazemos a paz entre o homem e o Deus que eles rejeitaram e ofenderam. Paulo explica que, como pacificador de Deus, você tem novos “sapatos”. Os pacificadores têm seus pés calçados com a preparação do Evangelho da paz. Há muito tempo atrás, Isaías falou dos pacificadores declarando: “Como são belos nos montes os pés daqueles que anunciam boas novas, que proclamam a paz, que trazem boas notícias, que proclamam salvação, que dizem a Sião: ‘O seu Deus reina!’” Quando promovemos esta bem-aventurança, deixamos claro que estamos enfrentando a discórdia e, consequentemente, estabelecendo o shalom dentro da comunidade humana. Porque essa é a vontade de Deus, e aqueles que a promovem são dignos de serem chamados filhos de Deus.

John Stott em seu livro “O Sermão do Monte” afirma que “o diabo é um encrenqueiro, mas Deus ama a reconciliação e está empenhado em trazer a paz, agora através de seus filhos, como anteriormente fez através de seu unigênito Filho”.

Cristo, o “Príncipe da paz”, o supremo pacificador, reconciliou Saulo de Tarso com Deus. E uma vez reconciliado com o Senhor, Paulo de Tarso escreveu as seguintes palavras para a igreja de Corinto: “Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação.

De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus. Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (2 Coríntios 5:18).

Saulo de Tarso passou de inimigo de Deus para Paulo de Tarso, filho de Deus, reconciliador e pacificador por excelência. Ser filho de Deus é receber a maior recompensa que poderíamos ter. O prêmio dos pacificadores é serem reconhecidos como verdadeiros filhos e filhas de Deus e refletirem o caráter do Pai Celestial. A sequência dessas bem-aventuranças está na melhor ordem possível. A pureza de coração precede a pacificação, pois quando os puros de coração veem a Deus, eles observam Deus trabalhando para fazer a paz e seguem e imitam Seu exemplo. Eles refletem o caráter do Pai.

Cristo vive essa verdade, e assim devemos viver essa verdade em nós também. Nossas bem-aventuranças são o reflexo daquilo que vemos nosso Pai fazendo. É maravilhoso constatar que nosso poder é imensamente multiplicado quando aprendemos a olhar para Deus e enxergá-Lo como Pai de amor, quando vivemos em comunhão com Cristo, o vitorioso Príncipe da Paz, e quando abrimos nosso coração ao Espírito Santo abençoado, a Pomba da Paz, para que possamos cooperar e desenvolver com Deus e fazer na terra o que Ele está fazendo no céu.

Portanto, deixemos o Deus da paz governar em nossos corações e vivamos o que Jesus Cristo nos diz em Sua palavra: “Paz seja convosco”. Deixemos Deus soprar sobre nós a paz do Seu Santo Espírito, e que todos os nossos movimentos sejam consistentes com o ritmo da perfeita paz de Deus.

Ilustração

Por fim, quero finalizar citando um pacificador chamado Eric Liddell, um maratonista escocês cuja vida foi retratada no filme “Carruagens de Fogo”. Eric serviu como missionário na China por 20 anos e nos últimos 2 anos esteve em um campo de concentração japonês durante a Segunda Guerra Mundial. Eric ficou conhecido como pacificador naquele campo, sempre promovendo a paz quando a raiva se agravava. Ele deixou uma profunda impressão em todos.

Certo dia, um guarda japonês perguntou por que Eric não estava presente na chamada diária, e um homem respondeu que Eric havia morrido subitamente algumas horas antes. O guarda fez uma pausa e depois respondeu:

— “Eric era cristão, não era?”

Bom, Eric não falava japonês e o guarda não falava inglês. Seu único contato direto era por meio de chamadas diárias, que ocorriam duas vezes por dia. Então, como o guarda sabia que Eric era cristão? A resposta mais plausível é que ele deve ter visto Cristo em Éric quando o atleta pacificou os conflitos no acampamento.

“Bem-aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus” , disse Jesus.

Mateus 5:9

Os próprios pacificadores estão cheios da paz de Deus e cheios da qualidade com que ajudam os outros. Mais do que resolver conflitos, os pacificadores são evidência viva do amor conciliador de Deus em Cristo. Em casa, no trabalho ou na escola, podemos mostrar Jesus Cristo aos outros pela maneira como lidamos com conflitos.

CONCLUSÃO E APLICAÇÃO:

À luz das bem-aventuranças proclamadas por Jesus, reconhecemos a importância vital dos pacificadores em nosso mundo conturbado. Constatamos que vivemos em um contexto marcado por doenças, injustiças, conflitos e ansiedades, onde a busca por poder e satisfação pessoal prevalece sobre a paz e a reconciliação. No entanto, como filhos de Deus, somos chamados a ser diferentes. Somos chamados a trazer a paz de Deus para um mundo sedento por ela.

Ao longo dessa reflexão, aprendemos que para sermos pacificadores, precisamos estar em paz com Deus e ser reconciliados com Ele. É necessário olhar para Cristo, o Príncipe da Paz, e permitir que Sua paz transborde em nossas vidas. Além disso, somos desafiados a promover a reconciliação entre os seres humanos, espalhando o evangelho e superando o mal com o bem.

Nossa missão como pacificadores vai além de resolver conflitos superficiais. É uma chamada para refletir o amor conciliador de Deus em todas as áreas de nossa vida, seja em casa, no trabalho ou na escola. Somos chamados a sermos embaixadores da paz, trazendo a mensagem de reconciliação e oferecendo a esperança que só pode ser encontrada em Cristo.

Como aplicação prática, somos desafiados a examinar nossa própria vida e identificar áreas onde podemos promover a paz e a reconciliação. Podemos buscar a Deus em oração, buscando Sua orientação e fortalecimento para enfrentar os conflitos ao nosso redor com mansidão e amor. Podemos compartilhar o evangelho com aqueles que estão distantes de Deus, oferecendo a reconciliação com Ele. Podemos viver de maneira que reflita o caráter pacificador de nosso Pai celestial, mostrando amor, perdão e compaixão.

Que cada um de nós seja encorajado e capacitado pelo Espírito Santo a se tornar um verdadeiro pacificador, trazendo a paz de Deus para um mundo necessitado. Que nossa vida seja uma expressão viva do amor e da reconciliação de Cristo. Que a paz de Deus, que excede todo entendimento, reine em nossos corações e permeie todas as nossas ações.

Que possamos, como o pacificador Eric Liddell, ser reconhecidos como filhos e filhas de Deus, pois refletimos Seu amor em meio às adversidades. Que a paz do Senhor esteja conosco, capacitando-nos a ser pacificadores em um mundo sedento de paz. Amém!

ORAÇÃO:

Deus, permita que Cristo seja visto em mim. Ouça minha oração. Leve-me, encha-me, use-me, Senhor, até que Cristo seja visto em mim.

Amém!

Por Diego Gonçalves.


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Diego Souza

Sou ministro na Igreja Holiness e amo escrever. Graduando em Letras pela UNIVESP, com Bacharel em Teologia pela UMESP e com pós em Novo Testamento pela EST, neste blog compartilho meus pensamentos sobre a vida cristã e o cotidiano, buscando conectar a fé com o dia a dia.