Jo 20:19-23 – Enchendo o tanque outra vez

Jo 20:19-23 – Enchendo o tanque outra vez

Palavra:

“Ao cair da tarde daquele primeiro dia da semana, estando os discípulos reunidos a portas trancadas, por medo dos judeus, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: “Paz seja com vocês!” 20. Tendo dito isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos alegraram-se quando viram o Senhor. 21. Novamente Jesus disse: “Paz seja com vocês! Assim como o Pai me enviou, eu os envio”. 22. E com isso, soprou sobre eles e disse: “Recebam o Espírito Santo. 23. Se perdoarem os pecados de alguém, estarão perdoados; se não os perdoarem, não estarão perdoados”. — João 20.19-23

INTRODUÇÃO:

Alguma vez na vida você já andou em um carro com o tanque vazio? A verdade é que nem sempre ele ficou vazio. Tenho absoluta certeza de que qualquer carro, pelo menos uma vez na vida, já se viu completamente abastecido. Mas pode acontecer imprevistos. E tudo bem!

Você está seguindo viagem, e no meio dela surge aquele super engarrafamento, e o dia está bem quente, e você precisou ligar o ar condicionado no máximo para se refrescar. Depois disso, você percebe que a gasolina está evaporando absurdamente. Você desliga o ar condicionado. E todo mundo no carro começa a suar.

Aí você sai do engarrafamento, mas poucos km à frente, você precisa pegar aquela serra extremamente íngreme e enfrentar aquelas curvas super acentuadas para todo lado, e todas essas coisas exigem ainda mais do pouco combustível que resta.

Então, você olha para o ponteiro e ele está na reserva da reserva, da reserva!

Aí nessa hora a gente usa aquela expressão? “Tá andando só com o cheirinho da gasolina”? Hahahah
E o pior de tudo é que nessas horas mais complicadas da viagem, não aparece um posto sequer na estrada… então vai batendo o desespero… aí você liga o rádio pra se distrair e percebe que a música que está tocando é aquela música do Juliano Son “andei, vaguei… por todo lado procurei…” rsrs

Que sufoco, minha gente! Você continua indo, mas você nem sabe por quanto tempo aquele carro vai aguentar…

Ilustro essa metáfora bem bizarra para ilustrar que às vezes, nós também enfrentamos esse tipo de situação na jornada da nossa vida espiritual. E quando a gente menos espera, a gente se vê “correndo só com o cheirinho do último combustível”.

Desenvolvimento:

Ao olharmos atentamente para o texto desta manhã, percebemos a real condição dos discípulos do Jesus crucificado. Aqueles homens estavam “andando há exatamente 03 dias com seus tanques totalmente vazios”. Na semana passada, falamos um pouco sobre o desânimo daqueles dois viajantes no caminho de Emaús. Hoje, porém, vamos falar de um grupo maior e vamos entrar na casa de um deles. Não sabemos dizer com precisão onde ficava essa casa. William Barclay aponta que este lugar era um cenáculo, na região próxima ao Monte Sião, em Jerusalém.

Nos Evangelhos, o cenáculo se refere àquele local que foi providenciado para que Jesus celebrasse a Páscoa acompanhado de seus discípulos. Um cenáculo nada mais é do que uma sala toda mobiliada, em que os participantes se reclinavam para cear conforme o estilo greco-romano. Pois bem, dentro desse cenáculo, alguns discípulos se encontravam reunidos de portas trancadas. O contexto nos diz que Maria Madalena, Pedro e o discípulo amado viram o túmulo vazio. O corpo de Jesus já não se encontrava mais ali. E eles ficaram perplexos e sem saber o que fazer!

O texto diz que a Maria Madalena foi a primeira a chegar. Ainda de madrugada. Em seguida, o discípulo amado chega também, mas ficou tão sem reação que mal teve coragem de entrar no sepulcro. Então, quando o corajoso Pedro chegou, eles entraram juntos e constataram que o corpo de Jesus já não estava mais ali. Encontraram apenas as faixas de linho caídas no chão, e o lenço que estava sobre a cabeça de Jesus, dobrado e colocado sobre aquela pedra. Entretanto, os dois discípulos ainda descrentes voltam para casa e Maria Madalena permanece ali, chorando na porta do sepulcro. De repente, surge um jardineiro. E ela lhe perguntou: o que você fez com o corpo dele? Nesta mesma hora, diz a Escritura, os olhos de Maria foram abertos. Não era mais um jardineiro que estava ali, mas o Senhor ressuscitado. De forma eufórica, Maria Madalena se agarra a Jesus e não larga ele por nada. Aí Jesus dá uma bronca nela, que em português soaria como: “calma mulher!” Rsrs

Depois de conter os ânimos da mulher, Jesus envia Maria aos discípulos com a mensagem de que o que Ele lhes disse tantas vezes estava por acontecer: o Mestre estava vivo e pronto para ir ao seu Pai. Assim, Maria chega com a notícia: “Eu Vi o Senhor!”

William Barclay diz que nessa mensagem de Maria está contida a própria essência do cristianismo. Porque ser cristão não significa saber coisas sobre Jesus, significa conhecer a Jesus. Ser cristão não significa discutir e debater sobre Jesus, significa encontrá-lo e experimentar a certeza de que Jesus vive. Mas agora, as Escrituras dizem que quando a noite caiu, toda essa emoção vivenciada pelos discípulos de Jesus, na manhã daquela Páscoa, deu lugar a dúvida e ao medo. O texto apresenta os discípulos em uma reunião de portas trancadas. Eles se sentiam vulneráveis e inseguros. Eles estavam com medo. E eles tinham todos os motivos para ter medo. Eles viram o que aquelas autoridades do templo estavam dispostos a fazer para manter seu sistema corrupto. O medo deles era tão intenso que eles esqueceram o que Jesus lhes havia dito. Esqueceram dos ensinamentos do Mestre. Esqueceram daquela última bem-aventurança que Jesus pregou no Sermão do Monte.

Essa parte das Escrituras nos lembra que todas as palavras que um dia ouvimos sobre esperança, conforto e consolação podem ser facilmente sufocadas nos momentos em que sentimos medo, perigo, angústia, dúvida e aflição. Todos esses sentimentos ruins contribuem para aumentar a sensação de impotência e são liberados por alguns gatilhos. Eles estavam fisicamente cansados. Eles viveram dias muito intensos que envolviam traição e suicídio de Judas, negação de Pedro, julgamento, cruz, morte e sepultamento de Jesus. Eles estavam emocionalmente abalados. Ainda ecoava em seus pensamentos a seguinte pergunta: “como puderam tratar de modo tão cruel Aquele que amava as pessoas com tanta compaixão?”

Eles estavam decepcionados consigo mesmos. Eles se sentiram culpados. Eles se sentiam isolados, sozinhos, indefesos, ansiosos e incertos sobre o que o futuro poderia trazer. Eles estavam em crise espiritual. Tudo o que eles esperavam, acreditavam e confiavam havia evaporado. Naquela primeira noite da ressurreição, tudo o que os discípulos sentiam era confusão; se sentiam “com o tanque vazio” e quando alguém se sente assim, pode parecer que Deus está a um milhão de quilômetros de distância. Quanto mais perguntas você faz, mais confuso você fica, pois as respostas parecem não estar disponíveis.

No entanto, a boa nova é que se aqueles a quem Jesus ama estão se sentindo vazios e desanimados, Jesus não espera que eles venham até Ele. Pelo contrário, é Jesus que vai até eles. Jesus sabe exatamente o que precisamos quando sentimos medo, dúvida, cansaço, depressão, desânimo e confusão.

Em primeiro lugar, ele nos dá a sua paz! Isso é a primeira coisa que ele diz quando aparece aos discípulos. Ele diz: “A paz esteja com vocês!” E não “para trás de mim Satanás!” ou “homens de pouca fé”. Nada disso! Não vemos uma só crítica de Jesus, apenas “paz”! E quando Jesus dá a sua paz, ele não precisa dizer mais nada. Quando estamos cercados por uma nuvem de confusão, dúvidas, ansiedade, estresse, doença, cansaço, Ele vem até nós e silenciosamente diz: “A paz esteja com você! Saiba que estou aqui. Você não está sozinho. Eu ouço suas orações”.

Em segundo lugar, Jesus nos ama. João escreveu: “Nisto conhecemos o que é o amor: Jesus Cristo deu a sua vida por nós” (1 João 3:16). Quando você e eu estivermos deprimidos e desencorajados, podemos crer que Aquele que nos amou até a cruz não vai deixar de nos amar agora. Ainda que tudo esteja dando errado, podemos crer que a paz e a alegria não vêm do que está acontecendo ao nosso redor, mas vêm do nosso relacionamento com Jesus e pelo seu grande amor por nós.

Em terceiro lugar, Jesus nos perdoa: suas cicatrizes e palavras de paz provam isso. Então ele diz: “Se você perdoar os pecados de alguém, eles serão perdoados. Se você não os perdoar, eles não serão perdoados” (João 20.23). Ele quer que perdoemos uns aos outros. Isso não é fácil, mas Jesus nos capacita a alcançar com perdão. Jesus nos ensinou e nos capacitou, seus discípulos, a liderar o caminho para mostrar graça e misericórdia aos outros.

Em quarto lugar, quando estamos desanimados, desencorajados e tristes, Jesus nos dá esperança. Atrás de portas trancadas, o medo e a dúvida deixaram os discípulos sem futuro. Tomé não estava lá quando Jesus apareceu para o resto dos discípulos e quando lhe foi dito sobre a aparência de Jesus, ele simplesmente disse o que honestamente pensava: “Eu não acreditarei a menos que eu veja as feridas em suas mãos, coloque meus dedos nelas e coloque minha mão na ferida do lado dele”. A fé de Tomé em Jesus era pequena – O luto e o desespero assumiram o controle. Confiança e esperança no futuro eram vagas e escassas. Mesmo que Jesus tenha convidado Tomé para colocar o dedo nas marcas das mãos e no lado, ele não precisava. Ele simplesmente se ajoelhou diante de Jesus dizendo: “Meu Senhor e meu Deus”. Tomé era um homem mudado. Ele foi repentinamente renovado, refrescado e energizado e cheio de esperança.

Conclusão:

Aquele que ressuscitou nos enche de esperança. Quando estamos em crise e os problemas estão nos sobrecarregando, temos um Salvador que nos apoiará e nos ajudará. Quando nossas vidas estão ameaçadas por doenças ou inimigos, Jesus nos dará coragem. Se a morte se aproxima, nós não temeremos, porque Jesus triunfou sobre a morte.

Quando o Jesus ressuscitado caminha conosco em nossa jornada de vida, tudo é diferente! Podemos crer no amanhã! Podemos ter a esperança de um futuro brilhante, novas possibilidades e novos começos, mesmo quando a doença e a morte nos assustam.
Cristo ressuscitado em nossas vidas faz a diferença.

Enquanto digo tudo isso, não quero banalizar a dor, a agonia ou frustração que alguém está passando neste exato momento. Para você, isso é real, é um desafio, é doloroso. Pode até parecer que Deus está muito longe de você em seus problemas. Isso é o que os discípulos pensaram enquanto se escondiam naquela casa. Mesmo que seja assim que você possa se sentir, Cristo ressuscitado está mais perto do que você pensa, e ele entende mais sobre sua vida do que você imagina. Ele está dizendo: “A minha paz esteja com você!”

Oração:

Senhor, agradecemos por esta mensagem preciosa que nos mostra como o Senhor é fiel e está sempre ao nosso lado, mesmo quando nos sentimos desanimados e desencorajados. Pedimos que o Senhor nos dê a paz que só o Senhor pode dar, que nos ajude a sentir o seu amor em nossas vidas e que nos ajude a perdoar aqueles que nos machucaram. Pedimos também que o Senhor nos dê esperança e força para enfrentar qualquer desafio que possa surgir em nosso caminho. Obrigado por nos amar, nos perdoar e nos renovar. Em nome de Jesus, amém.

Escrito por Diego Gonçalves.


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© O Diário de um Jondô

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Diego Souza

Sou ministro na Igreja Holiness e amo escrever. Graduando em Letras pela UNIVESP, com Bacharel em Teologia pela UMESP e com pós em Novo Testamento pela EST, neste blog compartilho meus pensamentos sobre a vida cristã e o cotidiano, buscando conectar a fé com o dia a dia.