A cruz de Jesus, o nosso pecado e a santidade de Deus!

A cruz de Jesus, o nosso pecado e a santidade de Deus!

CONTEXTO:

💡 Após ser julgado no sinédrio pelos principais judeus (26. 57-68), Jesus é condenado por Pilatos no pretório romano (27. 11-26)! Antes de ir para o Gólgota, local conhecido como Lugar da Caveira (27. 33), Jesus foi açoitado pelos soldados romanos de uma forma muito cruel (27. 27-31). Não sabemos para onde os discípulos fugiram, exceto João que permaneceu junto às mulheres que seguiam Jesus: Maria Madalena, Maria mãe de Tiago e José, e Salomé esposa de Zebedeu e mãe de Tiago e João.

PALAVRA:

45 A partir do meio-dia, houve trevas sobre toda a terra até as três horas da tarde. 46 Por volta de três horas da tarde, Jesus clamou em alta voz, dizendo: — Eli, Eli, lemá sabactani? — Isso quer dizer: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” 50 E Jesus, clamando outra vez em alta voz, entregou o espírito.

MATEUS 27. 45-46; 50

INTRODUÇÃO:

A morte de Jesus Cristo é o evento mais significativo de todos os tempos. Muito antes de acontecer, profetas do Antigo Testamento já haviam previsto essa ocorrência em detalhes impressionantes. A Bíblia nos conta que, no momento da crucificação, o sol brilhante do meio-dia foi completamente escurecido até as três da tarde, deixando a terra inteira na escuridão.

No instante de sua morte, a cortina do templo judaico, que era bem grossa e separava o Santo dos Santos, foi rasgada de cima a baixo por uma força sobrenatural. Um terremoto partiu as pedras ao meio e abriu muitas tumbas ao redor. As Escrituras dizem que os santos que haviam morrido a muito tempo ressuscitaram e saíram de suas sepulturas, aparecendo mais tarde para muitas pessoas em Jerusalém. Três dias após sua morte, Jesus ressurgiu e, por um período de 40 dias, apareceu aos seus discípulos várias vezes – numa dessas vezes, para um grupo de quinhentas pessoas de uma vez só.

POR QUE A CRUZ?

Hoje, cerca de dois mil anos depois, a cruz se tornou um símbolo mundialmente reconhecido da fé cristã. Estampada em camisetas, adesivos de veículos ou bijuterias, a cruz é frequentemente apreciado por muitos. No entanto, na maioria das vezes, esses itens são escolhidos apenas por sua estética, e geralmente, por pessoas que não compreendem completamente seu significado.

No tempo de Cristo, a cruz era vista com horror e vergonha, usada como um meio de punição extremamente humilhante e doloroso, reservado para escravos e pessoas consideradas de baixa classe.

Agora, se tudo isso é verdade, como pode o Filho eterno de Deus, para quem e por quem tudo foi criado (veja Cl 1. 15-16), ter terminado seu ministério terreno morrendo em uma das formas mais brutais e humilhantes já criadas pelo homem? Essa é a primeira coisa que pode passar na cabeça de alguém que se põe a pensar sobre a questão.

No entanto, sabemos que a morte de Jesus na cruz não foi uma surpresa para ele, pois ele sempre falava aos seus discípulos sobre isso (veja Lucas 18. 31-33 como exemplo). E, mesmo sabendo que seria crucificado, Jesus disse: “Que direi eu? Pai, me salva desta hora? Não, pois foi precisamente com este propósito que eu vim para esta hora” (João 12. 27). Nessa passagem, e em muitas outras, Jesus disse que veio ao mundo para morrer.

Mas por que Jesus veio ao mundo? Por que ele teve que morrer? Paulo e Pedro, apóstolos de Jesus, dão uma resposta direta e clara. Paulo disse: “Cristo morreu pelos nossos pecados, conforme as Escrituras”; e Pedro falou: “Cristo morreu uma única vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para nos levar a Deus” (1 Coríntios 15. 3; 1 Pedro 3. 18).

Cristo morreu por causa dos nossos pecados. Jesus Cristo, o Filho eterno de Deus, assumiu uma forma humana e sofreu uma morte horrenda no nosso lugar. Ele sofreu o que nós deveríamos ter sofrido, para pagar o preço pelos nossos pecados. Essa é a verdadeira razão da cruz.

O PECADO DE ADÃO

Agora, para realmente compreender o significado da cruz, precisamos primeiro entender a natureza e a profundidade do nosso pecado. Para fazer isso, precisamos voltar ao início, ao Jardim do Éden.

Quando Deus colocou Adão e Eva no jardim, Ele lhes fez um pedido simples: não comer o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Não havia nada de intrinsecamente mau naquela árvore. Deus poderia ter escolhido qualquer outra árvore do jardim. Obedecer a essa regra também não era complicado.

O jardim tinha muitas árvores bonitas e com frutos deliciosos. Você pode imaginar que não seria difícil para Adão e Eva resistir a comer o fruto proibido. Era apenas uma questão de obediência simples. Mas quando a Serpente questionou a bondade e a fidelidade de Deus, Eva acabou cedendo e Adão também. Eles começaram a pecar imediatamente: Adão até culpou Deus ao dizer: Foi a mulher que você me deu; e Eva, por sua vez, culpou a Serpente.

A ação de Adão trouxe não apenas culpa, mas também uma mudança profunda e negativa em sua moral. Agora, o homem que antes estava completamente alinhado com a vontade de Deus, começou a se inclinar para o mal. Os teólogos chamam essa tendência persistente para o mal de “pecado original”. Paulo o chamou de “natureza pecaminosa” (ou “carnalidade” em algumas versões da Bíblia).

As consequências do pecado de Adão e Eva não se restringiram apenas à expulsão deles do jardim e da presença de Deus. Deus tinha colocado Adão como uma espécie de líder ou representante de toda a humanidade. Por isso, quando Adão pecou, essa culpa e corrupção se estenderam a todos os seus descendentes. Isso significa que todas as pessoas – com exceção de Jesus – nascem com a natureza do pecado por causa de Adão e Eva.

O NOSSO PECADO

A partir de Adão, a história só piora e desce ladeira abaixo. Nós tornamos nossa situação ainda mais difícil com nossos próprios erros, já que todos nós temos uma natureza pecaminosa corrupta. Cometemos erros todos os dias, de maneira consciente e inconsciente, voluntária e involuntária. Nós, que somos cristãos evangélicos, geralmente evitamos os erros mais graves da sociedade – como matar, roubar e adulterar – e tendemos a julgar aqueles que os cometem. Mas, olhando mais de perto nossas próprias vidas, é muito comum tolerarmos outros tipos de erros, aqueles “menos visíveis”, como egoísmo, ganância, orgulho, ressentimento, inveja, ciúmes, autojustificação e um espírito crítico em relação aos outros.

Além disso, raramente pensamos sobre as palavras de Jesus cujo maior mandamento é: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. […] O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mateus 22. 37,39).

Você já parou para pensar no que realmente significa amar a Deus com todo o seu coração, alma e entendimento? Talvez ninguém consiga entender completamente a profundidade desse mandamento, mas aqui estão alguns pontos importantes para considerar:

  • Você coloca o seu amor por Deus acima de qualquer outro desejo (veja Êxodo 20. 3);
  • Assim como Davi, você tem o desejo de contemplar a beleza de Deus e busca a comunhão com Ele (veja Salmo 27. 4);
  • Você tem prazer em meditar sobre a Palavra de Deus e, como Jesus, você se levanta cedo para orar (veja Salmo 119. 97; Marcos 1. 35);
  • Você sempre tem prazer em fazer a vontade de Deus, não importa o quão desafiador isso possa ser (veja Salmo 40. 8);
  • Um apreço pela glória de Deus guia e motiva tudo o que você faz – sua alimentação, trabalho, lazer, suas compras e vendas, suas leituras e conversas – e, ousaria dizer, até mesmo a maneira como você dirige (veja 1 Coríntios 10. 31);
  • Você nunca se sente desencorajado ou frustrado por dificuldades, porque tem confiança de que Deus está agindo em todas as coisas para o seu bem (veja Romanos 8. 28);
  • Você reconhece a soberania de Deus em todos os aspectos da sua vida e, consequentemente, aceita tanto o sucesso quanto o fracasso como vindos da mão de Deus (veja 1 Samuel 2.7; Salmo 75. 6-7);
  • Você está sempre contente, pois sabe que Deus nunca o abandonará (veja Hebreus 13. 5);
  • A primeira súplica na Oração do Senhor, “santificado seja o teu nome”, é a oração mais importante que você faz (veja Mateus 6. 9).

Essa descrição do primeiro grande mandamento pode não estar completa, mas já é o suficiente para nos mostrar quão desafiador é segui-la à risca.

Agora, vamos olhar para o que Jesus chamou de o segundo grande mandamento: Ame o seu próximo como a si mesmo. Isso significa, entre outras coisas:

  • Você deve ter pelo próximo o mesmo amor que tem por si mesmo;
  • No seu relacionamento com ele, evite ser egoísta, irritado, mal-humorado ou indiferente;
  • Tenha um genuíno interesse pelo bem do outro e busque contribuir para seu progresso, honra e bem-estar;
  • Nunca se sinta superior a ele ou fale sobre suas falhas;
  • Não guarde ressentimentos se ele errar contra você, esteja sempre disposto a perdoar;
  • Trate-o da maneira que gostaria de ser tratado;
  • Seguindo o exemplo de 1 Coríntios 13. 4-5, seja sempre paciente e gentil, evite a inveja, a arrogância, o orgulho e a grosseria. Não se irrite facilmente e não guarde rancor de injustiças cometidas contra você.

Você consegue compreender algumas das implicações do que significa obedecer a esses dois mandamentos? A maioria de nós nem sequer os considera no dia a dia, muito menos aspira cumpri-los. Geralmente, nos contentamos em evitar grandes pecados visíveis e em cumprir nossos deveres cristãos habituais. No entanto, Jesus afirmou que toda a Lei e os Profetas dependem desses dois mandamentos.

Quanto aos chamados pecados graves, frequentemente usamos palavras mais suaves para minimizar sua seriedade. Mas, se olharmos mais profundamente, perceberemos que a nossa natureza pecaminosa afeta e polui tudo o que fazemos. Nossas ações mais nobres estão manchadas pelo pecado. Por isso, nossos atos de obediência estão tão longe da perfeição, tão sujos pelo pecado persistente, que se assemelham a “trapo de imundícia” (Isaías 64.6), quando comparados à justiça que a Lei de Deus exige.

Se focarmos apenas em pecados individuais e ignorarmos nossa natureza pecaminosa, nunca descobriremos quão profundamente infectados pelo pecado realmente estamos. Neste ponto, você pode estar se perguntando:

“Por que dar tanta atenção ao pecado? Isso só me faz sentir culpado.”

Minha intenção é fazer com que todos nós percebamos que não temos onde nos esconder. Em nossa relação com Deus, não podemos confiar apenas em nosso comportamento cristão, não importa o quão bom seja, ou em nossa moralidade externa, por mais exemplar que pareça. Em vez disso, devemos admitir, como fez Esdras, que “nossos erros se acumularam sobre nós, e nossa culpa se elevou até os céus.” (Esdras 9. 6).

Além disso, ter uma consciência aguçada e profunda de nossas falhas não captura completamente a realidade de nossa difícil situação. Nossa necessidade não deve ser medida pelo nosso próprio senso de necessidade, mas pelo que Deus teve que fazer para supri-la. Nossa situação era tão desesperadora que apenas a morte do próprio Filho de Deus, na vergonhosa e cruel cruz, poderia ser suficiente para resolver o problema.

Muitas pessoas erroneamente acreditam que Deus pode perdoar nossos pecados apenas porque Ele é um Deus de amor. No entanto, nada poderia estar mais longe da verdade. A cruz não só nos fala sobre nosso pecado, mas também sobre a santidade de Deus.

A SANTIDADE DE DEUS

Quando pensamos na santidade de Deus, entendemos que Ele é eternamente separado de qualquer tipo de pecado. Ele nunca peca e não tolera nem aceita o pecado em suas criaturas. Ele não é como um avô que ignora a travessura desobediente do neto.

Pelo contrário, a Bíblia nos ensina que a santidade de Deus reage ao pecado com um ódio constante e eterno. Deus detesta o pecado. Como o salmista disse: “Os arrogantes não podem ficar diante de ti; detestas todos os que praticam a maldade” e “Deus é um juiz justo, que se ira todos os dias” (Salmos 5. 5; 7. 11, respectivamente).

Deus sempre detesta o pecado e, inevitavelmente, expressa sua ira contra ele. A cruz é uma expressão da ira de Deus contra o pecado e do amor de Deus por nós, enviando seu Filho para sofrer o castigo que justamente merecíamos. A cruz mostra a santidade de Deus em sua decisão de punir o pecado, mesmo que isso custe a vida de seu Filho.

Então, se perguntamos “Por que a cruz?”, a resposta é que a santidade de Deus a necessitava como castigo pelos nossos pecados, e o amor de Deus a forneceu para nos livrar deles. Não conseguimos entender o verdadeiro significado da cruz sem ter ao menos uma noção básica sobre a santidade de Deus e a profundidade do nosso pecado.

A constante sensação de que nossa obediência não é perfeita, devido à presença constante e poder do pecado que ainda habita em nós, nos leva, como crentes, a depender completamente da graça de Deus que nos é dada através de seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo.

Ao refletirmos sobre o que Cristo fez por nós, precisamos entender que foi o nosso pecado que exigiu isso. Só contra o cenário sombrio de nossa pecaminosidade, podemos ver a verdadeira beleza da cruz. E, ao contemplarmos essa beleza, descobrimos que, com sua grandiosa obra por nós, Cristo não só resolveu o problema do pecado, como também nos concedeu as “riquezas incalculáveis” de seu amor.

ORAÇÃO:

Deus Todo-Poderoso, Viemos a Ti neste dia, conscientes da nossa pecaminosidade e da Tua santidade. Reconhecemos que o pecado de Adão nos corrompeu e nos distanciou de Ti. As nossas melhores obras são como trapos de imundícia aos Teus olhos.

Senhor Jesus Cristo, Agradecemos por Teu sacrifício vicário na cruz. Teu amor incomparável Te levou a sofrer a morte cruel e humilhante que nós merecíamos. Teu sangue derramado pagou o preço pelos nossos pecados e nos reconciliou com o Pai.

Espírito Santo, Concede-nos arrependimento genuíno e fé salvadora em Jesus Cristo. Que a Tua graça opere em nós, transformando-nos e capacitando-nos a viver em santidade.

Pedimos que:

  • Nos mostre a grandeza do Teu amor, manifestado na cruz.
  • Aumente a nossa fé e confiança em Teu sacrifício redentor.
  • Nos dê um coração contrito e arrependido dos nossos pecados.
  • Nos capacite a viver uma vida obediente aos Teus mandamentos.
  • Fortaleça-nos para resistir às tentações do pecado.
  • Nos dê amor pelos nossos irmãos e irmãs em Cristo.
  • Ajude-nos a compartilhar o Evangelho com os que ainda não Te conhecem.

Em nome de Jesus Cristo, oramos. Amém.

APLICAÇÃO:

  1. Leia Romanos 5. 12-14. Como o pecado de Adão afetou você?
  2. Leia Romanos 5. 15-19. Como a morte de Cristo pagou pelos seus pecados?

Lembre-se:

  • O pecado de Adão teve um impacto profundo em toda a humanidade.
  • Mas a graça de Deus em Jesus Cristo é ainda maior que o pecado.
  • Através da fé em Jesus, podemos ser perdoados, reconciliados com Deus e receber a vida eterna.

REFERÊNCIAS:

  • O Comentário de Mateus, de D.A. Carson
  • O Evangelho para a Vida Real, de Jerry Bridges
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Diego Souza

Sou ministro na Igreja Holiness e amo escrever. Graduando em Letras pela UNIVESP, com Bacharel em Teologia pela UMESP e com pós em Novo Testamento pela EST, neste blog compartilho meus pensamentos sobre a vida cristã e o cotidiano, buscando conectar a fé com o dia a dia.