Ob 1:1-21 – A Terrível Fama de Edom

Ob 1:1-21 – A Terrível Fama de Edom

Sermão: O livro de Obadias fala sobre a rivalidade entre os povos de Edom e Israel, que remonta à disputa entre Esaú e Jacó. Obadias alerta que Edom será conquistada por outras nações, devido à sua soberba e falta de fraternidade. A mensagem é que a arrogância é a base para o pecado e gera o egoísmo e o desprezo pelos outros. É importante proteger o coração e buscar a restauração e a humildade diante de Deus.

Escrito e pregado por Diego Gonçalves para o MEP da Igreja DaeHan em 04/07/2021.

Palavra

Visão de Obadias. Assim diz o Senhor Deus a respeito de Edom: Temos ouvido as novas do Senhor , e às nações foi enviado um mensageiro que disse: Levantai-vos, e levantemo-nos contra Edom, para a guerra. Eis que te fiz pequeno entre as nações; tu és mui desprezado. A soberba do teu coração te enganou, ó tu que habitas nas fendas das rochas, na tua alta morada, e dizes no teu coração: Quem me deitará por terra? Se te remontares como águia e puseres o teu ninho entre as estrelas, de lá te derribarei, diz o Senhor . Obadias 1:1-4

Mas, no monte Sião, haverá livramento; o monte será santo; e os da casa de Jacó possuirão as suas herdades. Obadias 1:17

Introdução

Após alguns domingos falando sobre o Livro de Jeremias, hoje falaremos sobre o Livro de Obadias. Este livro da Bíblia fica entre Amós e Jonas. É o menor livro do Antigo Testamento (com apenas 21vs) e foi escrito no período do Exílio do Cativeiro Babilônico logo depois da queda de Jerusalém.

O nome Obadias vem de uma junção de duas palavras hebraicas: “Obede” e “Ias”. Obede significa “Servo ou adorador”. Na língua hebraica utiliza-se esta mesma palavra para essas duas traduções. E “ias” é uma abreviação do nome pessoal de Deus. Ex: (Isaias = Salvação do Senhor, Osias = força do Senhor, Jeremias = exaltação do Senhor)

Então, primeiro de tudo, Obadias significa Servo do Senhor ou Adorador do Senhor. E não sabemos mais nada sobre Obadias. Não sabemos sua idade, sua formação pessoal, nem sua família de origem. Entretanto sabemos que treze Obadias são mencionados no Antigo Testamento, mas nenhum deles pode ser identificado, com absoluta certeza, como o verdadeiro autor desta profecia.

Muitos teólogos colocam a data deste livro logo após 586 a.C, ano em que a cidade de Jerusalém foi conquistada e destruída pelos babilônios.

As ênfases da profecia de Obadias falam:

  1. do juízo de Deus contra Edom por causa de seus pecados contra o povo de Israel;
  2. da derrota daqueles que se consideram invencíveis;
  3. do livramento e a restauração de Israel no dia do Senhor.

Desenvolvimento

Para entendermos melhor o conteúdo da mensagem de Obadias, vamos precisar olhar e visitar o grande contexto que envolve o povo edomita. Mas afinal, quem são os edomitas? Os edomitas são descendentes de Edom! Conforme Gn 36.1,8 Edom é o apelido de Esaú.

Além disso, a terra de Edom também é conhecida como Iduméia, um país da Transjordânia, que fazia fronteira com Judá, Moabe e com o deserto da Arabia. As terras de Edom foram habitadas pelos descendentes de Esaú.

Quem foi Esaú? Esaú foi o filho mais velho de Isaque, que vendeu seu direito de primogenitura
a Jacó, seu irmão mais novo, pela mísera bagatela de um prato de sopa de lentilhas. Essa sopa tinha uma cor avermelhada, por isso ela se chamava – “Adom”.

Adom, Edom, Adam e Adão são variantes do mesma raiz semântica hebraica. Todas essas palavras estão ligadas a Cor VERMELHA.

Sabemos através de Gn 25.25 que Esaú era ruivo, assim como Adão, conforme alguns teólogos afirmam. E isso faz sentido, porque Adão foi feito a partir do barro. E a cor do barro, todos sabem, é do tipo vermelho terracota.

Podemos afirmar ainda que a região de Edom recebeu esse nome, por causa do seu terreno avermelhado. Quando o Sol batia nas altas montanhas de Seir, de longe se podia ver a cor da sua terra. E em toda a região próxima de Edom, se via a cor dessa característica solo.

O MAR VERMELHO, por exemplo, recebe esse nome, justamente, porque reflete nas suas águas a imagem das montanhas avermelhadas que ficavam nas encostas de outras cidades da região, entre elas: Midiã, Horebe, Sinai e Egito.

Mas se deixarmos de lado, toda essa beleza natural, veremos que não sobra muita coisa boa pra falar de Edom.

E aqui está o cerne da mensagem de Obadias. O povo de Edom nunca teve boas relações com o povo de Israel. Nunca foram parceiros, nem amigos. Sempre houve muita hostilidade entre eles. E Obadias nos lembra, minha gente, que essa era uma briga bem antiga. Tudo começou há muito tempo atrás, exatamente com a rivalidade e disputas entre Esaú e Jacó. Vamos relembrar:

Se você olhar com mais atenção para o texto bíblico em Gn 25.25 vai perceber a 1a DISPUTA entre eles: Ao nascerem, os gêmeos apresentam uma grande diferença física entre eles. O primeiro bebê que sai da barriga de Rebeca é Esaú, um neném ruivo, cabeludo e bem grandão.

Jacó, o segundo bebê que sai da barriga de Rebeca é bem menor, porém nasce segurando o calcanhar do irmão. (Como se Jacó quisesse passar o irmão mais velho para trás). (Por isso, nunca confie num baixinho! rsrs)

No versículo 28 do mesmo capítulo 25 de Gênesis, encontramos a 2a DISPUTA, que é um grande PROBLEMA FAMILIAR: Os pais dos meninos não os tratavam como iguais. Isaque preferia mais a Esaú, porque era caçador e sabia fazer um bom churrasco. Mas Rebeca preferia mais a Jacó, porque era caseiro e cuidava do rebanho da família.

Como se não bastasse, vemos seguir a 3a DISPUTA. No verso 30 do mesmo capítulo, depois de um péssimo dia de trabalho, Esaú volta para casa com muita fome, mas de mãos vazias. Pois não havia conseguido caçar nada para o jantar. Chegando ao portão, sente o cheiro da comida do seu irmão Jacó, que cozinhava um saboroso ensopado vermelho. Então, a fome de Esaú falou mais alto, e ele disse: “Me dê um pouco desse ensopado vermelho aí, meu irmão. Estou faminto! Faço qualquer coisa por isso”. Jacó, então, ofereceu sua comida avermelhada a Esaú com uma condição: que em troca, lhe desse o direito de ser o primogênito.

DAQUI TIRAMOS UMA LIÇÃO: NUNCA FAÇA QUALQUER NEGÓCIO COM FOME. POIS, VOCÊ PODE FAZER UM PÉSSIMO NEGÓCIO!

Se você acha que a rivalidade acabou, ainda não! A 4a DISPUTA está em Gn 27.30-33. Aqui, vemos uma outra situação. O texto bíblico nos conta a história da usurpação — ou apropriação ilícita — de Jacó sobre a benção que Isaque daria a Esaú. A Bíblia diz que o Isaque tava velhinho, cansado e cego. Diz ainda que Isaque estava com muita vontade de comer um churrasco que somente seu filho Esaú sabia fazer. E que se o filho mais velho atendesse seu pedido, como recompensa, Isaque lhe daria uma super benção.

Esaú, então, mais que depressa, saiu a caçar para agradar seu Pai. Mas Rebeca ouviu a conversa, e por amar mais a Jacó que Esaú, tramou com o filho mais novo, um plano para roubar a benção de Esaú. E assim, eles conseguiram. Enganaram o Isaque e roubaram a benção de Esaú, na maior cara de pau.

Depois disso, Esaú se enfureceu com a situação e sentiu muito ódio de seu irmão Jacó, ao ponto de querer mata-lo. Jacó, então, precisou fugir para outras terras porque estava sendo jurado de morte. Depois de 20 anos fugindo, Gênesis 33 nos conta que Jacó revê seu irmão Esaú. Neste encontro não houve morte, nem violência. Jacó tinha acabado de passar por Peniel. Ele havia se encontrado com Deus e, agora, sua vida estava diferente. Dessa vez Jacó não trapaceou e Esaú foi compassivo. Assim, a Bíblia narra uma incrível história de perdão e reconciliação. Havendo paz naquela família.

Depois desse episódio, temos o conhecimento de que Jacó e Esaú voltaram a se encontrar no velório de Isaque, e depois disso, cada um segue o seu rumo. Conforme lemos no capítulo 36.6-7. Este mesmo capítulo capítulo 36, por sinal, fala dos descendentes de Esaú.

Aquilo que parecia ter sido resolvido entre Jacó e Esaú, não ficou bem esclarecido para as gerações posteriores. Vemos uma situação em que Moisés se depara e constata a rivalidade entre os descendentes de Jacó e Esaú, aproximadamente 500 anos depois deles já estarem mortos.

Este texto se encontra no livro de Números 20:14-21. Israel estava marchando para o norte rumo às campinas de Moabe (Nm 33:48), onde Moisés prepararia a nova geração para en­trar na terra da promessa. A rota mais fácil passava por Edom, pela estrada do rei, a prin­cipal via comercial daquele tempo. Sabendo da história de conflito entre Esaú e Jacó, Moisés usou de diplomacia e pediu permissão ao rei para passar pela sua terra.

Israel havia conquistado muitos reis e nações durante sua marcha, e os edomitas sabiam disso, de modo que Moisés precisava deixar claro que se tratava apenas de uma marcha pacífica e passageira, e não uma invasão ou ataque.

Assim, diplomaticamente Moisés enfatizou o fato de que não queria guerra porque os israelitas e edomitas eram irmãos (v. 14) e usou a expressão “nossos pais” (v. 15). Dirigido pelo Senhor (Dt 2:1-8), Moisés garantiu ao povo de Edom que os israelitas pagariam por sua comida e água e que não entrariam nos campos ou vinhedos de Edom.

Moisés estava se esforçando ao máximo para garan­tir uma jornada pacífica, mas os edomitas se recusaram a aceitar sua oferta generosa. Moisés tentou persuadir os edomitas mais uma vez, porém suas palavras só provoca­ram mais oposição. Embora Jacó e Esaú tivessem se encontrado e acer­tado suas diferenças (Gn 33) muitos séculos antes, os descendentes de Esaú permaneciam perpetuan­do o antigo conflito entre as famílias. A raiz da amargura ainda permanecia no coração dos edomitas.

É triste quando um conflito entre famílias é alimen­tado geração após geração, trazendo profun­da amargura e impedindo que irmãos ajudem uns aos outros. Quando o exército edomita chegou e colocou-se no caminho de Israel, ficou evi­dente para Moisés que a coisa mais prudente a se fazer era escolher outro caminho.

Nós não duvidamos que Deus poderia ter ajudado Israel a vencer todo o exército edomita, mas esse não era o plano dele. A Escritura diz: “Se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens” (Rm 12:18).

Assim, Moisés deu meia volta, e colocou o problema de Edom nas mãos de Deus .

Um outro episódio bíblico é descrito em SI 137:7. Sabemos que Edom era descendente de Esaú e lemos que o povo edomita, por causa de seu orgulho, se une ao povo da Babilônia para guerrear contra os filhos de Israel. Jerusalém foi invadida e os edomitas gritaram para Babilônia destruir tudo em Israel!

Esse era o pecado de Edom. E Deus usou o profeta Obadias para trazer a seguinte mensagem:

Antes do Senhor Deus falar (cf. v. 2-21) Obadias se apresenta como um mensageiro que anuncia o juízo de Deus sobre Edom (v.1). E sob a ordem de Deus, Obadias alerta que Edom será conquistada por um complô de outras nações reunidas.

Nos versos 2 ao 4 vemos que a soberba do povo de Edom sorrateiramente os enganou. Eles passaram a se achar grandes, no entanto, eram be pequenos. Por certo, essa soberba surgiu porque eles estavam numa privilegiada localização demográfica. Lembre-se que Edom ficava numa região montanhosa, elevada, rochosa, uma fortaleza natural — atualmente, o país da Jordânia está estabelecido lá. Então, construíram a cidade no alto das montanhas e na guerra, e isso lhes favoreciam muito. Talvez porque a visão de lá era ampla e avistavam de longe que seriam atacados. Dessa forma, eles nunca foram pegos de surpresa.Além disso, eles atacavam de cima pra baixo.

Mas por causa disso, os edomitas se iludiam com uma falsa segurança. Se iludiam por achar que eram indestrutíveis e inalcançáveis. Mas o profeta traz um alerta a eles. Lemos no vs. 4: “… Ainda que você suba tão alto como a águia e faça o seu ninho entre as estrelas, dali eu o derrubarei”, declara o SENHOR.

Aplicação. Isso pode acontecer na vida de muita gente por aí. Há quem se deu bem na vida porque estudou, se aprofundou, se especializou e desfruta de uma boa posição cultural. Há também quem se deu bem por causa de algum sucesso na vida, do ponto de vista financeiro e econômico. Há quem, no passado, de alguma maneira, teve a benção de Deus na saúde e em outras áreas da vida. Mas, o tempo foi passando, e essa gente foi esquecendo do que Deus fez na vida deles e acabam passando o crédito na própria conta, achando que sempre foram donos e senhores de si mesmos. Falta-lhes a consciência de gratidão e falta-lhes maneiras empáticas de se relacionar com os outros. Era exatamente assim que Deus via o povo de Edom. Povo de muita arrogância e quebra de fraternidade.

Obadias continua sua profecia: (v.2-4) apesar do terreno montanhoso e íngreme em que a cidade se mantivera por séculos; (v.5,6) seus escombros excederão em muito a depredação habitual. (v. 7) De traição em traição, até mesmo os antigos aliados de Edom se voltarão contra ele e o levarão à ruína.

Não obstante, (v.8-9) O Senhor Deus declara a ineficácia DE DOIS GRUPOS dos quais a nação tinha GRANDE ORGULHO — 1° seus famosos sábios (obs: Jó e seus conselheiros eram de uma região de Edom) e 2° seus guerreiros.

O verso 10 diz: “Os edomitas eram descendentes de Esaú e viviam para tramar contra os filhos de Israel (Jacó)”. E o verso 12 continua dizendo: “Os edomitas se alegravam e sentiam prazer na queda do seu próprio irmão. Eles os tratavam com muita violência e viviam para ver a derrota do povo de Israel”. Mas além de tudo isso, os edomitas também eram ciumentos e invejosos. Eles não toleravam o sucesso de Israel.

Aplicação. Perigoso é lidar com o orgulho. O orgulho fez com que Edom se achasse indestrutível. Você passa a se achar auto-suficiente e de que não precisa de mais ninguém. Entretanto, os orgulhosos não tem a capacidade de abençoar pessoas. Os orgulhosos se ferem quando o próximo se dá bem. Os orgulhos se alegram quando alguém cai e festejam com o fracasso do próximo. Os orgulhos são incapazes de bendizer outras pessoas. No entanto, Deus abomina as pessoas orgulhosas, mas não resiste ao quebrantado de coração. Hoje, Deus quer libertar as pessoas orgulhosas e fazer delas pessoas livres e capazes de abençoar a outros.

Obadias encerra o livro comentando sobre a restauração e a felicidade de Israel e também do lamento e destruição do povo de Edom, uma vez que os edomitas não aceitaram o conserto.

Em 2 Crônicas 33 lemos a história do arrogante rei Manassés que fez tudo o que era mal diante do Senhor. Porém, no finalzinho da sua vida, se arrepende de sua iniquidade e Deus o perdoa.

Os sinais da arrogância, geralmente são: Autossuficiência; falta de um coração ensinavel; faz críticas maldosas e injustas em relação ao próximo; despreza a pessoas inferiores; Sente indisposição para ouvir e aceitar conselhos; fala bem de si mesmo o tempo todo; é insensível (marca do mal) para com os outros; e gosta de crescer a custa dos outros (vs. 10-14).

Se você percebe alguma característica edomita em você, vigia o seu coração. Pois, a arrogância é a base para o pecado. Ela gera o egoísmo e desprezo pelos outros. Edom pode se achar melhor que muita gente e pode pensar que esta tudo bem, mas cedo ou tarde Edom cairá! Essa é a mensagem de Obadias.

Não seja como Edom. Arrependa-se e humilhe-se diante do Deus Todo-Poderoso. E Deus o perdoará e te abençoará. Amém!

Aplicação:

Há algo que você tem acumulado no coração contra o seu irmão?

Oração:

Senhor, perdoe-me por todas as vezes que ignorei você e agi mal. Eu peço perdão por ser orgulhoso e pensar que posso fazer tudo sozinho, sem consultar o Senhor.

Por favor, me ensine a seguir a sua vontade. Eu ainda tenho sede e fome de você, então por favor me restaure completamente. Todo-Poderoso, nós estamos tão dispersos neste mundo, e é triste ver a Igreja tão dividida. Por favor, nos ajude a ser bons irmãos e irmãs uns para os outros, enquanto mantemos nossos olhos em Jesus. Sabemos que a batalha será difícil, mas confiamos em você para nos proteger. Ajude-nos a ser pacientes e perseverantes, para que possamos desfrutar do descanso que você prometeu no céu. Obrigado por enviar seu Filho, Jesus Cristo, para nos salvar. Amém.

Escrito por Diego Gonçalves.


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© O Diário de um Jondô

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Diego Souza

Sou ministro na Igreja Holiness e amo escrever. Graduando em Letras pela UNIVESP, com Bacharel em Teologia pela UMESP e com pós em Novo Testamento pela EST, neste blog compartilho meus pensamentos sobre a vida cristã e o cotidiano, buscando conectar a fé com o dia a dia.